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Artista mineiro transforma casas de favelas brasileiras em miniaturas tão detalhadas que cada obra pode levar até um ano para ficar pronta, usando fotos reais de morros de BH e do Complexo do Alemão

Artista mineiro transforma casas de favelas brasileiras em miniaturas tão detalhadas que cada obra pode levar até um ano para ficar pronta, usando fotos reais de morros de BH e do Complexo do Alemão

6 min de leitura

Artista mineiro transforma casas de favelas brasileiras em miniaturas tão detalhadas que cada obra pode levar até um ano para ficar pronta, usando fotos reais de morros de BH e do Complexo do Alemão

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 22/08/2026 às 19:40

Atualizado em 22/08/2026 às 19:41

Curiosidades

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Diego de Paiva encontrou inspiração durante uma viagem ao Recife, passou a fotografar comunidades de Belo Horizonte e usou casas do Complexo do Alemão como referência para construir cenários com resina, madeira, plástico e isopor; meses depois, uma de suas maquetes chegou à programação do Circuito Urbano de Arte de BH.

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Diego de Paiva encontrou inspiração durante uma viagem ao Recife, passou a fotografar comunidades de Belo Horizonte e usou casas do Complexo do Alemão como referência para construir cenários com resina, madeira, plástico e isopor; meses depois, uma de suas maquetes chegou à programação do Circuito Urbano de Arte de BH.

Uma casa pequena, outra construída quase sobre a primeira, fios atravessando a rua, postes, pichações e estabelecimentos comerciais espremidos entre as construções. À primeira vista, as cenas produzidas pelo artista plástico Diego de Paiva poderiam passar por fotografias de algum morro brasileiro.

Mas são miniaturas.

O artista mineiro construiu uma linguagem própria reproduzindo, em escala reduzida, elementos encontrados em comunidades brasileiras. Para chegar ao resultado, não depende apenas da imaginação: Diego fotografa morros de Belo Horizonte, observa construções populares e também utiliza imagens do Rio de Janeiro, incluindo casas do Complexo do Alemão, como referência para levantar cada residência manualmente.

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O nível de detalhamento ajuda a explicar por que uma única obra dedicada a uma favela já exigiu cerca de um ano de trabalho. Resina, plástico, madeira, isopor e massa corrida são combinados para reproduzir paredes, telhados, fachadas, postes, comércio e outras marcas da paisagem urbana.

Uma viagem ao Recife mudou o tipo de cidade que Diego queria construir

Obra de Diego de Paiva reproduz elementos da arquitetura das comunidades brasileiras

A transformação no trabalho começou longe de Belo Horizonte. Formado em Artes Plásticas, Diego produzia anteriormente desenhos relacionados a cenários urbanos, mas uma viagem ao Recife acabou alterando o rumo de suas criações.

Segundo relato publicado pelo Voz das Comunidades em maio de 2019, uma favela que encontrou durante a viagem despertou seu interesse e fez com que passasse a desenvolver cenários inspirados na arquitetura das comunidades brasileiras.

A partir dali, a representação deixou de depender apenas de uma cidade específica. Pernambuco forneceu a inspiração inicial, enquanto Belo Horizonte virou campo de observação e fotografia. O Rio de Janeiro também entrou no processo por meio das imagens utilizadas como referência.

Entre elas estavam casas do Complexo do Alemão, na Zona Norte carioca.

Diego explicou que visita alguns morros de Belo Horizonte para fotografar e também trabalha a partir de registros de construções do Rio. Depois, transforma essas imagens em pequenas edificações, construindo o cenário casa por casa.

Madeira, resina, isopor e massa corrida ajudam a reproduzir uma favela em escala reduzida

As casas não são peças prontas simplesmente posicionadas sobre uma base.

O artista combina diferentes materiais de acordo com o elemento que precisa produzir. Entre os itens citados por Diego estão resina, plástico, madeira, isopor e massa corrida, materiais relativamente comuns que, depois de trabalhados, ganham aparência de concreto, fachadas, lajes e outras estruturas.

É justamente nessa etapa que a quantidade de detalhes pesa no tempo de produção.

Uma das obras levou aproximadamente um ano para ser concluída, segundo o próprio artista. O prazo estava relacionado ao trabalho necessário para construir e integrar os numerosos componentes do cenário.

Postes e fios atravessam as composições. Pichações aparecem nas paredes. Pequenos pontos comerciais ocupam espaços entre residências. Em vez de formar apenas um conjunto de blocos, as miniaturas tentam reproduzir elementos facilmente reconhecidos na paisagem urbana brasileira.

A influência visual também conversa com o rap e o grafite, duas linguagens citadas na reportagem de 2019 como parte da identidade que passou a acompanhar suas criações.

Casas do Complexo do Alemão viraram referência para construir cada peça

Miniatura criada pelo artista plástico Diego de Paiva reproduz casas, vielas, postes, fios e outros detalhes da arquitetura das comunidades brasileiras, construídos manualmente com materiais como madeira, resina, plástico, isopor e massa corrida.

Uma característica importante do trabalho de Diego está justamente na origem das construções representadas.

Embora não se trate de uma reprodução arquitetônica integral de uma única favela, parte das casas é baseada em fotografias reais.

Diego contou que utiliza imagens feitas por ele próprio nos morros de Belo Horizonte e outras obtidas de residências no Rio de Janeiro. Entre os locais mencionados diretamente pelo artista está o Complexo do Alemão.

O resultado faz com que uma única maquete possa reunir referências de diferentes territórios urbanos sem abandonar características observadas nas construções originais.

A escolha também dá às peças um nível de especificidade que seria difícil obter criando fachadas completamente imaginárias. Posição das casas, formatos irregulares, pequenos estabelecimentos, infraestrutura aparente e intervenções nas paredes ajudam a formar o conjunto.

Trabalho saiu das redes sociais e entrou na programação de um festival de arte urbana

Quando o Voz das Comunidades publicou a história, em 23 de maio de 2019, Diego já reunia mais de 14 mil seguidores no Instagram, pelo perfil @paivadiegod.

Naquele momento, o artista também relatava que havia pessoas e galerias interessadas em levar seu trabalho para outros espaços. As conversas ainda estavam em andamento, mas as miniaturas começavam a ultrapassar o ambiente das redes sociais.

Poucos meses depois, há um registro concreto desse movimento.

Em setembro de 2019, a programação da edição realizada na Lagoinha do CURA, Circuito Urbano de Arte de Belo Horizonte, incluiu a exposição da maquete “Favela e Predim”, de Diego de Paiva, na Casa Cura.

A programação publicada pelo Estado de Minas mostra a obra exposta ao lado de outras atividades ligadas à arte urbana, incluindo cinema, oficinas, shows, rodas de conversa e exposições.

O episódio também aparece anos depois em uma pesquisa acadêmica da Universidade Federal de Minas Gerais sobre arte urbana em Belo Horizonte, que registra a presença da maquete de Diego na programação do festival de 2019.

Miniaturas também passaram a funcionar como cenários para produções audiovisuais

A escala reduzida abriu outra possibilidade para o trabalho.

Além de serem observadas como peças artísticas, as maquetes passaram a ser utilizadas como cenários de clipes musicais, segundo Diego relatou na entrevista de 2019.

A aplicação faz sentido pela quantidade de informação visual incorporada às obras. Uma câmera posicionada próxima às pequenas casas encontra fachadas, vielas, postes, fios, paredes marcadas e estabelecimentos que funcionam como uma cidade em miniatura.

Assim, materiais simples como isopor, madeira e massa corrida deixam de ser percebidos individualmente e passam a compor um cenário urbano completo.

O trabalho que começou a mudar depois de uma viagem ao Recife acabou conectando referências de Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro, chegou às redes sociais, foi utilizado em produções audiovisuais e, ainda em 2019, apareceu oficialmente em um dos eventos de arte urbana de Belo Horizonte.

Mais do que diminuir casas de tamanho, Diego passou a reconstruir pedaços da paisagem das comunidades brasileiras, uma residência de cada vez e, em alguns casos, dedicando meses até que a última peça encontrasse seu lugar.

Você imaginava que uma maquete construída com madeira, resina, plástico e isopor pudesse exigir até um ano de trabalho para chegar a esse nível de detalhes?

Fontes

Favelas viram miniaturas nas mãos de artista plástico mineiro

Diego de Paiva Miniatures Diorama Model


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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