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Astato é tão raro que só 0,07 grama existe na crosta terrestre, desaparece em poucas horas e agora cientistas estudam o astato-211 para atacar tumores com radiação direcionada
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 13/08/2026 às 16:46
Atualizado em 13/08/2026 às 16:47
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Elemento 85 da tabela periódica não possui isótopos estáveis, quase não existe naturalmente e ganhou espaço em pesquisas de terapia alfa direcionada contra tumores
Um dos elementos mais raros conhecidos na natureza pode ter uma aplicação completamente diferente daquela imaginada quando foi descoberto.
O astato praticamente não existe na crosta terrestre.
Estima-se que apenas 0,07 grama do elemento esteja presente no planeta em determinado momento, segundo revisão publicada pela revista científica Frontiers in Medicine.
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A quantidade representa menos que a massa de um pequeno grão de arroz.
O elemento também não forma depósitos ou pedaços que possam ser simplesmente recolhidos.
Uma versão produzida artificialmente, o astato-211, passou a ser estudada para transportar radiação diretamente até estruturas associadas a tumores.
Elemento 85 foi sintetizado pela primeira vez em 1940
A história científica do astato começou em 1940, na Universidade da Califórnia em Berkeley.
Pesquisadores conseguiram produzir artificialmente o elemento de número atômico 85 e estudar algumas de suas propriedades.
O nome deriva do grego astatos, palavra associada à instabilidade.
A escolha faz sentido porque nenhum isótopo conhecido do astato é estável.
Todos são radioativos e acabam se transformando rapidamente em outros elementos.
Cientistas já produziram astato, mediram sua radiação e analisaram seu comportamento químico.
Uma quantidade macroscópica estável, porém, nunca foi reunida para formar um fragmento visível convencional.
Apenas 0,07 grama estaria espalhado pela crosta terrestre
Alguns isótopos do astato aparecem naturalmente durante cadeias de decaimento relacionadas ao urânio.
Esses átomos surgem continuamente, mas desaparecem pouco tempo depois.
A revisão publicada em 2023 pela Frontiers in Medicine estima cerca de 0,07 grama de astato na crosta terrestre simultaneamente.
O valor ajuda a dimensionar a raridade do elemento.
Todo esse material permanece disperso por enormes volumes de rocha, sem formar uma concentração natural facilmente acessível.
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Viviane Alves
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Astato-211 chamou atenção de pesquisadores contra tumores
O astato-211 ganhou interesse da medicina nuclear por emitir partículas alfa.
Essas partículas possuem grande quantidade de energia, porém percorrem distâncias muito pequenas dentro dos tecidos.
Essa combinação abriu caminho para uma estratégia conhecida como terapia alfa direcionada.
Pesquisadores estudam a ligação do radioisótopo a moléculas capazes de buscar estruturas específicas associadas às células tumorais.
A proposta é levar a fonte radioativa até o alvo e depositar energia em uma região extremamente reduzida.
O método busca limitar a distribuição da radiação para áreas além do alvo pretendido.
Meia-vida de 7,2 horas transforma transporte em desafio
Outra característica importante do astato-211 é sua meia-vida aproximada de 7,2 horas.
A atividade radioativa diminui rapidamente depois que o material é produzido.
Menos de 1% da atividade inicial permanece após um período inferior a dois dias.
Essa duração reduzida pode limitar exposições prolongadas.
A mesma característica também cria uma corrida logística contra o relógio.
Produção, preparação e transporte precisam acontecer rapidamente antes da aplicação.
Pesquisas clínicas continuam em estágio inicial
Estudos envolvendo astato-211 já chegaram a experiências clínicas com glioblastoma recorrente e câncer de ovário.
Um trabalho publicado em 2008 avaliou a aplicação dessa abordagem em tumores cerebrais recorrentes.
As pesquisas analisaram principalmente segurança, distribuição e viabilidade do tratamento.
Os resultados ainda não permitem classificar o astato-211 como cura ou tratamento universal contra o câncer.
O número de pacientes estudados permanece pequeno, enquanto diferentes tumores podem exigir moléculas e alvos específicos.
Produção depende de instalações com cíclotrons
O astato-211 utilizado nessas pesquisas não é retirado diretamente da natureza.
Sua produção ocorre principalmente pelo bombardeamento de bismuto-209 com partículas alfa dentro de um cíclotron.
Poucas instalações possuem equipamentos adequados para esse processo.
A curta meia-vida também limita a distância entre o centro produtor e o hospital.
A raridade do astato, portanto, não é apenas uma curiosidade da tabela periódica.
O elemento 85 representa uma tentativa científica de transformar instabilidade nuclear em precisão médica, ainda sob rigorosa avaliação.
Você acredita que radioisótopos como o astato-211 podem ampliar as possibilidades da medicina nuclear no futuro? Deixe sua opinião.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

