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Astronauta olha para o Irã e registra do espaço uma paisagem que parece uma gigantesca cebola cortada: centenas de camadas de rocha dobradas e erodidas formam curvas visíveis por 105 km no coração do deserto

Astronauta olha para o Irã e registra do espaço uma paisagem que parece uma gigantesca cebola cortada: centenas de camadas de rocha dobradas e erodidas formam curvas visíveis por 105 km no coração do deserto

8 min de leitura

Astronauta olha para o Irã e registra do espaço uma paisagem que parece uma gigantesca cebola cortada: centenas de camadas de rocha dobradas e erodidas formam curvas visíveis por 105 km no coração do deserto

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 25/08/2026 às 13:45

Atualizado em 25/08/2026 às 13:46

Ciência e Tecnologia

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Astronaut Observing Earth’s Desert Rings

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Astronautas da ISS fotografaram no Irã centenas de camadas de rocha dobradas e erodidas que formam padrões semelhantes a uma cebola cortada em uma paisagem de 105 km.

Em 14 de fevereiro de 2014, integrantes da Expedição 38 da Estação Espacial Internacional passaram sobre o centro do Irã e registraram uma das paisagens geológicas mais incomuns observadas da órbita terrestre. A fotografia mostra centenas de linhas claras e escuras formando curvas, espirais e grandes estruturas em forma de S no Dasht-e Kavir, o Grande Deserto Salgado iraniano. Sem cidades, grandes estradas, campos agrícolas ou vegetação densa para oferecer referência visual, a escala engana: a cena fotografada possui aproximadamente 105 quilômetros de largura.

A própria NASA encontrou uma comparação simples para explicar o desenho: as rochas lembram as sucessivas camadas de uma cebola depois de cortada. O padrão não é uma obra humana nem resultado de dunas sendo moldadas exclusivamente pelo vento. São camadas rochosas que foram dobradas por processos geológicos e posteriormente cortadas pela erosão, expondo no chão do deserto a geometria interna das estruturas.

A fotografia foi feita por astronautas da Estação Espacial Internacional

A imagem utilizada pela NASA possui a identificação ISS038-E-47388 e foi registrada por um integrante da Expedição 38 da Estação Espacial Internacional.

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Os astronautas utilizaram uma Nikon D3 com lente de 200 milímetros. Posteriormente, a fotografia foi recortada e teve o contraste aprimorado para tornar as estruturas naturais mais fáceis de visualizar.

Não se trata, portanto, de uma composição artística ou de uma reconstrução digital da geologia.

A câmera registrou diretamente a superfície do centro iraniano enquanto a ISS passava sobre a região. A ausência de vegetação densa transformou o deserto em uma espécie de mapa geológico exposto.

A paisagem inteira fotografada se estende por cerca de 105 quilômetros

Um dos aspectos mais impressionantes da imagem é a dificuldade de perceber seu tamanho sem uma referência.

Não aparecem bairros inteiros, grandes áreas agrícolas ou outras estruturas familiares capazes de indicar imediatamente a escala.

Kavir Desert, Iran NASA

Segundo o NASA Earth Observatory, a largura da cena chega a aproximadamente 105 quilômetros, ou 65 milhas.

Isso significa que aquelas linhas aparentemente finas vistas na fotografia representam formações rochosas reais espalhadas por dezenas de quilômetros.

O desenho que parece caber em uma pequena fotografia é, na verdade, uma paisagem gigantesca.

O deserto praticamente removeu a cobertura que esconderia as rochas

Em grande parte do planeta, a estrutura geológica fica escondida. Solo, árvores, gramíneas, sedimentos recentes, construções e água cobrem as camadas que formam o terreno. Para observar sua disposição, geólogos muitas vezes dependem de cortes de estradas, penhascos, escavações ou levantamentos geofísicos.

No Dasht-e Kavir, ocorre algo diferente.

A NASA explica que a escassez de solo e vegetação permite visualizar diretamente as estruturas geológicas. Camadas claras e escuras aparecem lado a lado, formando linhas paralelas que subitamente se curvam, mudam de direção e produzem padrões circulares ou em forma de S.

O deserto funciona quase como uma imensa seção geológica aberta.

As linhas são centenas de camadas de rocha

Os traços não são estradas e tampouco sulcos feitos por máquinas. São numerosas camadas finas de rocha, com diferenças de tonalidade e composição suficientes para produzir o contraste observado do espaço.

Ao longo de períodos geológicos, essas camadas deixaram de permanecer planas. Foram deformadas e dobradas, criando ondulações no interior da crosta.

Depois veio outra etapa fundamental: a erosão.

Vento e água removeram material e cortaram a parte superior das estruturas dobradas. Esse processo expôs sucessivas camadas, permitindo enxergar de cima a geometria que anteriormente estava dentro da formação.

É justamente essa combinação de dobramento mais erosão que produz a aparência extraordinária.

NASA comparou o resultado a uma cebola cortada

A comparação com uma cebola não surgiu apenas da interpretação de observadores nas redes sociais. Ela aparece na explicação oficial da NASA para a fotografia.

Quando uma cebola é cortada, as várias camadas internas tornam-se visíveis como linhas curvas e aproximadamente paralelas. Algo visualmente semelhante ocorre no deserto iraniano, embora em uma escala de dezenas de quilômetros.

Kavir Desert, Iran – NASA Science

As camadas rochosas foram dobradas antes de serem expostas.

Quando a erosão removeu partes da superfície, diferentes níveis dessas estruturas apareceram lado a lado. Por isso, as linhas parecem contornar grandes formas circulares e serpentear pelo terreno.

A fotografia orbital permite enxergar o conjunto de uma maneira praticamente impossível para uma pessoa parada no solo.

Uma enorme camada em forma de S abriga até um lago

No centro da imagem existe outro elemento que ajuda a revelar como a erosão atua de maneira diferente sobre cada tipo de rocha.

A NASA destaca um lago de água escura localizado dentro de uma depressão associada a uma camada rochosa em formato de S.

Essa camada é descrita como mais facilmente erodida. Ao longo do tempo, a retirada de material produziu uma área rebaixada onde a água conseguiu se acumular.

A presença do lago cria um contraste intenso com a paisagem predominantemente seca.

Ao redor, as curvas das rochas continuam visíveis, deixando claro que água, areia e pedra ocupam diferentes níveis do mesmo sistema geológico.

Até uma camada de areia deixa as rochas aparecerem por baixo

Próximo ao lago há uma área de tonalidade mais clara. Ela poderia ser confundida com outra grande formação rochosa, mas a NASA explica que se trata de uma camada relativamente fina de areia.

O detalhe curioso é que essa cobertura não é suficientemente espessa para esconder completamente a estrutura inferior. As linhas das rochas continuam perceptíveis através dela.

Mais abaixo na fotografia, um pequeno rio atravessa o cenário.

Esses elementos mostram que o Dasht-e Kavir não é simplesmente uma superfície homogênea coberta por areia. Existem lagos temporários ou permanentes, cursos de água, planícies salinas, dunas, rochas expostas e estruturas tectônicas em diferentes pontos.

O Grande Deserto Salgado guarda sinais de um antigo ambiente muito mais úmido

A paisagem seca também esconde uma história radicalmente diferente.

Em outro levantamento dedicado ao Dasht-e Kavir, a NASA explica que dezenas de milhões de anos atrás um oceano rico em sal provavelmente ocupava essa região, envolvendo um microcontinente situado no que hoje corresponde ao centro do Irã.

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Quando aquele ambiente marinho desapareceu, enormes quantidades de sais ficaram acumuladas.

A NASA informa que depósitos de sal na região podem chegar a 6 ou 7 quilômetros de espessura em determinados contextos geológicos.

Essa história ajuda a explicar o próprio nome Dasht-e Kavir, geralmente traduzido como Grande Deserto Salgado.

Camadas de sal chegaram a formar dezenas de gigantescos domos

O sal enterrado não permaneceu necessariamente imóvel. Por possuir densidade relativamente baixa, grandes massas salinas podem lentamente ascender através das rochas superiores quando as condições geológicas permitem.

Esse processo produz estruturas conhecidas como diápiros ou domos de sal.

A NASA informa que geólogos identificaram aproximadamente 50 grandes diápiros salinos na região do Dasht-e Kavir.

Depois que essas estruturas se formam, continuam submetidas à erosão. Vento e chuva removem progressivamente partes das rochas e do próprio material salino, revelando novas formas na superfície.

Assim, diferentes capítulos da história geológica acabam sobrepostos na paisagem atual.

Vento e água funcionaram como uma gigantesca ferramenta de corte

É fácil atribuir quase tudo em um deserto ao vento, mas a formação observada envolve também erosão provocada pela água.

A NASA afirma que vento e água cortaram uma superfície relativamente plana através das camadas dobradas, expondo centenas delas simultaneamente.

A ideia pode ser comparada a cortar transversalmente um objeto formado por muitas folhas. As folhas já estavam dobradas. O corte apenas revela a geometria que estava escondida dentro delas.

Na escala geológica, porém, não houve uma lâmina. A remoção ocorreu lentamente, à medida que processos erosivos desgastavam as partes mais altas do terreno.

Algumas rochas resistiram mais, enquanto outras foram removidas rapidamente. Essa diferença ajuda a reforçar o contraste entre as linhas.

A aridez preserva um mapa natural da deformação das rochas

Paradoxalmente, as condições severas do deserto são justamente o que torna a imagem tão clara. Se a região fosse recoberta por floresta ou agricultura intensa, boa parte dos padrões desapareceria visualmente.

No Dasht-e Kavir, a pequena quantidade de vegetação permite acompanhar cada curva diretamente na superfície.

É por isso que paisagens áridas são especialmente importantes para a observação geológica por satélites e pela Estação Espacial Internacional.

A fotografia fornece uma visão integrada de estruturas que, observadas no terreno, poderiam parecer apenas sequências isoladas de rochas.

Do espaço, fica evidente que pertencem ao mesmo sistema de dobras.

Outra fotografia da NASA mostrou que o fenômeno continua impressionando astronautas

A paisagem iraniana voltou a chamar atenção das tripulações da ISS em outras ocasiões.

Em dezembro de 2015, um astronauta da Expedição 46 fotografou outra parte do Deserto de Kavir usando uma lente de 1.150 milímetros.

Naquele registro, a NASA destacou uma colina circular de apenas 3,25 quilômetros de largura, formada por numerosas camadas sedimentares coloridas. Mesmo a aproximadamente 400 quilômetros acima da Terra, a lente conseguiu registrar detalhes das linhas que formavam sua superfície.

A fotografia reforça uma característica do centro iraniano: o terreno árido expõe de maneira excepcional capítulos inteiros de sua evolução geológica.

Do espaço, o deserto iraniano parece ter sido desenhado à mão

As curvas são tão regulares em alguns pontos que a primeira impressão pode sugerir intervenção humana.

Mas não existem arquitetos, escavadeiras ou artistas por trás daquele padrão. As estruturas são resultado de processos que operam em escalas temporais muito maiores que a história humana.

Camadas foram depositadas, enterradas, deformadas, dobradas e depois progressivamente expostas. O clima árido fez o restante, mantendo grande parte dessas estruturas descoberta.

Foi assim que uma passagem rotineira da Estação Espacial Internacional sobre o Irã produziu uma fotografia que parece quase abstrata: centenas de camadas rochosas serpenteando pelo deserto, formando círculos, curvas e enormes estruturas em S dentro de uma paisagem de 105 quilômetros que a própria NASA comparou às camadas de uma cebola cortada.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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