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Astrônomos descobrem estrela mais rápida já observada na Via Láctea: a S301 atinge 8,3% da velocidade da luz e seria capaz de dar uma volta na Terra em apenas 1,6 segundo
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 24/08/2026 às 00:03
Atualizado em 24/08/2026 às 00:05
Ciência e Tecnologia
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A estrela S301 chega a cerca de 25 mil km/s ao orbitar Sagitário A* e pode ajudar cientistas a medir a rotação do buraco negro central da Via Láctea.
Uma estrela que circula pelo ambiente extremo ao redor do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea foi identificada como a mais rápida já observada na galáxia. Batizada de S301, ela pode atingir aproximadamente 25 mil quilômetros por segundo, velocidade equivalente a cerca de 8,3% da velocidade da luz, durante sua passagem pelas regiões mais próximas de Sagitário A*.
A dimensão desse movimento fica mais clara quando comparada à Terra. Se fosse possível viajar à velocidade máxima alcançada pela S301, uma volta completa pela Linha do Equador levaria aproximadamente 1,6 segundo. Mantendo esse ritmo durante um minuto, seria possível contornar o planeta mais de 37 vezes.
Estrela acelera quando se aproxima de Sagitário A*
A velocidade não permanece constante durante toda a trajetória. S301 percorre uma órbita muito alongada e ganha velocidade à medida que entra na região onde a gravidade do buraco negro se torna mais intensa, chegando ao ponto máximo justamente durante a maior aproximação.
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O buraco negro responsável por esse efeito é Sagitário A*, objeto supermassivo localizado no centro da Via Láctea. A enorme concentração de massa produz um campo gravitacional capaz de manter várias estrelas em órbitas extremamente rápidas e compactas ao seu redor.
No caso da S301, a combinação entre distância reduzida e velocidade tornou o objeto particularmente interessante para os astrônomos. A estrela não chama atenção apenas por quebrar um recorde de movimento, mas também por percorrer uma região onde efeitos gravitacionais extremos podem ser medidos com grande precisão.
Por isso, acompanhar sua trajetória ao longo dos próximos anos pode fornecer dados que vão além da própria estrela. Seu movimento poderá funcionar como uma espécie de marcador natural para estudar propriedades ainda difíceis de determinar diretamente em Sagitário A*.
S301 completa uma volta em apenas 8,7 anos
Uma órbita completa da S301 ao redor do buraco negro leva aproximadamente 8,7 anos. Esse intervalo é extremamente curto em termos astronômicos e permite que pesquisadores acompanhem mudanças significativas na trajetória dentro de períodos relativamente acessíveis de observação.
O ponto de maior aproximação é ainda mais impressionante. A estrela chega a uma distância equivalente a cerca de 12 vezes o espaço entre a Terra e o Sol, aproximadamente 1,8 bilhão de quilômetros, antes de voltar a se afastar.
Embora bilhões de quilômetros pareçam uma distância enorme em escalas humanas, trata-se de uma passagem muito próxima quando comparada às dimensões do sistema ao redor de um buraco negro supermassivo. É justamente nessa região que a S301 recebe a maior aceleração gravitacional.
Felix Mang, estudante de doutorado no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (MPE) e autor do estudo, destacou que a combinação entre uma órbita de 8,7 anos e uma aproximação tão reduzida torna o objeto diferente dos demais já acompanhados nessa região.
Primeira observação aconteceu em 2023
A S301 entrou no radar da equipe em 2023, quando os astrônomos conseguiram identificá-la pela primeira vez. Depois disso, novas observações permitiram determinar com mais precisão sua posição e calcular os parâmetros necessários para reconstruir a órbita.
Os pesquisadores também utilizaram dados anteriores para retroceder sua trajetória até 2017. Essa reconstrução mostrou que a estrela passou pelo ponto de maior aproximação de Sagitário A* no início de 2023, justamente quando atingiu uma de suas fases mais importantes para o estudo.
A identificação posterior de posições antigas é fundamental porque uma única observação não permite determinar a órbita completa de um objeto. Ao comparar diferentes momentos, os cientistas conseguem calcular velocidade, distância e o formato do percurso ao redor do buraco negro.
Com isso, aquilo que inicialmente aparecia como um novo ponto luminoso em uma região extremamente congestionada da Via Láctea tornou-se uma das estrelas mais importantes para investigações futuras sobre o centro galáctico.
GRAVITY consegue separar movimentos no centro da Via Láctea
Observar uma estrela tão próxima de Sagitário A* exige equipamentos capazes de trabalhar em uma região onde muitos objetos aparecem concentrados em um espaço relativamente pequeno do céu. Para isso, a equipe utilizou o instrumento GRAVITY.
O equipamento está instalado no Very Large Telescope Interferometer (VLTI), ligado ao Observatório Europeu do Sul. Sua técnica combina a luz captada por diferentes telescópios, criando condições para determinar posições e movimentos com precisão muito superior à obtida por um único instrumento.
Essa capacidade é especialmente importante no centro da galáxia, onde estrelas passam umas próximas das outras quando vistas da Terra. Pequenos erros de posição poderiam alterar significativamente os cálculos da trajetória realizada ao redor do buraco negro.
Foi o acompanhamento preciso proporcionado pelo GRAVITY que permitiu aos pesquisadores consolidar as características orbitais da S301 e identificar a velocidade extrema alcançada durante sua passagem pelo ponto mais próximo.
Movimento pode revelar como o buraco negro gira
O próximo passo pode transformar a S301 em uma ferramenta para investigar uma propriedade particularmente difícil de Sagitário A*: sua rotação. A maneira como um buraco negro gira pode provocar pequenas alterações no espaço ao redor e, consequentemente, nas órbitas de objetos próximos.
Como a S301 passa muito perto do centro gravitacional, sua trajetória oferece uma oportunidade de procurar essas alterações. Quanto mais próxima uma estrela chega do buraco negro, maior tende a ser a possibilidade de detectar efeitos relativísticos sutis no movimento.
Mang afirma que essas características podem permitir uma medição muito direta da rotação de um buraco negro massivo. Caso seja possível obter esse resultado, os dados poderão ser comparados com previsões formuladas pela relatividade geral.
Estrela pode colocar previsões de Einstein sob novo teste
A teoria da relatividade geral descreve como grandes massas deformam o espaço-tempo e modificam o movimento dos objetos ao redor. Buracos negros representam alguns dos ambientes mais extremos para verificar essas previsões porque concentram enorme quantidade de massa em regiões muito compactas.
A órbita da S301 poderá permitir que astrônomos procurem efeitos que seriam quase impossíveis de detectar em sistemas menos extremos. Pequenas alterações acumuladas a cada passagem podem revelar como Sagitário A* influencia o espaço ao seu redor.
Como a estrela completa sua órbita em apenas 8,7 anos, os pesquisadores não precisam esperar décadas para acompanhar uma volta completa. Isso torna o objeto especialmente valioso em comparação com estrelas que levam períodos muito maiores para retornar à mesma região.
Fonte
CNN Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

