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Até 5 mil toneladas de urânio podem ter saído do Congo ‘de carona’ no cobalto de baterias, grande parte rumo à China e quase tudo fora dos registros, levantando alerta global sobre controle nuclear e risco ambiental

Até 5 mil toneladas de urânio podem ter saído do Congo ‘de carona’ no cobalto de baterias, grande parte rumo à China e quase tudo fora dos registros, levantando alerta global sobre controle nuclear e risco ambiental

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Até 5 mil toneladas de urânio podem ter saído do Congo ‘de carona’ no cobalto de baterias, grande parte rumo à China e quase tudo fora dos registros, levantando alerta global sobre controle nuclear e risco ambiental

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 07/08/2026 às 17:18

Energia Nuclear

Até 5 mil toneladas de urânio podem ter saído do Congo ‘de carona’ no cobalto de baterias, grande parte rumo à China e quase tudo fora dos registros, levantando alerta sobre controle nuclear e risco ambiental

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Um estudo publicado na Nature Communications diz que o Congo pode ter exportado urânio sem declarar por anos, com parte do material seguindo junto ao cobalto até a China e levantando alerta sobre controle nuclear e risco ambiental.

Um estudo divulgado nesta semana afirma que até 5 mil toneladas métricas de urânio não declarado podem ter sido extraídas e exportadas da República Democrática do Congo entre 2000 e 2024, misturadas à cadeia de fornecimento do cobalto. A pesquisa aponta que boa parte desse material pode ter seguido para a China, principal destino do processamento do mineral africano.

O dado chama atenção porque o país africano não registra produção oficial de urânio há décadas. Ainda assim, os pesquisadores dizem que o metal radioativo foi sendo removido de forma involuntária durante a mineração de cobalto na região de Copperbelt, onde os dois minerais aparecem juntos na natureza.

Além da dimensão nuclear, o levantamento acende um alerta para o ambiente e para a saúde de trabalhadores e comunidades próximas às minas. Os autores também estimam que entre 1 mil e 4 mil toneladas de urânio podem ter acabado descartadas em rejeitos, sem controle adequado.

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O que o estudo diz sobre a rota do urânio

Imagem ilustra a seção China concentra o processamento e amplia a preocupação na matéria sobre Estudo aponta que até 5 mil toneladas de urânio não declarado viajaram do Congo à China misturadas às exportações de cobalto. Crédito: timesofindia.indiatimes.com.

Segundo timesofindia.indiatimes.com, a pesquisa foi publicada na revista Nature Communications e conduzida por cientistas da University of Wisconsin–Madison e da Princeton University.

O grupo afirma que o urânio foi extraído sem intenção específica, ao mesmo tempo em que o cobalto era lavrado no Congo. Como os dois minerais ocorrem juntos na mesma região, parte do urânio pode ter passado despercebida ao longo do processamento, seguindo depois na cadeia exportadora do cobalto.

Ryan Manzuk, pesquisador envolvido no trabalho, disse que quando empresas mineram cobalto nessa área, também acabam extraindo quantidades relevantes de urânio. Ele observou ainda que a situação fica mais sensível porque há áreas da região que já foram exploradas por urânio no passado.

China concentra o processamento e amplia a preocupação

Os autores estimam que a maior parte desse material tenha terminado na China, que responde por cerca de 95% da capacidade global de refino de cobalto. Isso significa que o ponto de chegada do mineral também pode ter sido o destino do urânio associado a ele.

O estudo lembra que urânio natural pode ser usado como combustível em usinas nucleares depois de processado. Em cenários de enriquecimento mais avançado, ele também pode servir a programas militares. Ainda assim, os pesquisadores frisam que não encontraram prova de desvio intencional para uso bélico.

Mesmo sem essa evidência, o alerta é grande. Sebastian Philippe, especialista em segurança nuclear e professor assistente da University of Wisconsin–Madison, disse que o material, por não estar declarado, não teria limite definido para o uso final. Na visão dele, isso enfraquece a rastreabilidade exigida em acordos internacionais.

IAEA não recebeu declaração oficial, dizem os pesquisadores

O ponto mais delicado do estudo é a ausência de comunicação formal à Agência Internacional de Energia Atômica, a IAEA. Segundo os pesquisadores, o urânio exportado nunca foi oficialmente declarado ao órgão, responsável por acompanhar o movimento internacional de materiais nucleares.

Esse tipo de controle existe para garantir que o material seja usado apenas para fins pacíficos. Quando ele não entra nos registros, perde-se a visibilidade sobre origem, volume e destino final, abrindo espaço para falhas de monitoramento.

Os pesquisadores destacam ainda que a produção global anual de urânio costuma variar entre 55 mil e 65 mil toneladas métricas. Nesse cenário, a estimativa ligada ao Congo representa um volume suficientemente grande para merecer atenção internacional.

Rejeitos, saúde pública e pressão por auditoria

Além da questão nuclear, o estudo aponta que parte do urânio pode ter ficado em rejeitos de mineração. A estimativa vai de 1 mil a 4 mil toneladas, o que levanta preocupação sobre exposição ambiental e riscos para mineradores e moradores da região.

Os autores defendem uma auditoria nacional ampla sobre a mineração no Congo e novas regras para separar o urânio da cadeia do cobalto. Eles também pedem mecanismos de vigilância mais rígidos para garantir que o material seja separado, declarado e monitorado corretamente.

Na prática, o trabalho joga luz sobre um ponto sensível da transição energética: o cobalto do Congo é central para baterias de carros elétricos e sistemas de armazenamento, mas a cadeia pode estar carregando um passivo invisível que agora entrou no radar internacional. Se você acompanha temas de mineração, energia e segurança nuclear, vale ficar de olho nos próximos desdobramentos.

Fonte

timesofindia.indiatimes.com


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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