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Áustria está sofrendo com falta de mão de obra e agora busca estrangeiros, incluindo brasileiros, para atuar em setores como construção civil, saúde e até engenharia

Áustria está sofrendo com falta de mão de obra e agora busca estrangeiros, incluindo brasileiros, para atuar em setores como construção civil, saúde e até engenharia

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Áustria está sofrendo com falta de mão de obra e agora busca estrangeiros, incluindo brasileiros, para atuar em setores como construção civil, saúde e até engenharia

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 26/08/2026 às 13:29

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Câmara Federal de Economia da Áustria informa que 78% das empresas sofrem com escassez de trabalhadores; estratégia internacional define seis países-foco e mira ocupações de difícil preenchimento.

A Áustria mantém uma estratégia oficial para atrair profissionais qualificados de fora da União Europeia, e o Brasil está entre os seis países definidos como prioritários pela Câmara Federal de Economia austríaca (WKÖ). Em 2026, essa política coincide com uma lista nacional de 64 ocupações em escassez e com ações realizadas no Brasil para aproximar trabalhadores qualificados de programas de recrutamento austríacos.

Na página da Internationale Fachkräfte-Offensive, atualizada em 6 de agosto de 2026, a WKÖ inclui Brasil, Albânia, Indonésia, Kosovo, México e Filipinas entre os países-foco. A entidade informa que 78% das empresas austríacas são afetadas pela falta de trabalhadores e profissionais qualificados, conforme o Arbeitskräfteradar de 2025, e projeta redução de quase 262 mil pessoas de 20 a 64 anos até 2040, com base na Statistik Austria.

A aproximação com brasileiros já chegou a eventos realizados no país. Entre 8 e 11 de junho de 2026, a ADVANTAGE AUSTRIA participou do Web Summit Rio, no Riocentro, com representantes da Work in Austria, ligada à Austrian Business Agency, e da iniciativa Your Future Made in Austria, da WKÖ. Em outra página do evento, a organização informou que especialistas atenderiam profissionais interessados em oportunidades de carreira, com destaque para brasileiros qualificados no setor de tecnologia.

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Construção, saúde e engenharia aparecem nas listas de 2026

A estratégia, porém, não se limita ao setor digital. A lista oficial de ocupações em escassez de 2026 reúne enfermeiros diplomados, assistentes de enfermagem, eletricistas, técnicos de engenharia, trabalhadores de concreto, pavimentadores e especialistas em infraestrutura, entre outras funções.

Na construção civil, a relação nacional inclui técnicos com formação avançada em engenharia civil, inclusive para direção e supervisão de obras, estruturas metálicas, estradas, infraestrutura e projetos BIM. Também aparecem pavimentadores e trabalhadores especializados em concreto. Na lista regional de 2026, pedreiros constam como ocupação em falta em Caríntia, Baixa Áustria, Salzburgo, Tirol e Vorarlberg, portanto a localização da vaga pode ser decisiva.

A engenharia aparece em diferentes níveis e especialidades. A relação nacional inclui engenheiros mecânicos diplomados, profissionais de engenharia elétrica e energia, técnicos de projetos e especialistas em automação e manutenção. Engenheiros civis diplomados figuram como ocupação regional em Caríntia, Alta Áustria, Salzburgo e Vorarlberg, o que restringe essa classificação aos estados austríacos indicados.

Na saúde, enfermeiros diplomados e assistentes de enfermagem de níveis 1 e 2 estão entre as profissões em escassez no país. A WKÖ também inclui enfermeiros diplomados entre as áreas prioritárias de sua ofensiva internacional, ao lado de eletricistas, profissionais de TI, mecânicos, pedreiros, carpinteiros e cozinheiros.

Oferta de emprego é exigida para o Red-White-Red Card

A existência de uma ocupação em escassez não autoriza automaticamente um brasileiro a morar ou trabalhar na Áustria. Para cidadãos de países terceiros, uma das vias disponíveis é o Red-White-Red Card para trabalhadores qualificados em ocupações em escassez.

Nessa modalidade, o candidato deve comprovar formação compatível com uma profissão incluída na regulamentação, apresentar uma oferta de emprego vinculante de uma empresa austríaca e alcançar pelo menos 55 pontos. A pontuação considera formação, experiência profissional, idiomas e idade; a remuneração também precisa respeitar o mínimo previsto por lei, regulamento ou convenção coletiva aplicável ao posto.

O Serviço Público de Emprego da Áustria (AMS) verifica a pontuação, a qualificação e a remuneração antes da emissão do título pela autoridade competente. Quando concedido nessa categoria, o Red-White-Red Card tem normalmente validade de 24 meses e, inicialmente, autoriza o trabalho para o empregador indicado no pedido.

Profissões regulamentadas exigem uma etapa adicional. O portal austríaco de imigração informa que o reconhecimento formal da qualificação é obrigatório nesses casos e cita todas as profissões da saúde entre os exemplos. Para a maioria das atividades não regulamentadas, a equivalência formal prévia com uma formação austríaca não é exigida; a qualificação é analisada com base nos documentos apresentados.

Brasil integra política dirigida de recrutamento

A inclusão do Brasil entre os mercados prioritários diferencia a iniciativa de uma abertura genérica a estrangeiros. A WKÖ afirma que sua ofensiva internacional concentra ações em países considerados compatíveis com as necessidades do mercado austríaco e busca facilitar a contratação de profissionais qualificados em ocupações com escassez.

A dificuldade das empresas para preencher postos continua alta, embora o indicador tenha recuado. Em 2024, o Arbeitskräfteradar da WKÖ, com participação de 2,8 mil empresas, registrou 82% de negócios afetados pela falta de mão de obra e profissionais qualificados. Na página atual da ofensiva internacional, a entidade cita 78% para o levantamento de 2025.

Para brasileiros, a estratégia oficial cria um canal de recrutamento direcionado, mas não elimina as regras migratórias. A contratação continua condicionada a uma vaga concreta, às exigências da ocupação, à pontuação mínima e, quando aplicável, ao reconhecimento profissional exigido pelas autoridades austríacas. O tema se relaciona a movimentos semelhantes já abordados pelo CPG sobre escassez de mão de obra e contratação de estrangeiros na Suíça e sobre vistos criados por países que buscam profissionais estrangeiros.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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