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Autoridades orientam famílias a manter comida, água, medicamentos, dinheiro vivo, rádio, lanterna e bateria externa suficientes para 72 horas caso apagões, acidentes ou ataques cibernéticos interrompam bancos, telecomunicações e serviços básicos

Autoridades orientam famílias a manter comida, água, medicamentos, dinheiro vivo, rádio, lanterna e bateria externa suficientes para 72 horas caso apagões, acidentes ou ataques cibernéticos interrompam bancos, telecomunicações e serviços básicos

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Autoridades orientam famílias a manter comida, água, medicamentos, dinheiro vivo, rádio, lanterna e bateria externa suficientes para 72 horas caso apagões, acidentes ou ataques cibernéticos interrompam bancos, telecomunicações e serviços básicos

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 25/08/2026 às 00:18

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Autoridades orientam famílias a manter comida, água, medicamentos, dinheiro vivo,

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Em 2024, o Ministério do Interior da Finlândia lançou, em parceria com diversas autoridades nacionais, um amplo guia de preparação para crises destinado à população. A orientação central é direta: cada residência deve conseguir funcionar de maneira relativamente independente durante pelo menos 72 horas, mantendo em casa água, comida, medicamentos essenciais, dinheiro vivo, rádio que funcione sem a rede elétrica, lanterna e uma bateria externa carregada.

A recomendação não foi criada apenas para desastres naturais, mas para situações capazes de interromper simultaneamente eletricidade, comunicações, serviços bancários e outras estruturas das quais a vida cotidiana passou a depender.

A lógica é preparar famílias para o intervalo entre o início de uma grande interrupção e o momento em que autoridades conseguem estabilizar os serviços e concentrar ajuda nas pessoas mais vulneráveis. Em uma falha elétrica prolongada, por exemplo, o governo alerta que pagamentos com cartão podem parar rapidamente, caixas eletrônicos deixam de fornecer dinheiro, redes móveis e internet podem desaparecer após algumas horas e até o abastecimento de água pode ser afetado. Em um ataque cibernético, a mesma cadeia pode atingir bancos e sistemas de pagamento mesmo sem um desastre físico visível nas ruas.

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A regra das 72 horas coloca parte da responsabilidade dentro de cada casa

A recomendação finlandesa parte de uma premissa operacional: nas primeiras horas de uma crise generalizada, serviços públicos precisam priorizar ocorrências críticas, infraestrutura e pessoas que não conseguem se manter sozinhas.

Por isso, as autoridades orientam que famílias disponham de recursos suficientes para três dias completos, ou 72 horas, sem depender imediatamente de supermercados, bancos ou fornecimento normal de serviços.

A reserva não precisa ser um depósito separado cheio de produtos que nunca serão usados. A própria orientação oficial recomenda manter alimentos e itens que já façam parte da rotina familiar, renovando os produtos normalmente.

O objetivo é ter margem de segurança sem incentivar compras exageradas ou estoques desnecessários.

Água é uma das primeiras preocupações e a conta chega a pelo menos 6 litros por pessoa

Eletricidade e água estão muito mais conectadas do que parecem. Bombas, sistemas de distribuição e tratamento dependem de energia. Em um apagão prolongado, a água pode desaparecer das torneiras imediatamente em algumas regiões ou ser interrompida posteriormente conforme sistemas deixam de funcionar.

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A orientação oficial é reservar aproximadamente 2 litros de água potável por pessoa por dia, durante pelo menos três dias.

Isso equivale a 6 litros exclusivamente para beber por pessoa na reserva mínima de 72 horas.

Uma família com quatro integrantes precisaria, portanto, de pelo menos 24 litros destinados apenas ao consumo humano, além da água necessária para preparo de alimentos, higiene e animais domésticos.

Comida precisa continuar utilizável mesmo quando fogão, geladeira e micro-ondas param

A reserva doméstica também precisa considerar uma situação em que simplesmente não exista eletricidade para cozinhar.

As autoridades recomendam alimentos que possam ser consumidos diretamente ou preparados de maneira simples e que suportem armazenamento sem depender permanentemente de refrigeração.

Esse detalhe muda completamente a lógica de um estoque emergencial.

Um congelador cheio de comida não resolve sozinho uma crise elétrica longa. Quanto mais o apagão se prolonga, maior o risco de perda de alimentos refrigerados.

Por isso, o plano das 72 horas tenta preservar um nível mínimo de autonomia mesmo quando equipamentos domésticos deixam de funcionar.

Dinheiro vivo volta a ganhar importância quando cartões deixam de funcionar

Talvez a recomendação mais surpreendente em uma sociedade altamente digitalizada seja manter uma pequena quantidade de dinheiro em espécie dentro de casa.

A Finlândia possui ampla utilização de pagamentos eletrônicos, mas as autoridades reconhecem que essa conveniência cria dependências tecnológicas.

Dinheiro vivo volta a ganhar importância quando cartões deixam de funcionar

O guia sobre interrupções de pagamentos é explícito: uma família deve possuir dinheiro suficiente para realizar as compras essenciais de alguns dias sem cartão de débito ou crédito.

A orientação não define um valor universal. O montante necessário depende do tamanho da família e de suas despesas.

O raciocínio é simplesmente impedir que uma falha digital transforme saldo bancário disponível em dinheiro temporariamente impossível de usar.

Em um apagão, cartões podem parar rapidamente e caixas eletrônicos também deixam de funcionar

A dependência da eletricidade torna o problema ainda mais amplo. Segundo o guia oficial finlandês para quedas de energia, pagamentos com cartão deixam de funcionar pouco depois do início de um apagão, enquanto caixas eletrônicos também deixam de disponibilizar dinheiro.

Isso cria uma janela delicada.

Uma pessoa pode ter recursos suficientes na conta bancária e, ao mesmo tempo, não conseguir comprar água ou comida porque o terminal da loja está desconectado e o caixa eletrônico próximo não funciona.

Mesmo o dinheiro físico possui limitações, porque estabelecimentos comerciais podem fechar durante falhas prolongadas. A reserva doméstica continua sendo, portanto, a primeira camada de proteção.

Ataques cibernéticos podem produzir um apagão financeiro sem destruir um único banco

A ameaça não precisa começar na rede elétrica. As autoridades finlandesas reconhecem que ataques cibernéticos podem interromper sistemas necessários ao funcionamento dos pagamentos, telecomunicações e serviços bancários.

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Uma falha dessa natureza pode impedir que o consumidor pague com cartão, acesse o internet banking, abra o aplicativo do banco ou utilize serviços de identificação eletrônica.

O problema pode ser provocado por diferentes pontos da cadeia.

A falha pode estar nos sistemas do próprio banco, nas conexões entre instituições, nas telecomunicações utilizadas para transmitir as operações ou na eletricidade que mantém toda a infraestrutura funcionando.

O guia cita explicitamente ataques cibernéticos entre os eventos capazes de provocar perturbações sérias nas conexões necessárias aos pagamentos.

Governo recomenda até cartões vinculados a bancos diferentes

A preparação financeira não termina no dinheiro vivo. As autoridades também recomendam que cidadãos considerem manter contas e cartões de dois bancos diferentes, criando uma alternativa caso o problema esteja concentrado em uma instituição específica.

A ideia segue a mesma lógica utilizada em sistemas críticos: evitar um único ponto de falha. Se um aplicativo, banco ou meio de identificação estiver indisponível, outro sistema pode continuar operando.

Esse tipo de redundância é importante justamente porque uma crise digital não necessariamente paralisa toda a infraestrutura ao mesmo tempo.

Rádio a pilha volta a ser estratégico quando o celular perde a conexão

Outro objeto que parece pertencer a uma época anterior à internet aparece no centro das recomendações: o rádio.

O governo pede que residências tenham um aparelho alimentado por pilhas ou que consiga funcionar sem estar conectado à rede elétrica.

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A razão aparece no cenário de apagão prolongado.

As autoridades alertam que internet e redes móveis podem deixar de operar poucas horas depois do início de uma interrupção elétrica extensa. Nesse momento, mensagens instantâneas, redes sociais, páginas de notícias e aplicativos governamentais podem se tornar inacessíveis.

O rádio permanece como uma das formas de transmitir avisos oficiais quando os meios digitais falham.

Power bank carregada pode prolongar por horas o acesso a informações

A bateria externa também passou a fazer parte do kit básico. Enquanto houver alguma rede móvel funcionando, manter o telefone carregado permite acompanhar orientações oficiais, receber mensagens de emergência e tentar se comunicar com familiares.

A recomendação é possuir uma fonte de energia de reserva carregada para os dispositivos considerados essenciais.

Isso não transforma o celular em solução permanente.

Se torres e sistemas de telecomunicações perderem energia, um smartphone com bateria cheia continuará incapaz de acessar a rede.

Mas pode ampliar significativamente o tempo de comunicação durante as primeiras etapas de uma emergência.

Lanterna substitui iluminação doméstica e reduz risco de acidentes

Outro item simples ganha importância rapidamente quando a eletricidade desaparece: a lanterna. As autoridades recomendam iluminação alimentada por bateria e pilhas de reposição.

A preocupação não é apenas conforto.

Uma residência escura aumenta o risco de quedas, queimaduras e outros acidentes justamente em um momento em que serviços de emergência podem estar sobrecarregados.

Velas também podem ser usadas, mas o governo chama atenção para o risco de incêndio e recomenda cuidado especial.

Medicamentos não podem depender da abertura imediata de farmácias

Famílias também são orientadas a manter uma quantidade adequada de medicamentos essenciais. O princípio das 72 horas é especialmente importante para pessoas que utilizam remédios regularmente. Em uma crise, deslocamento pode ficar mais difícil e lojas, farmácias ou transportes podem operar de maneira limitada.

A recomendação não é acumular medicamentos de forma indiscriminada.

A ideia é evitar que uma interrupção de poucos dias provoque uma segunda emergência dentro de casa simplesmente porque o medicamento diário acabou no mesmo momento em que os serviços foram interrompidos.

Até fita adesiva aparece na lista de preparação

O kit finlandês possui ainda um item aparentemente banal: fita adesiva resistente. Ela pode ser usada, por exemplo, para vedar janelas e aberturas quando autoridades determinarem que moradores permaneçam dentro de casa devido à presença de fumaça, substâncias perigosas ou outros contaminantes externos.

Também aparecem produtos de higiene que permitam manter condições básicas mesmo com pouco acesso à água.

A lista mostra que preparação doméstica não significa apenas comida e energia.

É uma tentativa de imaginar como uma casa funcionaria quando vários serviços cotidianos falhassem ao mesmo tempo.

As 72 horas dão tempo para autoridades estabilizarem a situação

O prazo de três dias não foi escolhido porque todo problema necessariamente estará resolvido depois desse período.

A explicação oficial é que 72 horas oferecem às autoridades tempo para agir, controlar parte da situação e direcionar ajuda aos grupos mais vulneráveis.

Quem consegue se manter autonomamente reduz a pressão sobre a resposta pública nas primeiras horas.

O guia inclusive afirma que possuir reservas para períodos superiores pode ser útil quando as condições pessoais permitem.

As 72 horas funcionam como um patamar mínimo, não como prazo máximo de uma crise.

Uma sociedade digital precisa estar preparada também para funcionar temporariamente sem o digital

O aspecto mais interessante da estratégia finlandesa está justamente no contraste. Quanto mais serviços migram para celulares, cartões, aplicativos bancários, redes móveis e identificação eletrônica, maior se torna a eficiência cotidiana. Mas também cresce a dependência de uma infraestrutura que precisa permanecer funcionando continuamente.

É por isso que dinheiro vivo, rádio, lanterna, água engarrafada e alimentos simples reaparecem em uma das sociedades mais digitalizadas da Europa.

Eles funcionam como sistemas de reserva. Durante a normalidade, quase não são percebidos. Durante uma falha generalizada, podem assumir funções que os equipamentos mais sofisticados deixam temporariamente de cumprir.

A orientação das autoridades não pede que famílias abandonem cartões, internet ou bancos digitais. Faz justamente o contrário: reconhece a importância dessas tecnologias e recomenda uma camada física de segurança para o momento em que elas não estiverem disponíveis.

Por pelo menos 72 horas, cada residência deveria conseguir atravessar o início da crise com água, comida, medicamentos, algum dinheiro, informação pelo rádio, iluminação independente da tomada e energia suficiente para manter dispositivos importantes ativos enquanto for possível.

Em um mundo no qual uma interrupção elétrica ou digital pode atingir bancos, supermercados, telecomunicações e abastecimento praticamente ao mesmo tempo, a mensagem é simples: a primeira infraestrutura de emergência pode começar dentro da própria casa.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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