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Auxiliar de serviços gerais que saiu da Baixada Maranhense para trabalhar na UFMA retomou os estudos com incentivo de professores, formou-se em Química, concluiu um doutorado e virou professor do IEMA, onde uma aluna medalhista de ouro fez questão de agradecê-lo
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 03/08/2026 às 21:03
Atualizado em 03/08/2026 às 21:04
Curiosidades
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Trajetória iniciada em uma função de apoio dentro de uma universidade pública atravessou graduação, pesquisa científica e sala de aula, até alcançar um doutorado e o reconhecimento de uma estudante premiada em competição nacional de Ciências, revelando uma transformação profissional construída por meio da educação.
Natural de São Bento, na Baixada Maranhense, Marcos Bispo Pinheiro Câmara deixou o município em busca de oportunidades em São Luís e começou a trabalhar na Universidade Federal do Maranhão, a UFMA, exercendo a função de auxiliar de serviços gerais.
Décadas depois daquele início profissional, o trabalhador que chegou ao campus para desempenhar atividades de apoio já havia concluído a graduação em Química, avançado até o doutorado e assumido a formação de estudantes da rede pública estadual.
A mudança entre as duas funções foi construída gradualmente, enquanto Marcos conciliava a rotina de trabalho com a decisão de retomar os estudos e aproveitar as oportunidades educacionais existentes no ambiente universitário onde atuava diariamente.
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Ao receber incentivo de colegas e professores, ele seguiu uma formação acadêmica que o levou das atividades de serviços gerais às salas de aula e aos laboratórios ligados à Química, área que se tornaria o centro de sua atuação profissional.
De auxiliar de serviços gerais à graduação em Química
Conforme relatado pelo site Jailson Mendes, a partir de uma homenagem divulgada pelo Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, Marcos deixou a cidade natal para procurar trabalho e melhores condições de vida na capital maranhense.
Já inserido na UFMA como auxiliar de serviços gerais, manteve o interesse pela educação e encontrou estímulo entre pessoas que acompanhavam sua rotina, preservando o objetivo de ampliar a escolaridade apesar das dificuldades encontradas ao longo do percurso.
O espaço que inicialmente representava apenas uma oportunidade de emprego também passou a integrar diretamente sua formação acadêmica, transformando a universidade em cenário de trabalho, estudo, pesquisa e mudança profissional.
Com o apoio recebido e a continuidade dos estudos, Marcos ingressou no ensino superior, concluiu a graduação em Química e conquistou a qualificação necessária para atuar no magistério em uma instituição pública dedicada à educação científica e tecnológica.
A nova etapa profissional começou no Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, o IEMA, onde passou a lecionar Química e a participar diretamente da formação de jovens matriculados na rede pública estadual.
Em vez de permanecer somente nas atividades de manutenção do espaço universitário, o antigo auxiliar de serviços gerais assumiu a responsabilidade de ensinar conteúdos científicos, acompanhar estudantes e contribuir para iniciativas educacionais relacionadas à disciplina em que se formou.
Doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia
Mesmo após conquistar a graduação e ingressar no magistério, Marcos deu continuidade à formação acadêmica e avançou para uma etapa de pesquisa científica desenvolvida dentro da Universidade Federal do Maranhão.
No Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede BIONORTE, desenvolvido na UFMA, apresentou uma tese como requisito para obter o título de doutor, acrescentando a pesquisa avançada ao percurso iniciado em uma função operacional.
Concluído em São Luís e registrado em 2023, o trabalho investigou o óleo essencial da espécie Pectis brevipedunculata, planta popularmente chamada de chá-de-moça e alecrim-do-campo em diferentes regiões onde ocorre naturalmente.
Entre os pontos analisados estavam as variações sazonais e diárias da planta, o desenvolvimento de uma microemulsão e o potencial da formulação contra organismos que afetam animais, incluindo o carrapato Rhipicephalus microplus e o parasita Haemonchus contortus.
Apresentada como etapa final do doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia, a pesquisa foi orientada pela professora Claudia Quintino da Rocha e avaliada por especialistas ligados a diferentes instituições de ensino superior brasileiras.
A banca contou com pesquisadores vinculados à UFMA, à Universidade Estadual do Maranhão, à Universidade Ceuma e à Universidade Federal do Pará, enquanto o documento também relacionou o estudo às atividades acadêmicas em Química de Produtos Naturais.
Pesquisa científica e desenvolvimento de tecnologia
Além de registrar a obtenção do título de doutor, a tese documenta a participação de Marcos na produção científica relacionada ao aproveitamento de compostos naturais e à busca por aplicações capazes de contribuir para o controle de parasitas.
O estudo descreve uma formulação produzida a partir do óleo essencial pesquisado e associa o autor a uma tecnologia direcionada ao controle de carrapatos, depositada em nome da Universidade Federal do Maranhão durante o desenvolvimento acadêmico.
Dentro da mesma instituição, a trajetória de Marcos passou a reunir duas posições profissionais bastante diferentes, separadas por anos de estudo, formação superior, trabalho docente e dedicação à pesquisa científica.
Se inicialmente apareceu no campus como auxiliar de serviços gerais, mais tarde seu nome foi registrado como autor de uma tese de doutorado, pesquisador do Departamento de Química e participante do desenvolvimento de uma formulação biotecnológica.
Essa passagem pela UFMA não se limitou à troca de ocupação, pois envolveu ingresso no ensino superior, aprofundamento acadêmico e participação em estudos técnicos relacionados a produtos naturais e possíveis aplicações na área de saúde animal.
Ao mesmo tempo em que ampliava sua atuação como pesquisador, Marcos mantinha o vínculo com a educação básica no IEMA, onde o ensino de Química aproximava o conhecimento científico da rotina de estudantes da rede estadual.
Aluna medalhista agradeceu ao professor de Química
O trabalho realizado em sala de aula ganhou um registro público quando Evellyn Silva Nascimento, estudante da Unidade Plena de Axixá, conquistou medalha de ouro na Olimpíada Nacional de Ciências e comentou os fatores ligados ao resultado.
Ao agradecer pelo desempenho alcançado na competição, a aluna mencionou de maneira especial o professor de Química Marcos Bispo, incluindo o antigo auxiliar de serviços gerais entre os educadores que contribuíram para sua formação.
A premiação ocorreu na edição de 2020 da olimpíada, voltada a estudantes do ensino fundamental, médio, técnico e da Educação de Jovens e Adultos, com provas relacionadas a diferentes áreas do conhecimento científico.
Ao comentar a conquista, Evellyn atribuiu o resultado ao esforço pessoal, ao apoio recebido da família e ao trabalho desenvolvido pelos professores da unidade, destacando nominalmente Marcos entre os docentes presentes em sua trajetória escolar.
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Um post compartilhado por Jailson Mendes da Baixada (@jailsonmendesdabaixada)
O agradecimento conecta dois momentos distintos da história do professor, aproximando o trabalhador que precisou retomar os estudos depois de sair do interior maranhense do educador reconhecido por uma estudante premiada nacionalmente.
De um lado está o jovem que encontrou uma oportunidade profissional em serviços gerais; do outro, surge o docente de Química associado ao aprendizado de uma aluna que alcançou o primeiro lugar em uma competição científica.
Trajetória construída dentro da educação pública
Diferentes etapas da educação pública aparecem ao longo do percurso, desde o primeiro emprego na universidade até a formação de estudantes em uma instituição estadual de ensino científico e tecnológico.
Na UFMA, Marcos encontrou inicialmente uma colocação profissional e, mais tarde, concluiu a etapa de doutorado, enquanto a graduação em Química abriu o caminho necessário para a entrada no magistério público.
Já no IEMA, passou a ensinar a disciplina, acompanhar a formação dos alunos e participar de um ambiente educacional no qual olimpíadas, projetos científicos e atividades práticas integram o desenvolvimento acadêmico dos estudantes.
Apresentada em uma homenagem institucional dedicada ao magistério, a trajetória destacou a saída de São Bento, o trabalho de apoio na universidade, a retomada dos estudos e a chegada à sala de aula.
A repercussão preservou o contraste entre a ocupação inicial e a carreira construída posteriormente, sem separar o avanço acadêmico do papel exercido pelas oportunidades de estudo encontradas dentro das instituições públicas.
Nos registros universitários, o nome de Marcos aparece relacionado à pesquisa em produtos naturais e ao desenvolvimento de uma formulação biotecnológica, enquanto sua atuação na educação básica recebeu reconhecimento por meio da fala de uma estudante premiada.
Quantos trabalhadores que hoje ocupam funções de apoio em escolas e universidades também poderiam alcançar a graduação, a pesquisa científica e a sala de aula caso encontrassem oportunidades semelhantes de formação e incentivo?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

