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Avião de US$ 3 bilhões e com formato de “arraia” promete gastar até 50% menos combustível, levar 250 passageiros e troca janelas tradicionais por telas
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 15/08/2026 às 09:24
Atualizado em 15/08/2026 às 09:42
Ciência e Tecnologia
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Avião Z4 da JetZero terá corpo integrado às asas, capacidade para 250 passageiros e promessa de consumir até 50% menos combustível.
Um avião com aparência comparada à de uma arraia está sendo desenvolvido nos Estados Unidos com a promessa de mudar uma configuração adotada pela aviação comercial há décadas. Chamado Z4, o projeto da JetZero integra a região central da aeronave às asas e, segundo a fabricante, poderá consumir entre 30% e 50% menos combustível do que modelos como o Boeing 787, além de transportar aproximadamente 250 passageiros.
A empresa da Califórnia pretende colocar um protótipo em escala real no ar em 2027 e mira o início da operação comercial para os primeiros anos da década de 2030. Em julho, a JetZero anunciou um acordo de US$ 3 bilhões com o governo norte-americano para financiar uma fábrica na Carolina do Norte destinada a acelerar o desenvolvimento e a futura produção da aeronave.
Avião abandona configuração tradicional de fuselagem e asas
A grande mudança está no próprio formato. Em vez de uma fuselagem tubular claramente separada das asas, o Z4 utiliza uma estrutura integrada, fazendo com que uma área maior do corpo do avião participe da sustentação durante o voo.
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A JetZero afirma que essa geometria melhora a eficiência aerodinâmica e reduz a quantidade de combustível necessária para percorrer grandes distâncias. Caso a promessa se confirme na operação comercial, essa economia poderá se tornar um dos principais argumentos para companhias aéreas interessadas em diminuir custos.
O projeto prevê alcance máximo de aproximadamente 5.000 milhas náuticas, equivalente a cerca de 9.200 km. Como referência apresentada para o projeto, esse número seria suficiente para cobrir uma distância superior à existente entre São Paulo e Madri, estimada em aproximadamente 8.400 km.
Passageiros não terão janelas ao lado dos assentos
A configuração interna também foge do padrão atual. Cerca de 250 passageiros seriam distribuídos por seis seções da cabine, e cada assento teria acesso a um compartimento próprio para bagagem.
As tradicionais janelas laterais, porém, não fazem parte do projeto. No lugar delas, telas conectadas a câmeras de alta definição deverão mostrar imagens externas durante o voo, enquanto duas claraboias próximas às primeiras fileiras permitirão a entrada de iluminação natural.
Entre as principais características previstas para o Z4 estão:
- capacidade para aproximadamente 250 passageiros;
- alcance de cerca de 9.200 km;
- cabine dividida em seis seções;
- telas internas no lugar de janelas convencionais;
- compartimento de bagagem associado a cada assento;
- redução projetada de 30% a 50% no consumo de combustível.
Formato diferente também cria dúvidas
A mesma arquitetura que promete ganhos aerodinâmicos apresenta desafios para a experiência dos passageiros. Segundo o Wall Street Journal, críticos apontam que pessoas sentadas em regiões mais afastadas do centro poderão sentir com maior intensidade determinados movimentos durante curvas.
A ausência de janelas tradicionais também levanta dúvidas sobre desconforto e enjoo. Outro ponto discutido é o embarque e desembarque, já que as portas deverão ocupar posições diferentes daquelas encontradas em aeronaves convencionais.
Essa alteração pode exigir adaptações em aeroportos concebidos para receber aviões com fuselagem tubular. Portanto, o sucesso do Z4 dependerá não apenas do desempenho em voo, mas também da possibilidade de integrá-lo à infraestrutura aeroportuária existente.
JetZero pretende acelerar certificação usando componentes conhecidos
Para diminuir o tempo necessário até a entrada em serviço, a JetZero pretende utilizar componentes já empregados em outros aviões e previamente aprovados pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA).
De acordo com o Wall Street Journal, a estratégia permitiria concentrar parte do desenvolvimento e da certificação nos elementos realmente inéditos da aeronave, em vez de começar do zero em todos os sistemas.
O primeiro teste de um protótipo em tamanho real, previsto para 2027, será uma etapa importante para demonstrar se a eficiência calculada no projeto poderá ser reproduzida em condições reais.
United planeja comprar até 200 unidades
O Z4 já chamou a atenção de algumas das maiores companhias aéreas dos Estados Unidos. A JetZero possui acordos com empresas do setor, e a United Airlines planeja adquirir até 200 unidades do avião.
Delta e Alaska Airlines também aparecem entre as empresas que apoiam o desenvolvimento da nova plataforma. Esse interesse ocorre anos antes da previsão de estreia comercial, mostrando que o setor acompanha com atenção alternativas ao formato tradicional.
A fábrica planejada na Carolina do Norte será decisiva caso o projeto avance para produção em série. Até lá, o Z4 ainda precisará demonstrar em voo que sua aparência incomum pode entregar aquilo que sustenta seu desenvolvimento: transportar centenas de passageiros por longas distâncias consumindo significativamente menos combustível.
Fonte
G1
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

