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Avós que imaginavam ter encerrado a criação dos filhos precisaram assumir os netos, não encontraram moradias adequadas e ganharam em Phoenix um condomínio exclusivo com 56 apartamentos e apoio social
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 14/08/2026 às 22:24
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Avós que imaginavam ter encerrado a criação dos filhos precisaram recomeçar quando assumiram legalmente os netos. Muitos tinham renda limitada, moravam em espaços pequenos e descobriram que os residenciais tradicionais para idosos não estavam preparados para receber crianças.
A resposta criada em Phoenix, no estado norte americano do Arizona, foi o Grandfamilies Place, condomínio exclusivo para esse tipo de família. O conjunto reúne 56 apartamentos maiores, distribuídos em dois edifícios, além de apoio social dentro do próprio residencial.
A documentação foi publicada pelo Arizona Department of Housing, órgão estadual responsável pelas políticas públicas de habitação. O projeto atende famílias de menor renda nas quais avós ou outros parentes mais velhos se tornaram responsáveis pelas crianças.
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Quem são os avós que precisaram começar outra vez
O termo grandfamilies identifica famílias nas quais avós, bisavós ou outros parentes assumem a criação de uma criança. Isso acontece quando os pais biológicos não conseguem continuar exercendo essa responsabilidade.
A mudança pode ocorrer sem planejamento. De uma hora para outra, o parente mais velho precisa reorganizar renda, alimentação, horários, transporte e cuidados escolares para acomodar mais uma pessoa em casa.
No Grandfamilies Place, os responsáveis precisam ter a custódia legal das crianças. Essa exigência diferencia o residencial das comunidades destinadas a famílias adotivas, pois o adulto responsável já pertence ao núcleo familiar do menor.
Residenciais para idosos nem sempre permitem crianças
Muitos condomínios voltados a idosos possuem regras de idade e restringem a permanência de crianças. Um avô que recebe a guarda do neto pode, portanto, descobrir que sua moradia deixou de ser compatível com a nova família.
Apartamentos pequenos criam outro problema. Uma unidade preparada para uma ou duas pessoas pode não ter quartos suficientes para crianças, materiais escolares e os objetos necessários à nova rotina.
A presença dos netos também pode entrar em conflito com contratos de aluguel e limites de ocupação. Nesse caso, o avô precisa escolher entre procurar outra casa rapidamente ou enfrentar o risco de perder a moradia existente.
Condomínio exclusivo com melhores condições de aluguel
O Grandfamilies Place foi construído especificamente para famílias formadas por parentes mais velhos e crianças. A exclusividade está relacionada ao perfil dos moradores e às regras de renda.
Os residentes não receberam a propriedade dos apartamentos. O empreendimento criou moradias de aluguel acessível, com unidades adequadas para famílias maiores e financiamento ligado a programas habitacionais.
O projeto não distribuiu apartamentos gratuitamente, mas abriu uma opção que dificilmente existia no mercado tradicional para avós com renda limitada e responsabilidade legal pelos netos.
Os 56 apartamentos foram divididos entre dois e três quartos
O conjunto possui 44 apartamentos de dois quartos e 12 apartamentos de três quartos, completando as 56 unidades. A distribuição permite acomodar famílias com diferentes números de crianças.
As moradias estão divididas em dois edifícios de três andares. Em vez de concentrar o projeto em apartamentos pequenos para idosos, a arquitetura reservou espaço para camas, roupas, materiais escolares e convivência familiar.
Quartos adicionais também reduzem improvisações dentro da casa. A sala pode continuar sendo usada pela família, enquanto as crianças ganham um ambiente mais adequado para dormir e estudar.
O projeto foi concluído em Phoenix em 2012. A proposta transformou a necessidade de espaço em uma característica central da construção, e não em uma adaptação feita depois da chegada dos moradores.
Painéis estruturais isolados foram usados na construção
As paredes dos edifícios utilizaram painéis estruturais isolados. Esses componentes combinam a parte que sustenta a construção com o material responsável por dificultar a entrada do calor externo.
Em linguagem simples, o mesmo painel cumpre mais de uma função. Ele ajuda a formar as paredes e também melhora o isolamento do apartamento, reduzindo etapas separadas durante a construção.
Essa escolha possui importância especial em Phoenix, cidade conhecida pelo clima quente. Uma barreira térmica mais eficiente pode tornar os ambientes internos mais confortáveis e ajudar famílias de baixa renda a controlar os gastos relacionados ao imóvel.
Créditos fiscais financiaram parte do condomínio
O desenvolvimento teve custo total de US$ 11,5 milhões. O financiamento reuniu créditos fiscais voltados à habitação de baixa renda e outros recursos destinados à construção do conjunto.
O Arizona Department of Housing, órgão estadual responsável pelo financiamento habitacional, registrou os dados econômicos do projeto.
Os créditos fiscais funcionam como incentivo para direcionar investimento à construção de moradias acessíveis. Em troca do benefício tributário, recursos privados ajudam a financiar imóveis que precisam atender famílias dentro de determinados limites de renda.
O condomínio mantém uma coordenação de serviços sociais no próprio endereço. O atendimento auxilia os parentes responsáveis a encontrar suporte para necessidades que envolvem tanto os adultos quanto as crianças.
Essa estrutura reconhece que receber um apartamento não resolve sozinho todos os desafios. Muitos avós precisam lidar com uma nova rotina familiar, despesas adicionais e crianças que podem ter vivido situações difíceis antes de chegar à nova casa.
O residencial não funciona como hospital ou instituição de acolhimento. Ele combina moradia acessível com orientação social, permitindo que os moradores busquem ajuda sem precisar enfrentar todo o processo isoladamente.
Uma moradia pensada para evitar outra separação
Quando avós assumem os netos, a falta de espaço pode colocar a estabilidade da família em risco. O Grandfamilies Place responde a esse problema com apartamentos maiores, aluguel acessível e apoio social próximo.
Os 56 apartamentos mostram que uma política habitacional pode considerar não apenas a renda e a idade dos moradores, mas também a composição real da família. Nesse caso, a arquitetura ajuda parentes a permanecer juntos durante uma mudança difícil.
Se uma casa pode decidir se uma criança permanecerá com os próprios parentes, cidades brasileiras deveriam criar moradias específicas para avós que assumem a criação dos netos?
Fonte
Housing
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

