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Bactéria que pode salvar o trigo de uma doença perigosa vira alvo de estudo de cientistas argentinos após degradar toxina produzida por Fusarium e reverter danos em plântulas de cevada
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 17/08/2026 às 19:35
Atualizado em 17/08/2026 às 19:54
Ciência e Tecnologia
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Pesquisadores da FAUBA e do CONICET estudam bactéria capaz de degradar ácido fusárico, substância tóxica produzida por Fusarium, após testes mostrarem reversão de danos em plântulas de cevada expostas ao composto durante experimentos controlados laboratoriais
Pesquisadores da Argentina estudam a Burkholderia ambifaria T16, bactéria capaz de degradar o ácido fusárico, substância tóxica produzida por espécies de Fusarium. Em experimentos com plântulas de cevada, o mecanismo reverteu efeitos tóxicos e permitiu a retomada do desenvolvimento normal, embora ainda não represente um tratamento comercial contra a fusariose do trigo.
Burkholderia ambifaria T16 consegue usar ácido fusárico como fonte de energia
A pesquisa é conduzida no Instituto de Pesquisas em Biociências Agrícolas e Ambientais, o INBA, ligado à Faculdade de Agronomia da Universidade de Buenos Aires, a FAUBA, e ao CONICET.
A equipe estuda há vários anos as relações entre microrganismos e espécies do gênero Fusarium. Nesse trabalho, uma característica da Burkholderia ambifaria T16 chamou a atenção dos cientistas.
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A cepa, originalmente isolada da rizosfera de plantas de cevada, consegue utilizar o ácido fusárico como fonte de carbono, nitrogênio e energia. Durante esse processo, a substância é degradada pela bactéria.
A rizosfera corresponde à parte do solo diretamente influenciada pelas raízes das plantas e reúne uma grande quantidade de microrganismos.
Posteriormente, os pesquisadores identificaram genes, enzimas e vias metabólicas relacionados a esse processo natural de desintoxicação.
Experimento com cevada reverteu efeito tóxico
Para verificar se o mecanismo poderia gerar um benefício direto à planta, os pesquisadores fizeram experimentos com plântulas de cevada expostas ao ácido fusárico.
Inicialmente, a substância prejudicou o crescimento das plantas. Quando a capacidade de degradação da bactéria entrou em ação, porém, os efeitos foram revertidos e as plântulas voltaram a apresentar desenvolvimento normal.
O resultado fornece evidências iniciais do potencial desse mecanismo biológico. Entretanto, o experimento não significa que já exista um novo produto disponível para agricultores.
Também não demonstra que a bactéria controle atualmente a fusariose da espiga no trigo. O trabalho analisado está concentrado especificamente na degradação do ácido fusárico.
Fusariose do trigo já provocou perdas de até 70% na Argentina
A pesquisa ganha relevância diante dos impactos associados ao gênero Fusarium. Algumas de suas espécies podem atacar diferentes culturas e produzir micotoxinas capazes de comprometer a qualidade e a segurança dos grãos.
No trigo, uma das principais doenças relacionadas a esses fungos é a fusariose da espiga, conhecida também como “espiga branca”. Na Argentina, o principal agente causador é o Fusarium graminearum.
A fase de floração representa um período especialmente sensível. Chuvas, umidade elevada e temperaturas favoráveis podem aumentar o risco de infecção e tornar temporadas chuvosas períodos de maior atenção.
Segundo registros do INTA citados no material, a Argentina enfrentou 17 epidemias de fusariose entre 1960 e 2012. Em episódios graves, as perdas de produtividade chegaram a até 70%.
Além das perdas no campo, determinadas cepas de Fusarium graminearum podem produzir desoxinivalenol, conhecido como DON, uma das micotoxinas associadas ao problema.
Pesquisa ainda não representa solução comercial para o trigo
A descoberta envolvendo a Burkholderia ambifaria T16 se insere no avanço dos bioinsumos, que utilizam bactérias, fungos benéficos e outros microrganismos em estratégias relacionadas à nutrição, crescimento e proteção das plantas.
Essas ferramentas podem incluir inoculantes, biofertilizantes, bioestimulantes e agentes de controle biológico, complementando mecanismos já usados no manejo agrícola.
No caso da bactéria argentina, porém, a etapa atual é de pesquisa. Os resultados demonstram sua capacidade de degradar ácido fusárico e proteger plântulas de cevada contra os efeitos dessa substância nas condições experimentais descritas.
Eles não demonstram, até o momento, controle da fusariose causada por Fusarium graminearum no trigo nem indicam a existência de um produto comercial baseado nesse mecanismo.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Faculdade de Agronomia da Universidade de Buenos Aires (FAUBA), do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET) e do INTA, com dados, números e resultados preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.tempo.com/not
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

