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Bairro de São Paulo foi construído dentro de uma cratera de 3,6 quilômetros formada pela queda de um asteroide, abriga moradores e até uma penitenciária e agora cientistas da USP encontraram provas microscópicas do impacto no subsolo
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 11/08/2026 às 12:15
Atualizado em 11/08/2026 às 12:16
Ciência e Tecnologia
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Estudo da USP confirma que a cratera de Colônia, em São Paulo, abriga um bairro e guarda marcas microscópicas do impacto de um asteroide.
Uma cicatriz cósmica oculta sob a maior metrópole do país acaba de ter sua origem definitivamente comprovada. No extremo sul de São Paulo, a cratera de Colônia — uma depressão circular com aproximadamente 3,6 quilômetros de diâmetro situada no distrito de Parelheiros — guarda em seu subsolo evidências irrefutáveis de que um asteroide colidiu violentamente contra a Terra em um passado remoto, conforme revelou um estudo publicado em março de 2026 na revista científica Earth and Planetary Science por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Ambientais.
O que torna essa formação geológica ainda mais impressionante é o fato de abrigar vida urbana em seu interior.
A área é ocupada pelo bairro de Vargem Grande, além de abrigar a Penitenciária Joaquim Fonseca Lopes e carregar resquícios históricos de nomes herdados de antigas colônias imperiais e do período da Segunda Guerra Mundial.
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Com o tombamento pelo Condephaat em 2003 e a declaração de Monumento Geológico em 2009, a região integra o seleto grupo de apenas duas crateras de impacto habitadas no mundo inteiro, dividindo o feito internacional com a Cratera de Ries, na Alemanha.
Vida urbana em uma depressão espacial e o orgulho dos moradores
A convivência dos residentes com essa singularidade geográfica gerou uma forte identidade comunitária ao longo das décadas. Famílias inteiras fincaram raízes na paisagem de ruas inclinadas e áreas verdes a partir da década de 1980.
Moradores antigos acompanharam de perto essa transformação urbana, como destaca o relato do artista visual Ozéias de Freitas Ramos, morador da região desde a infância:
“Minha família foi uma das primeiras a vir para cá. Acompanhei todo o desenvolvimento do bairro, pois são mais de 30 anos de Vargem Grande”.
Para a comunidade local, a revelação científica transformou a história geológica em um motivo genuíno de orgulho, apesar dos desafios cotidianos ligados à infraestrutura e à conservação ambiental.
Oito crateras de impacto já foram identificadas no Brasil; uma fica em área urbana
Marcas deixadas por colisões de corpos celestes com a Terra podem permanecer preservadas por milhões de anos. No Brasil, oito estruturas são oficialmente reconhecidas como crateras ou estruturas de impacto, segundo o Earth Impact Database, que reúne 190 ocorrências confirmadas em todo o mundo.
As formações brasileiras estão espalhadas por diferentes regiões do país: Cerro do Jarau (RS), Vargeão Dome (SC), Vista Alegre (PR), Colônia (SP), Araguainha (MT), Santa Marta (PI), Serra da Cangalha (MA) e Riachão Ring (MA).
A análise microscópica e as provas do impacto do asteroide
Para desvendar a verdadeira natureza da cratera, a equipe científica examinou amostras de rocha obtidas durante três sondagens realizadas originalmente pela Sabesp com o objetivo de encontrar água para a comunidade por meio de um poço artesiano.
A partir do material coletado em diferentes profundidades, os pesquisadores prepararam 200 lâminas delgadas e isolaram 40 grãos de zircão com mais de 50 micrômetros.
O zircão revelou-se fundamental devido à sua extrema resistência, capacidade única de preservar dados sobre eventos catastróficos e resistir ao intemperismo ao longo dos milênios.
O impacto de um asteroide gera uma liberação colossal de energia e ondas de choque que alteram permanentemente a estrutura dos minerais, fenômeno conhecido como metamorfismo de choque.
Dentre as marcas microscópicas descobertas nos cristais analisados, destacam-se:
- Feições planares de deformação (PDFs), consideradas assinaturas clássicas de colisões extraterrestres;
- Processos de recristalização e desorientação cristalográfica;
- Perturbações nas zonas de crescimento e texturas granulares;
- Texturas metamíticas e fenômenos de extinção ondulante.
De acordo com o docente Victor Velázquez Fernandez, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e autor do estudo, tais evidências comprovam que a cratera não surgiu de processos tectônicos comuns, mas sim de um evento cósmico extremo cujas marcas seguem preservadas sob os pés de milhares de paulistanos.
Fonte
Olhar Digital
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

