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Bittar diz que “deu” cinco meses de Senado a Velloso, e deputado rebate: “É preciso pagar para ter uma cadeira?”

A disputa pelo Senado no Acre ganhou um novo capítulo de tensão entre antigos aliados. O senador Márcio Bittar (PL), que busca a reeleição em 2026, voltou a mencionar a passagem do deputado federal Eduardo Velloso pelo Senado e afirmou que teria cedido ao então primeiro suplente cerca de cinco meses de mandato sem receber qualquer contrapartida financeira.

A declaração provocou reação de Velloso, hoje candidato ao Senado pelo Solidariedade. O deputado questionou a afirmação e ironizou a ideia de que alguém teria de “pagar” para ocupar uma cadeira no Senado.

Velloso foi primeiro suplente de Bittar nas eleições de 2018 e assumiu o mandato no Senado em 31 de maio de 2022, durante o afastamento do titular. Registros da época mostram que a previsão inicial era de 120 dias de exercício, período em que o médico passou a atuar como senador pelo Acre.

A experiência acabou sendo politicamente importante para Velloso. Depois de exercer o mandato no Senado, ele disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e foi eleito em 2022, iniciando o mandato de deputado federal em 2023.

Agora, porém, a relação entre os dois políticos mudou. Bittar disputa novamente uma das duas vagas ao Senado pelo PL, enquanto Velloso decidiu entrar na mesma corrida pelo Solidariedade. Com vários nomes competitivos no páreo, a candidatura de Velloso pode representar uma disputa direta por votos no mesmo campo político de Bittar.

Velloso questiona declaração

Ao rebater Bittar, Velloso argumenta que sua passagem pelo Senado não pode ser tratada como uma espécie de favor pessoal ou moeda de troca eleitoral.

O deputado também passou a destacar uma diferença política entre os dois projetos. Segundo Velloso, ele e o prefeito Tião Bocalom foram os únicos candidatos que declararam publicamente apoio ao nome de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República.

A aproximação entre Velloso e Bocalom foi formalizada durante as articulações eleitorais deste ano. Velloso também anunciou apoio à candidatura de Bocalom ao Governo do Acre, ampliando a composição política em torno do projeto tucano.

Antigos aliados agora disputam o mesmo eleitorado

O episódio expõe o distanciamento entre Bittar e Velloso, que chegaram a compartilhar uma mesma chapa eleitoral. Em 2018, Velloso foi registrado como primeiro suplente de Bittar na disputa pelo Senado.

Quatro anos depois, Velloso assumiu temporariamente a cadeira e ganhou experiência política no Congresso. Na eleição seguinte, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados.

Agora, a relação é outra: os dois estão em projetos eleitorais distintos e disputam espaço dentro de um eleitorado que, em boa parte, se identifica com a direita e com o bolsonarismo.

A briga ganha importância porque a eleição para o Senado em 2026 terá duas vagas em disputa no Acre. Em um cenário com vários candidatos, cada grupo político tenta consolidar seu eleitorado e evitar a dispersão de votos.

A troca de declarações entre Bittar e Velloso, portanto, deixa de ser apenas uma discussão sobre os cinco meses de mandato no Senado e passa a revelar uma disputa maior: quem terá força para liderar o eleitorado de direita no Acre e transformar essa base em uma das duas vagas ao Senado.

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