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Brasil arrancou 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia em junho, o maior volume da história, e o pré-sal sozinho carregou 82% de toda a produção nacional

Brasil arrancou 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia em junho, o maior volume da história, e o pré-sal sozinho carregou 82% de toda a produção nacional

8 min de leitura

Brasil arrancou 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia em junho, o maior volume da história, e o pré-sal sozinho carregou 82% de toda a produção nacional

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 03/08/2026 às 12:51

Atualizado em 03/08/2026 às 13:18

Petróleo e Gás

Produção de óleo e gás bateu recorde em junho com 5,842 milhões de boe por dia, e o pré-sal respondeu por 82% do total.

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A ANP confirmou os números do mês em boletim divulgado em 3 de agosto de 2026. Só de petróleo foram 4,475 milhões de barris diários, alta de 19,1% sobre junho do ano passado. O recorde chega em meio à maior volatilidade do preço internacional em anos.

O país nunca tirou tanta coisa do subsolo em um único mês. A produção somada de petróleo e gás natural alcançou 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia em junho de 2026, novo recorde histórico, segundo boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis divulgado em 3 de agosto de 2026 e reportagem publicada pelo g1 na mesma data.

Considerando apenas o petróleo, foram 4,475 milhões de barris por dia, alta de 4% sobre maio e de 19,1% na comparação com junho de 2025. O pré-sal respondeu sozinho por 82% de toda a produção nacional, o equivalente a 4,788 milhões de barris de óleo equivalente diários.

O que significa barril de óleo equivalente

Produção de óleo e gás bateu recorde em junho com 5,842 milhões de boe por dia, e o pré-sal respondeu por 82% do total.

Antes de qualquer coisa, vale destrinchar a unidade que aparece em todas as manchetes e que quase ninguém explica. Barril de óleo equivalente, abreviado como boe, é uma medida criada para permitir a soma de coisas diferentes.

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Petróleo se mede em barris. Gás natural se mede em metros cúbicos. Como as duas coisas saem do mesmo poço e integram o mesmo negócio, o setor converte o volume de gás em barris de petróleo com energia equivalente, e aí soma tudo. É por isso que existem dois números distintos no mesmo boletim: o de petróleo puro, de 4,475 milhões de barris diários, e o total combinado, de 5,842 milhões de boe por dia. A diferença entre os dois corresponde justamente à parcela de gás.

Os números do gás natural

A produção de gás também bateu recorde e subiu 5,5% em relação a maio, chegando a 217,3 milhões de metros cúbicos por dia. Só que produzir gás e vender gás são coisas diferentes no Brasil, e essa distinção pesa.

Do volume total extraído em junho, 64,36 milhões de metros cúbicos por dia foram efetivamente disponibilizados ao mercado. A queima, prática de descartar gás na atmosfera quando não há como aproveitá lo, ficou em 6,63 milhões de metros cúbicos diários. O aproveitamento de gás no mês foi de 97%, indicador que mede quanto do que foi produzido teve destino útil, seja venda, seja reinjeção no reservatório, seja consumo na própria plataforma.

Por que boa parte do gás volta para o poço

Existe um dado que surpreende quem chega agora ao assunto: parte relevante do gás produzido no Brasil é reinjetada nos reservatórios em vez de vendida. Isso não é desperdício, e tem duas razões.

A primeira é técnica. Injetar gás de volta no campo mantém a pressão do reservatório e ajuda a empurrar o petróleo para a superfície, aumentando o volume recuperável ao longo da vida útil do poço. A segunda é logística. Escoar gás de plataformas distantes da costa exige gasodutos caros, e sem essa infraestrutura o produto simplesmente não chega ao consumidor. Nos campos do pré-sal, que ficam a centenas de quilômetros do litoral, esse é um gargalo conhecido e que limita a oferta de gás no mercado interno.

O peso desproporcional do pré-sal

A camada que responde por 82% da produção brasileira fica sob uma espessa barreira de sal, a milhares de metros de profundidade, principalmente nas bacias de Santos e Campos.

Em junho, o pré-sal produziu 4,788 milhões de boe por dia, combinando petróleo e gás. Se essa região fosse um país isolado, estaria entre os maiores produtores do mundo. A concentração explica por que qualquer discussão sobre o setor no Brasil gira em torno dessa província específica: um problema técnico, um atraso de plataforma ou uma parada de manutenção em poucos campos ali mexem no número nacional inteiro.

Quem produz esse petróleo

A distribuição entre empresas mostra outra concentração. A Petrobras é disparada a maior produtora, e nos meses anteriores respondeu por cerca de 2,55 milhões de barris diários de petróleo, considerando os dados por concessionário.

A Shell aparece como segunda maior produtora do país e principal parceira da estatal nos campos do pré-sal, com produção na casa dos 415 mil barris por dia em maio. A TotalEnergies vem em seguida, com aproximadamente 210 mil barris diários no mesmo período. Considerando também a participação como consorciada, ou seja, incluindo os campos em que a empresa é sócia sem ser operadora, o volume atribuído à estatal ultrapassa os 3 milhões de boe por dia.

O contexto internacional que cerca o recorde

O número não chega em momento tranquilo. Os preços do petróleo vêm oscilando fortemente por causa das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, que levaram ao fechamento prolongado do Estreito de Ormuz.

Aquela passagem marítima concentra cerca de 20% do comércio mundial da commodity, e o bloqueio disparou temores sobre o abastecimento global. A cotação chegou a superar os 100 dólares por barril no auge da crise, antes de recuar para a faixa entre 70 e 80 dólares diante de sinais de negociação entre os países envolvidos. Na manhã de 3 de agosto, o barril do Brent, referência internacional, caía 5,79%, cotado a 82,84 dólares, enquanto o West Texas Intermediate, referência americana, recuava 7,23%, a 78,55 dólares.

A disputa de versões sobre Ormuz

Produção de óleo e gás bateu recorde em junho com 5,842 milhões de boe por dia, e o pré-sal respondeu por 82% do total.

O movimento de queda daquela manhã tem explicação direta na diplomacia, e ela envolve informações contraditórias. No fim de semana, o presidente americano Donald Trump afirmou que suspenderia um novo ataque ao Irã caso um acordo fosse alcançado rapidamente para interromper o programa nuclear iraniano e permitir a reabertura do estreito.

O governo iraniano negou ter solicitado suspensão das ações militares, contrariando a versão apresentada por Trump. Citando autoridades militares, a agência de notícias iraniana Mehr afirmou que a declaração seria mais uma mentira e que as Forças Armadas do país permaneciam em alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade. Apesar da divergência, a perspectiva de negociação e de reabertura da passagem animou investidores e pressionou os preços para baixo.

Por que preço alto e recorde de produção conversam

A coincidência entre os dois fatos não é acaso completo, embora a relação seja mais indireta do que parece. Produção de petróleo não responde a preço de um mês para o outro, porque plataforma se planeja com anos de antecedência e poço não se liga e desliga conforme a cotação.

O que o cenário internacional afeta de imediato é a receita, não o volume. Com o barril acima dos 80 dólares, o mesmo volume produzido rende muito mais em dólares, o que se traduz em arrecadação de royalties, participação especial e tributos. Também impacta a exportação: dados da agência reguladora mostram que o volume exportado pelo país entre janeiro e abril de 2026 foi 30,7% maior que no mesmo período de 2025, ano que já havia registrado recorde histórico, movimento associado à reorganização dos fluxos globais de oferta e demanda durante o conflito.

Os números preliminares e os confirmados

Vale registrar uma diferença que aparece nas publicações sobre o tema e que costuma confundir. A agência divulga dados preliminares antes do boletim mensal completo, e os valores sofrem pequenos ajustes.

Na prévia divulgada em 23 de julho, a produção total de junho aparecia como 5,838 milhões de boe por dia, com o pré-sal em 82,29% e 4,805 milhões de boe diários. No boletim confirmado, publicado em 3 de agosto, os números foram ajustados para 5,842 milhões de boe por dia no total e 4,788 milhões no pré-sal, com participação de 82%. São variações de arredondamento, não correções de rota, e a ordem de grandeza permanece idêntica.

A sequência de recordes de 2026

Este não é um pico isolado, e sim mais um degrau de uma escada que vem subindo mês a mês. O recorde anterior havia sido registrado em abril, quando o país chegou a 5,640 milhões de boe por dia.

Antes disso, o marco pertencia a março. Considerando apenas o petróleo, o recorde anterior também era de abril, com 4,340 milhões de barris diários, superado agora pelos 4,475 milhões de junho. Em maio, a produção combinada havia ficado em 5,597 milhões de boe por dia. A sequência mostra crescimento contínuo ao longo do primeiro semestre, sustentado pela entrada em operação de novas unidades de produção no pré-sal.

O que vem pela frente

A agência reguladora também vem preparando o terreno para a próxima fronteira exploratória. Em 26 de junho de 2026, a diretoria do órgão aprovou a inclusão de 86 blocos exploratórios da Margem Equatorial brasileira na lista de áreas em avaliação para ciclos futuros da Oferta Permanente de Concessão.

Os blocos se distribuem entre as bacias de Foz do Amazonas, com 36 áreas, Pará Maranhão, com 25, e Barreirinhas, com outras 25. A medida integra o cronograma de avaliação geológica e econômica da agência e não significa inclusão automática desses blocos em rodadas de licitação, que dependem do cumprimento dos procedimentos regulatórios aplicáveis. É uma sinalização de longo prazo, e não de efeito sobre a produção deste ano.

E você, acompanha o preço do combustível de perto? Conta aqui nos comentários se você acha que recorde de produção deveria se refletir no valor da gasolina na bomba, e o que na sua opinião pesa mais nesse cálculo, o que o Brasil produz ou o que acontece do outro lado do mundo.

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: petróleo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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