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Brasil tem uma máquina de reciclagem funcionando no campo: 92% das embalagens de defensivos devolvidas são recicladas e sistema já supera 932 mil toneladas

Brasil tem uma máquina de reciclagem funcionando no campo: 92% das embalagens de defensivos devolvidas são recicladas e sistema já supera 932 mil toneladas

5 min de leitura

Brasil tem uma máquina de reciclagem funcionando no campo: 92% das embalagens de defensivos devolvidas são recicladas e sistema já supera 932 mil toneladas

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 15/08/2026 às 14:25

Atualizado em 15/08/2026 às 14:30

Agronegócio

Trabalhador movimenta embalagens plásticas compactadas em unidade de reciclagem, ilustrando o sistema de logística reversa que destina embalagens de defensivos agrícolas no Brasil.

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Sistema Campo Limpo já destinou mais de 932 mil toneladas desde 2002 e caminha para alcançar a marca histórica de 1 milhão no início de 2027

O Brasil construiu, ao longo de pouco mais de duas décadas, um amplo sistema de logística reversa para embalagens vazias de defensivos agrícolas. Atualmente, cerca de 92% do material devolvido é encaminhado para reciclagem, segundo os dados apresentados pelo setor.

Desde 2002, o Sistema Campo Limpo já destinou corretamente mais de 932 mil toneladas de embalagens. Além disso, a expectativa é alcançar a marca de 1 milhão de toneladas no início de 2027. Para 2026, a previsão é receber 87,5 mil toneladas.

O desempenho chama atenção principalmente quando comparado ao cenário geral dos resíduos sólidos brasileiros.

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Reciclagem urbana ainda enfrenta desafios no Brasil

Em 2025, o Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, segundo dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Desse total, 7,1 milhões de toneladas foram recicladas. Enquanto isso, aproximadamente 40% tiveram destinação inadequada.

Nesse cenário, a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece responsabilidades para fabricantes, distribuidores, comerciantes, consumidores e poder público.

A logística reversa é uma das engrenagens desse modelo. Por meio dela, produtos, embalagens e materiais podem retornar após o consumo para reaproveitamento, reciclagem ou destinação ambientalmente adequada.

No agronegócio, entretanto, as embalagens de defensivos agrícolas apresentam resultados expressivos.

Trabalhador movimenta fardo de materiais recicláveis durante operação de carregamento em unidade de reciclagem, ilustrando etapas da logística reversa e da destinação de resíduos.

Brasil se destaca na destinação de embalagens de defensivos

De acordo com os números apresentados, cerca de 92% das embalagens de defensivos agrícolas devolvidas no Brasil seguem para reciclagem.

O percentual supera os índices citados para outros mercados. França, Alemanha e Canadá recolhem aproximadamente 70%. Já o Japão chega a 50%, enquanto os Estados Unidos registram uma taxa estimada em 30%.

Por trás do modelo brasileiro está o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), entidade sem fins lucrativos formada pelo próprio setor.

O instituto coordena o Sistema Campo Limpo e também criou o Dia Nacional do Campo Limpo. Em 18 de agosto de 2026, a iniciativa chega à sua 22ª edição.

A data integra o calendário nacional e busca ampliar a conscientização ambiental, além de reconhecer a participação dos diferentes integrantes da cadeia do agronegócio.

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Caio Aviz

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Do agricultor à indústria: como funciona a logística reversa

O funcionamento depende da responsabilidade compartilhada entre diferentes participantes.

Após utilizar o defensivo agrícola, o produtor deve encaminhar a embalagem vazia ao local indicado. A devolução pode ocorrer em unidades vinculadas aos canais responsáveis pelo recebimento.

Antes da entrega, o agricultor deve realizar a tríplice lavagem ou lavagem sob pressão, quando aplicável. Além disso, a embalagem precisa ser inutilizada para impedir sua reutilização.

O recipiente deve ser devolvido dentro do prazo de um ano. Posteriormente, o produtor recebe um comprovante de entrega, que precisa ser guardado durante cinco anos.

Enquanto isso, distribuidores e cooperativas comunicam os locais adequados para devolução. A indústria financia o sistema e a retirada dos recipientes para destinação final.

Por sua vez, o poder público licencia e fiscaliza as unidades de recebimento.

Assim, cada elo possui uma função dentro da cadeia.

Mais de 932 mil toneladas destinadas desde 2002

A dimensão alcançada pelo programa aparece na evolução dos volumes processados.

No primeiro ano de operação, foram aproximadamente 3,8 mil toneladas. Mais de duas décadas depois, o volume anual chegou à faixa de 76 mil toneladas.

Desde 2002, o acumulado ultrapassa 932 mil toneladas de embalagens vazias destinadas corretamente.

Agora, a expectativa é atingir 1 milhão de toneladas no início de 2027.

Além disso, práticas de logística reversa começam a avançar para outros resíduos do setor agropecuário, como sacarias de ração, fertilizantes e produtos veterinários. Nessas áreas, porém, ainda existem desafios relacionados à destinação final.

Embalagens recicladas ajudam a reduzir emissões

A reciclagem também apresenta impacto relacionado às emissões.

Segundo os dados apresentados, cada embalagem de 20 litros produzida com resina reciclada evita a emissão de 1,24 quilo de CO₂ equivalente.

Dessa forma, cem embalagens representam aproximadamente 124 quilos de emissões evitadas.

A Campo Limpo, empresa brasileira dedicada à fabricação de embalagens recicladas para defensivos agrícolas, possui capacidade produtiva de 17 milhões de unidades por ano.

Além disso, o sistema conquistou, no ciclo de 2025, o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces).

O que acontece com as embalagens que não podem ser recicladas?

Do material devolvido ao sistema, aproximadamente 92% segue para reciclagem e pode ser transformado novamente em produtos, inclusive embalagens destinadas ao próprio setor.

Os 8% restantes não apresentam características adequadas para reciclagem.

Por isso, esses materiais recebem destinação ambientalmente adequada por coprocessamento, com recuperação energética, ou incineração.

Consequentemente, 100% das embalagens efetivamente devolvidas ao sistema recebem uma destinação ambientalmente correta.

Modelo brasileiro aposta na responsabilidade compartilhada

O resultado alcançado desde 2002 depende da participação conjunta de agricultores, indústria, distribuidores, cooperativas e poder público.

Enquanto o produtor prepara e devolve corretamente as embalagens, os canais de distribuição orientam o processo. Paralelamente, a indústria financia a estrutura necessária para transporte e destinação.

Já o poder público atua no licenciamento e na fiscalização das unidades.

Assim, o modelo transformou a logística reversa das embalagens de defensivos agrícolas em uma operação de grande escala no país.

Com mais de 932 mil toneladas destinadas desde 2002, previsão de 87,5 mil toneladas em 2026 e a perspectiva de atingir 1 milhão em 2027, o Sistema Campo Limpo se consolidou como uma referência da reciclagem no agronegócio brasileiro.

E você, acredita que o modelo brasileiro de reciclagem de embalagens de defensivos agrícolas poderia servir de exemplo para ampliar a logística reversa em outros setores do país?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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