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Brasileira chega aos EUA sem falar inglês e com cerca de US$ 500, passa 5 anos fazendo faxina em casas, escritórios e bancos, investe apenas US$ 30 para vender tapiocas feitas com receita da mãe e da avó e transforma a ideia em negócios que faturam US$ 1,5 milhão por ano

Brasileira chega aos EUA sem falar inglês e com cerca de US$ 500, passa 5 anos fazendo faxina em casas, escritórios e bancos, investe apenas US$ 30 para vender tapiocas feitas com receita da mãe e da avó e transforma a ideia em negócios que faturam US$ 1,5 milhão por ano

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Brasileira chega aos EUA sem falar inglês e com cerca de US$ 500, passa 5 anos fazendo faxina em casas, escritórios e bancos, investe apenas US$ 30 para vender tapiocas feitas com receita da mãe e da avó e transforma a ideia em negócios que faturam US$ 1,5 milhão por ano

Escrito por Carla Teles

Publicado em 22/08/2026 às 15:54

Atualizado em 22/08/2026 às 15:55

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Faxina antecedeu negócio de tapioca que ganhou fábrica, e-commerce e faturamento de US$ 1,5 milhão nos EUA. Imagem: Reprodução/Redes sociais

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Verônica Oliveira chegou aos Estados Unidos em 2009 sem falar inglês e trabalhou com faxina antes de abrir primeiro negócio. A produção doméstica de tapiocas avançou para restaurante, fábrica, varejo e vendas online; segundo o UOL, as duas empresas somaram US$ 1,5 milhão de faturamento em 2022, sem lucro divulgado.

Uma produção iniciada com apenas US$ 30 em ingredientes transformou a tapioca preparada na cozinha de casa em uma operação com restaurante, fábrica, supermercados e vendas para diferentes regiões dos Estados Unidos. Antes dessa expansão, Verônica Oliveira trabalhou com faxina durante cinco anos e chegou a administrar uma pequena empresa de limpeza, experiência empresarial que antecedeu sua entrada no setor de alimentos.

Os principais dados sobre a expansão foram publicados pelo UOL em 2 de outubro de 2023, que detalhou o período entre 2009 e 2014 na limpeza, a primeira venda de 80 tapiocas, o investimento de US$ 75 mil no restaurante e a fábrica aberta em 2017. Já a Gazeta da Semana, em 22 de novembro de 2023, registrou a expansão de um novo produto da marca para 70 pontos de venda em menos de um mês. O UOL informa ainda que restaurante e operação de tapiocas somaram US$ 1,5 milhão em faturamento em 2022; o lucro não foi divulgado.

Antes da tapioca, Verônica passou da faxina para uma pequena empresa de limpeza

Imagem: Redes sociais

Verônica chegou aos Estados Unidos em 2009 e foi inicialmente para Richmond, na Virgínia. Segundo o UOL, levou aproximadamente US$ 500 e não falava inglês. A entrada no mercado de trabalho ocorreu por meio da limpeza: durante o dia, fazia faxina em casas; à noite, trabalhava em escritórios; nos fins de semana, também limpava bancos.

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Depois de se mudar para Framingham, em Massachusetts, ela continuou no setor e abriu a Veronica’s Cleaner. Para montar sua carteira inicial, relatou ter obtido um empréstimo e pago US$ 10 mil por cinco clientes. Em cerca de um mês, acrescentou outros oito e chegou posteriormente a 25 clientes. O período mostra que sua primeira experiência como proprietária de um negócio aconteceu antes da entrada na indústria de alimentos.

US$ 30 em ingredientes deram origem às primeiras 80 tapiocas vendidas

Em 2014, enquanto ainda trabalhava com faxina, Verônica começou a preparar tapiocas recheadas na cozinha de casa. A receita tinha origem familiar: ela havia aprendido a preparação com a mãe e a avó na Bahia. O desembolso inicial informado foi de apenas US$ 30 para comprar os ingredientes.

O primeiro lote comercial teve 80 tapiocas vendidas, segundo o UOL. A partir daí, a demanda passou a crescer e a produção deixou gradualmente de funcionar apenas como renda complementar. O dado é relevante empresarialmente porque representa a primeira validação comercial do produto antes da abertura de um ponto físico ou de qualquer estrutura fabril.

Demanda pela tapioca levou à saída definitiva do setor de limpeza

Imagem: Redes sociais

Durante algum tempo, as duas atividades funcionaram paralelamente. Verônica continuava atendendo clientes de faxina enquanto preparava e vendia tapiocas, mas o aumento das encomendas passou a exigir uma decisão sobre onde concentrar tempo e capacidade operacional.

Ela então deixou o negócio de limpeza e direcionou o trabalho para alimentação. A transição mudou o modelo empresarial: em vez de vender horas de serviço a uma carteira limitada de clientes, passou a produzir um alimento que poderia ganhar escala por meio de mais unidades, novos canais e posterior distribuição.

Restaurante de US$ 75 mil elevou a operação para outro nível de capital

Em 2015, a produção doméstica ganhou uma estrutura comercial maior com a aquisição de um restaurante brasileiro em Framingham. O estabelecimento passou a operar como BR Takeout, com cardápio voltado principalmente às cozinhas mineira e nordestina.

Segundo o UOL, a compra exigiu US$ 75 mil. Verônica informou ter conseguido US$ 30 mil emprestados para a entrada e parcelado o restante em sete vezes. A diferença entre os US$ 30 usados na primeira produção de tapiocas e os US$ 75 mil destinados ao restaurante mostra a mudança de escala financeira do negócio em apenas uma etapa da expansão.

Fábrica aberta em 2017 transformou alimento preparado em produto para o varejo

A mudança estrutural seguinte ocorreu em 2017, quando Verônica abriu uma fábrica de tapioca no subsolo do próprio restaurante. A unidade passou a produzir pacotes destinados à comercialização em mercados, ampliando o negócio além dos alimentos preparados para consumo imediato.

Com essa etapa, a operação ganhou uma lógica mais próxima da indústria de alimentos: produção, embalagem e distribuição para terceiros. A tapioca deixou de depender apenas do restaurante e das vendas diretas e passou a poder ocupar prateleiras de estabelecimentos comerciais em outras localidades.

Produtos chegaram à Stop & Shop, lojas brasileiras e e-commerce nacional

Na reportagem publicada em outubro de 2023, o UOL informou que produtos da Tapioca da Baiana estavam presentes em 11 unidades da rede norte-americana Stop & Shop e em aproximadamente 140 lojas brasileiras espalhadas por diferentes cidades dos Estados Unidos.

A marca também utilizava o e-commerce com entregas para todos os estados norte-americanos, acrescentando um canal que não dependia da presença física em supermercados próximos da fábrica. Assim, a expansão comercial passou a combinar restaurante próprio, varejo especializado, uma rede tradicional e vendas digitais.

Novo produto alcançou 70 pontos de venda em menos de um mês

A Gazeta da Semana registrou outra etapa da estratégia comercial em novembro de 2023. O Tapioca Cheese Bread, descrito pela publicação como pão de queijo de tapioca, chegou às prateleiras em Boston em 31 de outubro daquele ano.

Segundo a publicação, o produto estava em 15 lojas aproximadamente uma semana depois do lançamento e chegou a 70 pontos de venda em menos de um mês, distribuídos por 33 cidades de Massachusetts, New Hampshire e Rhode Island. Esses números se referem à situação reportada em novembro de 2023 e não devem ser interpretados como quantidade atual de pontos de venda em 2026.

Características do produto passaram a fazer parte da estratégia comercial

A empresa apresentou sua tapioca ao mercado como um produto baseado em fécula de mandioca e água. Verônica também declarou às fontes que seus produtos eram comercializados com características como ausência de glúten e conservantes, enquanto a Gazeta da Semana descreveu o Tapioca Cheese Bread lançado em 2023 dentro dessa mesma estratégia de diferenciação.

Essas características devem ser entendidas como informações apresentadas pela empresária e pela marca, e não como validação científica independente. Comercialmente, porém, elas mostram como o produto de origem brasileira foi adaptado para dialogar não apenas com consumidores brasileiros, mas também com segmentos específicos do varejo norte-americano.

US$ 1,5 milhão corresponde ao faturamento conjunto, não ao lucro

Um dos números mais relevantes da operação aparece no levantamento do UOL: em 2022, as duas empresas de Verônica somaram US$ 1,5 milhão em faturamento, valor apresentado na época como equivalente a aproximadamente R$ 7,6 milhões.

Há uma distinção importante. A fonte informa expressamente que o lucro não foi divulgado, portanto o faturamento não pode ser tratado como ganho pessoal da empresária nem como resultado líquido. O UOL também registrou 21 funcionários diretos distribuídos entre restaurante e fábrica naquele momento.

Crescimento passou a depender de produção, gestão e diferentes canais de venda

A sequência empresarial passou por modelos bastante distintos: faxina, pequena empresa de serviços, produção doméstica de tapiocas, restaurante, fábrica, supermercados e e-commerce. Cada etapa aumentou o número de processos que precisavam ser administrados, desde produção e equipe até distribuição e negociação comercial.

É essa mudança de escala que transforma o caso em uma pauta econômica sobre expansão de um pequeno negócio alimentar. A receita aprendida com mãe e avó permaneceu como origem do produto, mas o crescimento ocorreu quando ela passou a ser convertida em produção padronizada, embalagem, estrutura fabril e canais de comercialização.

De uma cozinha doméstica para uma operação de alimentos distribuída nos EUA

Retirando da trajetória a falta de inglês, as dificuldades financeiras e os anos de faxina, permanece uma transformação empresarial mensurável: US$ 30 em ingredientes, primeira venda de 80 unidades, restaurante adquirido por US$ 75 mil, fábrica aberta em 2017, entrada em supermercados, vendas online para todo o país e US$ 1,5 milhão de faturamento conjunto em 2022.

A história de Verônica Oliveira mostra, portanto, como um produto brasileiro preparado inicialmente em pequena escala avançou por diferentes etapas de comercialização até chegar ao varejo norte-americano. Na sua opinião, produtos brasileiros tradicionais como tapioca, pão de queijo e açaí ainda têm espaço para ganhar escala industrial e ocupar grandes redes no exterior? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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