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Brasileira chega sozinha aos Estados Unidos sem falar inglês após a mãe parcelar a passagem em 12 vezes, ganha apenas duas semanas para conseguir emprego, começa como babá, passa por faxinas e bares e anos depois entra no mercado imobiliário e participa de negócios que faturam cerca de US$ 500 mil por ano

Brasileira chega sozinha aos Estados Unidos sem falar inglês após a mãe parcelar a passagem em 12 vezes, ganha apenas duas semanas para conseguir emprego, começa como babá, passa por faxinas e bares e anos depois entra no mercado imobiliário e participa de negócios que faturam cerca de US$ 500 mil por ano

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Brasileira chega sozinha aos Estados Unidos sem falar inglês após a mãe parcelar a passagem em 12 vezes, ganha apenas duas semanas para conseguir emprego, começa como babá, passa por faxinas e bares e anos depois entra no mercado imobiliário e participa de negócios que faturam cerca de US$ 500 mil por ano

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 22/08/2026 às 20:57

Atualizado em 22/08/2026 às 20:58

Curiosidades

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Pernambucana que chegou aos Estados Unidos aos 18 anos sem falar inglês constrói carreira no mercado imobiliário e amplia atuação para negócios em Nova York. (Foto: Debora Manfre)

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Débora Manfre deixou Recife em 2002 sem domínio do inglês e com pouco dinheiro, encontrou trabalho como babá dentro do prazo que tinha para permanecer hospedada e passou por serviços comuns entre imigrantes. Mais de duas décadas depois, construiu carreira no financiamento imobiliário de Nova York e ampliou sua atuação para restaurantes, investimentos e compra e venda de empresas.

A pernambucana Débora Manfre tinha 18 anos quando desembarcou nos Estados Unidos, em abril de 2002, sem falar inglês e sem uma estrutura financeira que garantisse sua permanência no país. A passagem, segundo ela, só foi possível porque sua mãe conseguiu dividir o valor em 12 parcelas.

Criada em Recife por uma mãe solo e tendo passado parte da infância morando de favor, Débora contou que alimentava havia anos a ideia de viver no exterior. Segundo reportagem publicada pela Exame em 18 de junho de 2025, a mudança começou sem emprego garantido e com uma condição bastante objetiva logo na chegada: ela teria duas semanas para encontrar trabalho ou precisaria buscar outra saída.

A hospedagem temporária foi oferecida por um homem que ela havia conhecido pela internet, através do MSN. A própria brasileira reconheceu posteriormente que a decisão envolveu riscos e disse que não recomendaria atualmente que outra pessoa repetisse a experiência sem uma rede de apoio e planejamento.

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Antes que as duas semanas terminassem, surgiu o primeiro emprego. Débora passou a trabalhar como babá e morar na casa dos patrões, dando início a uma trajetória profissional que ainda passaria por faxinas e trabalhos em bares antes de chegar ao mercado financeiro e imobiliário.

O primeiro emprego resolveu a urgência, mas o inglês ainda precisaria ser aprendido no dia a dia

O trabalho como babá proporcionou um primeiro contato contínuo com o inglês. Sem ter chegado aos Estados Unidos dominando o idioma, ela afirma que aprendeu gradualmente enquanto trabalhava e convivia com americanos, até alcançar fluência.

Nos anos seguintes, Débora fez faxinas e trabalhou em bares, atividades que fazem parte da porta de entrada profissional de muitos estrangeiros recém-chegados e sem formação reconhecida localmente. Com o tempo, passou a falar português, inglês e espanhol.

A mudança profissional, porém, não aconteceu imediatamente. Depois de formar família e ter filhos, ela passou um período dedicada principalmente à maternidade e só retomou a carreira de forma mais intensa quando as crianças começaram a frequentar a escola.

A volta ao trabalho levou Débora para um setor em que cada financiamento exige licença, crédito e análise de renda

Pernambucana supera início difícil nos EUA e constrói carreira no mercado imobiliário.

Foi nessa nova fase que a brasileira entrou no segmento de financiamento de imóveis residenciais. Na entrevista concedida em 2025, ela relatou que trabalhava na Movement Mortgage e afirmou já ter participado da contratação de mais de US$ 100 milhões em empréstimos imobiliários ao longo da carreira.

A atuação profissional no setor pode ser confirmada por registros públicos disponíveis atualmente. A Nationwide Mortgage Bankers lista Debora Manfre como Mortgage Loan Officer, sob o NMLS nº 1509861, vinculada ao escritório de Melville, no estado de Nova York.

O registro atual também mostra como a carreira seguiu depois da entrevista de 2025. A Movement Mortgage, portanto, faz parte da trajetória relatada naquele momento, enquanto a listagem profissional mais recente consultada aponta sua atuação na Nationwide Mortgage Bankers.

O trabalho de um mortgage loan officer envolve auxiliar clientes na obtenção de crédito para compra ou refinanciamento de imóveis, reunir informações financeiras e acompanhar o processo de análise do empréstimo. Renda, histórico de crédito, valor da entrada, dívidas e tipo de financiamento podem alterar tanto a aprovação quanto as condições oferecidas ao comprador.

Os negócios da família foram além dos financiamentos e chegaram ao setor de alimentação

Paralelamente ao mercado imobiliário, Débora e o marido passaram a investir em outros negócios. Entre as atividades mencionadas por ela estão estabelecimentos do segmento de deli em Nova York e participação em operações envolvendo compra de empresas.

Um dos estabelecimentos citados em sua trajetória é o Pantano’s Gourmet, rede de delis com presença em Long Island. O negócio trabalha principalmente com café da manhã, sanduíches, refeições rápidas e catering, formato bastante comum nos bairros e subúrbios da região de Nova York.

Débora afirmou que, somadas as diferentes atividades empresariais da família, os negócios movimentavam cerca de US$ 500 mil por ano quando concedeu a entrevista em 2025. O número foi informado pela própria empresária e deve ser entendido como faturamento declarado por ela, já que não foram localizados demonstrativos financeiros públicos que permitam uma verificação independente desse valor.

A carreira cresceu justamente em um dos mercados residenciais mais caros dos Estados Unidos

A atuação de Débora ocorre em Long Island e na região metropolitana de Nova York, onde o custo dos imóveis cria um ambiente bastante diferente daquele encontrado em grande parte dos Estados Unidos. Em março de 2025, a OneKey MLS registrou preço mediano de US$ 718,5 mil para casas unifamiliares dentro de sua área de cobertura, alta de 10,5% em relação ao mesmo mês de 2024. Nassau permanecia entre os condados com preços medianos superiores a US$ 800 mil.

O crédito também estava caro quando a história de Débora ganhou repercussão. Na semana encerrada em 18 de junho de 2025, a taxa média de uma hipoteca fixa de 30 anos nos Estados Unidos estava em 6,81%, segundo a Freddie Mac, contra níveis próximos de 3% observados em parte do período da pandemia.

Isso ajuda a colocar em contexto a afirmação da brasileira de que ainda encontrava compradores mesmo diante dos juros elevados. Em mercados com pouca oferta de casas, como partes de Long Island, preços altos podem continuar mesmo quando o financiamento fica mais caro, principalmente quando o número de imóveis disponíveis não acompanha a demanda.

Débora também chama atenção para programas que podem ajudar compradores, embora a elegibilidade varie bastante conforme renda, localização, documentação, tipo de imóvel e situação financeira. Em Nova York, por exemplo, a agência estadual SONYMA mantém modalidades voltadas a compradores qualificados, incluindo programas de hipoteca e assistência para entrada e custos de fechamento; uma modalidade lançada em 2025 previa ajuda de até US$ 30 mil para determinados compradores de baixa renda.

De uma passagem parcelada em 12 vezes à atuação profissional no mercado de imóveis

Mais de duas décadas separam a jovem que chegou aos Estados Unidos sem inglês da profissional que passou a trabalhar diretamente com financiamento habitacional. No intervalo, Débora atravessou empregos como babá, faxineira e funcionária de bares, criou os filhos e depois direcionou a carreira para o setor imobiliário.

Sua história também ganhou uma segunda frente ligada ao empreendedorismo. Além dos negócios mantidos com o marido, ela passou a atuar na intermediação de compra de empresas e no desenvolvimento pessoal, área na qual oferece mentorias.

Ao falar com brasileiros interessados em construir carreira no exterior, Débora passou a defender uma postura diferente daquela que adotou aos 18 anos. Planejamento, conhecimento das regras do país e construção de uma rede de contatos aparecem entre os principais conselhos dados por ela, justamente porque sua própria chegada aos Estados Unidos ocorreu com pouco dinheiro e uma estrutura bastante limitada.

A trajetória mostra uma mudança profissional concreta: de trabalhos que não exigiam fluência em inglês para uma atividade regulamentada ligada a operações financeiras e compra de imóveis. O faturamento de aproximadamente US$ 500 mil anuais citado por ela se refere ao conjunto dos negócios familiares naquele período e não ao salário individual obtido no mercado de hipotecas.

E você, teria coragem de mudar de país aos 18 anos sem falar o idioma e com apenas duas semanas para encontrar um emprego? Deixe sua opinião nos comentários e conte se considera planejamento, oportunidade ou persistência o fator que mais pesou nessa trajetória.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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