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Brasileira deixa Carmo do Paranaíba aos 13 anos em 2000, chega aos Estados Unidos sem falar inglês, trabalha lavando pratos e fazendo faxina, abre um salão em Nova Jersey e, anos depois, comanda na Flórida uma construtora e uma imobiliária que faturam mais de US$ 1 milhão por ano
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 24/08/2026 às 11:37
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Débora Silva deixou Carmo do Paranaíba aos 13 anos e chegou aos Estados Unidos em 2000, sem inglês e sem documentos. Depois de trabalhar com faxinas, estudar cosmetologia e abrir salão, expandiu os negócios para imóveis e construção. Aos 38, seus negócios faturavam mais de US$ 1 milhão por ano.
Débora Silva deixou Carmo do Paranaíba, em Minas Gerais, aos 13 anos, em 2000, e chegou aos Estados Unidos sem falar inglês e sem documentos. Depois de acompanhar os pais em um recomeço que começou com trabalhos como lavar pratos e limpar casas, ela passou por faxinas, cuidados com crianças e pelo setor de beleza antes de avançar para imóveis e construção civil.
Segundo reportagem publicada pela Exame em 20 de junho de 2025, Débora tinha 38 anos e seus negócios faturavam mais de US$ 1 milhão por ano. A empresária também havia conquistado a cidadania americana, atuava no setor de construção na Flórida e desenvolvia um projeto de mentoria voltado a mulheres.
Família deixou Minas Gerais depois de perder franquia da Antártica
A mudança para os Estados Unidos aconteceu após os pais de Débora perderem uma franquia da Antártica no Brasil.
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A família decidiu buscar uma nova oportunidade no exterior e recomeçou trabalhando em serviços básicos. Os pais passaram a lavar pratos e limpar casas, enquanto todos tentavam se adaptar ao novo país.
Oito pessoas dividiram apartamento de apenas um quarto
Débora contou que a família chegou a morar em um apartamento de um quarto com mais seis parentes.
“Moramos em um apartamento de um quarto com mais seis pessoas da família. Foi esmagador para quem vinha de uma vida confortável no Brasil”, relatou.
A rotina incluía ainda levar roupas para lavar em meio ao inverno. “Lembro da gente tendo que levar roupa para lavar no meio da neve, empurrando carrinho no frio, com a mão congelando. Não tínhamos máquina em casa e era longe. A sensação era de sobrevivência, não de recomeço”, afirmou.
Inglês foi aprendido em escola pública americana
Débora chegou aos Estados Unidos sem falar inglês e precisou aprender o idioma durante a adaptação.
A brasileira estudou em escola pública americana enquanto conciliava os estudos com a realidade financeira da família.
“Foi nesse período que eu entendi que ou a gente se entrega ou a gente se levanta”, disse. Segundo ela, a família optou por continuar tentando “várias vezes”.
Faxinas e cuidados com crianças entraram na rotina depois da escola
Débora começou a trabalhar com a mãe logo depois das aulas, ajudando em faxinas e também cuidando de crianças.
A atividade passou a fazer parte de sua adolescência enquanto a família ainda reconstruía a vida nos Estados Unidos.
Aos 17 anos, Débora escolheu cosmetologia e estética avançada
Aos 17 anos, ela começou a estudar cosmetologia e estética avançada.
A opção foi estratégica porque, segundo a reportagem, sua situação migratória irregular impedia o acesso à universidade naquele momento.
Débora decidiu então buscar espaço profissional no setor de beleza.
Falta de documentos não impediu tentativa nos melhores salões
Débora passou a procurar oportunidades em salões mesmo sem ter documentação regularizada.
“Fui ousada na fé. Entreguei meu currículo e pedi uma chance em uma entrevista. Lembro que o recrutador disse que o meu documento não constava no sistema americano, mesmo assim pedi a ele uma oportunidade e me deram uma chance”, contou.
A entrada no setor permitiu que fosse treinada por especialistas da L’Oréal e Wella.
Salão próprio foi aberto em New Jersey
Depois de ganhar experiência na área da beleza, Débora abriu o próprio salão em New Jersey, nos Estados Unidos.
A atividade marcou sua passagem de funcionária para empresária e antecedeu uma nova expansão profissional, dessa vez em direção ao mercado imobiliário.
Cidadania americana abriu nova etapa ao lado do marido
Débora e o marido conquistaram a cidadania americana e começaram a ampliar a atuação para outros setores.
O casal entrou no mercado imobiliário por meio do modelo conhecido como flipping house, no qual imóveis são comprados, reformados e depois revendidos.
“Compramos, reformamos e revendemos imóveis”, explicou.
Mudança para a Flórida veio acompanhada de loja de materiais de construção
Depois da experiência com compra e reforma de imóveis, Débora se mudou para a Flórida.
No estado, abriu uma loja de materiais de construção e ampliou a atuação ligada ao setor imobiliário e à construção civil.
Segundo ela, os negócios já haviam ultrapassado a marca de sete dígitos anuais.
Negócios faturavam mais de US$ 1 milhão por ano
Débora afirmou que seus negócios faturavam mais de US$ 1 milhão por ano.
“Os nossos negócios hoje faturam mais de US$ 1 milhão ao ano. Em 2025, a meta é triplicar o faturamento”, declarou à reportagem.
A meta, portanto, era multiplicar por três o resultado naquele mesmo ano.
Construção civil passou a sentir efeitos das regras migratórias
Aos 38 anos, Débora acompanhava os impactos das políticas de imigração sobre a operação de sua empresa de construção na Flórida.
Ela relatou que um funcionário havia recebido uma carta de deportação depois de entrar nos Estados Unidos com visto de estudante e não conseguir renová-lo.
“Ele mesmo decidiu ir embora antes do processo ser concluído”, contou.
Empresária diz que legalização depende de visto válido
Débora explicou que a regularização de trabalhadores pode ser complexa, principalmente para quem já vive há muito tempo no país de forma irregular.
“Só conseguimos entrar com um processo de legalização para quem chega com visto válido. A maioria dos trabalhadores da construção já está aqui há muito tempo, e as brechas legais são mínimas”, afirmou.
Segundo ela, a dificuldade de contratar também já produzia efeitos nos negócios.
Contratos na Virgínia e na Geórgia chegaram a ser recusados
Débora disse que já precisou recusar contratos em outros estados, como Virgínia e Geórgia.
A razão apontada foi a exigência mais rigorosa de trabalhadores legalizados nessas regiões.
“Vai faltar mão de obra. O salário vai subir, e não vai ter gente suficiente para os projetos”, avaliou.
Haitianos com permissão temporária estão entre os contratados
A empresária afirmou que procura apoiar trabalhadores que podem ser contratados legalmente.
Entre eles estão haitianos com permissão temporária de trabalho via asilo.
Débora demonstrou preocupação com a possibilidade de esses trabalhadores perderem os direitos atuais. “A gente ora para que Deus faça um milagre. São pessoas dedicadas e que precisam muito desse emprego”, declarou.
Projeto Mulheres Lapidadas nasceu depois da experiência no salão
A trajetória profissional também levou Débora a desenvolver o projeto Mulheres Lapidadas, voltado a espiritualidade, mentoria e desenvolvimento pessoal.
Ela contou que as clientes do salão frequentemente buscavam algo além de serviços de beleza. “Lembro que as mulheres não vinham só para cortar cabelo no salão. Queriam conselhos, cura emocional, reconstrução”, afirmou.
Débora vendeu o salão e deixou o marido à frente dos negócios ligados à construção para concentrar parte da atuação na mentoria profissional.
Débora passou a dar palestras em Portugal, França e Emirados Árabes
A empresária ampliou a atuação como palestrante e já havia se apresentado em Portugal, França e Emirados Árabes.
O trabalho inclui grupos de mulheres e apoio para que participantes desenvolvam e lancem os próprios negócios.
Seu primeiro livro, “Mulheres Lapidadas”, foi lançado em maio e reúne aprendizados relacionados a trabalho, fé, relacionamento e maternidade.
Aos 38 anos, empresária esperava o segundo filho e mantinha atuação em diferentes frentes
Na época da publicação, Débora Silva tinha 38 anos e esperava o segundo filho.
A trajetória iniciada aos 13 anos, quando saiu de Carmo do Paranaíba e chegou aos Estados Unidos sem inglês e sem documentos, havia passado por faxinas, cuidados com crianças, formação em cosmetologia, salão de beleza, imóveis, construção civil e mentoria.
“Meu chamado é destravar talentos e reposicionar mulheres para viverem com autenticidade”, afirmou. Débora também resumiu a própria trajetória ao dizer: “Hoje, quando olho para trás, vejo que cada faxina, cada ‘não’, cada lágrima tinha um propósito. Agora, meu papel é ajudar outras mulheres a enxergarem o diamante que existe dentro delas”.
Para você, o que mais pesa em uma trajetória como a de Débora Silva: a capacidade de recomeçar, a mudança de setores ao longo dos anos ou a disposição para aproveitar oportunidades mesmo sem uma estrutura ideal? Deixe sua opinião nos comentários.
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Débora Silva
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

