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Brasileiro que fazia elojob para pagar dívidas da família, chegou a viver com R$ 150 de salário, guardava até R$ 1 mil por mês e diz ter trabalhado seis anos só para colocar as contas em dia até abandonar a carreira de jogador, virar streamer de sucesso e conseguir comprar uma casa maior para os pais
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 19/08/2026 às 14:33
Atualizado em 19/08/2026 às 14:34
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Gustavo “Baiano” Gomes entrou no cenário competitivo de League of Legends quando os salários ainda eram baixos, foi suspenso por um ano após recorrer ao elojob e passou anos direcionando parte da renda para dívidas acumuladas pela família. A mudança veio com a carreira profissional, uma passagem pelos Estados Unidos e, depois, com o crescimento das transmissões na Twitch, que permitiu realizar uma meta que carregava desde os 18 anos.
Antes de se tornar conhecido pelas transmissões de League of Legends e pelo personagem “Baianalista”, Gustavo “Baiano” Gomes tinha uma preocupação que ultrapassava o jogo. Dentro de casa, as dívidas dos pais haviam se acumulado, e ele decidiu ainda jovem que parte do dinheiro conseguido nos e-sports seria destinada a colocar as contas da família em dia.
O esforço começou quando o cenário profissional brasileiro de LoL ainda movimentava valores muito menores. Baiano contou que, em determinada fase, recebia cerca de R$ 1,5 mil como jogador, gastava aproximadamente R$ 150 consigo e enviava o restante para casa, dinheiro que muitas vezes servia apenas para impedir que os juros aumentassem ainda mais.
O objetivo consumiu boa parte de sua vida financeira. Em entrevista publicada pela ESPN em novembro de 2020, Baiano afirmou ter passado praticamente seis anos trabalhando para pagar as dívidas da família e relatou que, mesmo quando conseguia juntar aproximadamente R$ 1 mil por mês, aquele valor já representava uma diferença considerável nas contas domésticas. Naquele mesmo ano, ele anunciou que havia comprado uma casa para os pais na Bahia.
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A trajetória, porém, teve uma passagem que poderia ter encerrado sua carreira antes mesmo de ela se consolidar.
A dívida familiar transformou o dinheiro dos campeonatos em uma corrida contra os juros
Baiano descreveu a situação financeira da família de maneira direta. Segundo ele, quando chegou aos 18 anos, os pais já carregavam uma dívida elevada, e a preocupação com bancos e pagamentos fazia parte da rotina dentro de casa.
O dinheiro ganho nos primeiros times, portanto, tinha uma destinação quase imediata. Em vez de acumular patrimônio ou utilizar o salário para melhorar a própria estrutura, ele direcionava grande parte dos valores à família.
O problema era que, naquele estágio, o pagamento não era suficiente para reduzir rapidamente o valor principal da dívida. Parte considerável do esforço servia para cobrir os juros que continuavam chegando mês após mês.
Foi justamente na tentativa de aumentar a renda que Baiano tomou uma decisão que teria consequências dentro do cenário competitivo.
Sem salário suficiente, ele recorreu ao elojob e recebeu suspensão de um ano
O elojob consiste em um jogador mais habilidoso utilizar a conta de outra pessoa para aumentar artificialmente sua classificação nas partidas ranqueadas. O serviço costuma ser realizado mediante pagamento e interfere no sistema criado para posicionar cada jogador de acordo com seu desempenho.
Baiano admitiu que realizou elojob no início da carreira. A explicação dada por ele ao longo dos anos foi financeira: precisava de dinheiro para comprar um computador melhor, continuar tentando entrar no cenário profissional e ajudar no pagamento das dívidas de casa.
A consequência chegou em 2014. Uma reportagem do ge sobre a trajetória do jogador registra que Baiano e outros 12 jogadores foram suspensos por um ano pela Riot Games em março daquele ano. Ele próprio reconheceu posteriormente que havia seguido um caminho errado, embora tenha relacionado a decisão às dificuldades financeiras e à falta de estrutura dos e-sports naquele período.
A prática continua incompatível com as regras da desenvolvedora. As normas atuais da Riot proíbem o compartilhamento de contas e tratam o boosting e a manipulação das partidas ranqueadas como condutas sujeitas a punições, incluindo suspensões e, em casos reincidentes, banimento permanente.
Para Baiano, o episódio significou a interrupção de uma carreira que ainda estava começando. Ele conseguiu retornar às competições e iniciou uma reconstrução que acabaria levando o brasileiro para fora do país.
A reconstrução levou Baiano dos times brasileiros a uma vaga no cenário dos Estados Unidos
Nos anos seguintes, Baiano passou por organizações do competitivo nacional e conseguiu ganhar espaço novamente. Uma das etapas mais relevantes ocorreu após sua passagem pela Keyd Stars, quando recebeu a oportunidade de disputar uma competição na América do Norte.
Em 2017, ele integrou a Big Gods Jackals, equipe que disputava a Challenger Series, então uma espécie de segunda divisão do League of Legends norte-americano. Inicialmente contratado como reserva, conquistou a titularidade antes do início da competição.
O SporTV registrou na época que Baiano se tornou o primeiro brasileiro a participar do circuito oficial da Riot Games na América do Norte. Em abril daquele ano, ele também obteve visto de atleta para exercer profissionalmente a atividade nos Estados Unidos.
A passagem internacional também teve peso financeiro. Baiano relatou que a experiência nos Estados Unidos foi um dos momentos em que conseguiu aumentar a ajuda enviada à família, avançando no objetivo de reduzir as dívidas que carregava desde o começo da vida adulta.
A maior mudança financeira não veio como jogador profissional, mas diante da câmera
A carreira competitiva abriu portas, mas foi fora dos campeonatos que a renda de Baiano ganhou outra dimensão. Depois de deixar a rotina como pro-player, ele passou a concentrar esforços nas transmissões ao vivo.
O início estava longe dos grandes números. Em um perfil publicado em 2021, o ge relatou que Baiano começou essa etapa com cerca de R$ 5 mil disponíveis, chegou a morar de favor em São Paulo enquanto tentava se estabelecer e disse que as primeiras transmissões rendiam aproximadamente R$ 300 a R$ 400 por mês.
A audiência começou a mudar quando ele percebeu que poderia usar a experiência de jogador profissional para comentar campeonatos. Surgiu então o “Baianalista”, formato em que acompanhava partidas e explicava decisões técnicas para quem assistia.
O crescimento ganhou força com o CBolão, competição criada durante a paralisação do CBLoL em 2020. No relato registrado pelo ge, Baiano afirmou que o projeto chegou a ultrapassar 1 milhão de espectadores acumulados e alcançou mais de 100 mil pessoas simultaneamente.
Era justamente essa diferença entre a remuneração de jogador profissional e a nova fase como streamer que mudaria os planos para a família.
O plano era comprar apenas um teto, mas o sucesso das lives permitiu buscar uma casa maior
Durante anos, a meta era simples. Baiano queria acabar com as dívidas e conseguir uma casa própria para os pais, sem grandes exigências sobre tamanho ou padrão do imóvel.
Com a melhora da renda nas transmissões, ele percebeu que poderia aumentar a ambição. A casa que inicialmente seria modesta passou a ser pensada também em termos de espaço e conforto, inclusive para que a mãe pudesse receber visitas.
Em novembro de 2020, o streamer anunciou nas redes sociais que havia finalmente tirado os pais do aluguel. A publicação mostrava o imóvel adquirido na Bahia e encerrava uma etapa que, segundo ele, havia ocupado seus pensamentos durante aproximadamente oito anos.
A compra ganhou um significado diferente porque ocorreu somente depois de anos direcionando dinheiro para obrigações anteriores. Antes de pensar no imóvel, ele havia colocado como prioridade reduzir uma dívida que, em determinados períodos, consumia praticamente tudo o que conseguia poupar.
Depois de anos pensando nas contas dos pais, Baiano disse que finalmente poderia criar metas próprias
A mudança de casa encerrou uma rotina em que boa parte das decisões profissionais estava ligada à situação financeira familiar. Baiano contou que evitava pensar em luxo ou em grandes gastos pessoais enquanto os pais ainda não tivessem o próprio imóvel.
Só depois da compra ele passou a falar publicamente sobre criar objetivos diferentes para si. O foco no trabalho permaneceu, mas a dívida que havia orientado várias de suas escolhas desde os 18 anos já não ocupava o mesmo espaço.
A história também mostra uma fase específica dos e-sports brasileiros, quando jogadores tentavam construir uma profissão em um mercado com salários, premiações e estruturas muito inferiores aos encontrados posteriormente. No caso de Baiano, a estabilidade financeira que demorou a aparecer como atleta acabou chegando quando a experiência acumulada dentro das competições virou conteúdo para milhares de espectadores.
O que mais chama sua atenção na trajetória de Baiano: os anos direcionando praticamente todo o dinheiro para as dívidas, a reconstrução depois da suspensão ou a mudança de vida como streamer? Deixe sua opinião nos comentários e conte qual parte dessa história mais surpreendeu você.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

