Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Brasileiro vai aos Estados Unidos sem saber inglês para tentar jogar futebol, mas aprende o idioma para conquistar bolsa integral, faz mestrado, chega ao profissional e, após voltar ao Brasil e não conseguir retornar aos EUA durante a pandemia, transforma aulas para amigos em rede com 40 franquias e 1.300 alunos

Brasileiro vai aos Estados Unidos sem saber inglês para tentar jogar futebol, mas aprende o idioma para conquistar bolsa integral, faz mestrado, chega ao profissional e, após voltar ao Brasil e não conseguir retornar aos EUA durante a pandemia, transforma aulas para amigos em rede com 40 franquias e 1.300 alunos

7 min de leitura

Brasileiro vai aos Estados Unidos sem saber inglês para tentar jogar futebol, mas aprende o idioma para conquistar bolsa integral, faz mestrado, chega ao profissional e, após voltar ao Brasil e não conseguir retornar aos EUA durante a pandemia, transforma aulas para amigos em rede com 40 franquias e 1.300 alunos

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 23/08/2026 às 08:03

Atualizado em 23/08/2026 às 08:04

Curiosidades

Canal

Lucca Lacerda transforma experiência como jogador nos Estados Unidos em edtech de idiomas com 40 franquias, 1.300 alunos e faturamento de R$ 2 milhões. (Foto: Arquivo pessoal)

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Lucca Lacerda saiu do Brasil para tentar construir uma carreira no futebol americano universitário, precisou aprender inglês para estudar com bolsa e chegou ao esporte profissional. Uma viagem ao Brasil no início de 2020 mudou os planos e abriu caminho para a Spaceclass, empresa criada em Minas Gerais que faturou R$ 2 milhões em 2025.

A trajetória profissional de Lucca Lacerda, de 32 anos, tomou um rumo que ele dificilmente poderia prever quando deixou o Brasil para jogar futebol nos Estados Unidos. O mineiro precisou aprender inglês, conseguiu estudar com bolsa, passou por equipes universitárias e assinou contrato profissional antes de ver seus planos interrompidos pela pandemia.

O retorno forçado ao Brasil, em 2020, acabou colocando o idioma que ele havia aprendido para sobreviver nos Estados Unidos no centro de uma nova atividade. Lucca começou dando aulas de inglês para amigos e conhecidos, enquanto as indicações traziam novos alunos.

O trabalho cresceu até dar origem à Spaceclass, criada em Passos, no sul de Minas Gerais. Em julho de 2026, a empresa tinha 40 franquias e 1.300 alunos ativos, além de cursos totalmente digitais e aulas realizadas ao vivo.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Segundo reportagem publicada pelo UOL em 24 de julho de 2026, a empresa faturou R$ 2 milhões em 2025 e estabeleceu como meta alcançar entre R$ 8 milhões e R$ 12 milhões em 2026. O lucro da operação não foi divulgado.

A necessidade de aprender inglês começou antes da bolsa e acompanhou a carreira no futebol

Antes de deixar o país, Lucca havia jogado futsal nas categorias de base e também profissionalmente pelo Minas Tênis Clube. Em 2013, decidiu tentar uma trajetória diferente nos Estados Unidos, onde o futebol poderia ser combinado com uma formação universitária.

O inglês, porém, era uma barreira. Para estudar e competir no ambiente universitário americano, ele precisava dominar um idioma que, segundo seu próprio relato, praticamente não falava quando chegou ao país.

A aprendizagem aconteceu principalmente pela rotina. Treinos, aulas, convivência com outros estudantes e atividades fora da universidade obrigaram o brasileiro a usar inglês diariamente. Ele também contou que recebeu ajuda financeira do pai e realizou trabalhos temporários enquanto tentava se estabelecer.

Registros esportivos da Mercy University ajudam a reconstruir essa fase da carreira e mostram um caminho um pouco mais longo. Antes de chegar à então Mercy College, Lucca havia passado pelo Monroe College. Na Mercy, atuou entre 2015 e 2017 e estudou International Business. Em três temporadas, disputou 49 partidas, marcou 12 gols e deu 19 assistências.

O brasileiro fez mestrado, disputou a primeira divisão universitária e conseguiu contrato profissional em 2019

Lucca Lacerda e Raphael Brito comandam a Spaceclass, rede de ensino de idiomas criada em 2022. (Foto: Arquivo pessoal)

Depois da passagem pela Mercy, Lucca seguiu para a Valparaiso University, em Indiana, onde cursou mestrado em finanças e economia internacional e jogou pela equipe masculina de futebol. A mudança representava um novo estágio tanto na formação acadêmica quanto no esporte.

Ele disputou a primeira divisão do futebol universitário americano e continuou tentando transformar a carreira acadêmica e esportiva em uma oportunidade profissional. Em 2019, esse objetivo se concretizou.

Em 23 de maio daquele ano, a própria Mercy anunciou que seu ex-jogador havia assinado contrato com o Milwaukee Torrent, equipe de Wisconsin que então disputava a National Premier Soccer League. O comunicado da universidade também registrou que Lucca havia jogado uma temporada pela Valparaiso enquanto fazia o mestrado.

A carreira nos Estados Unidos, porém, seria interrompida poucos meses depois por um acontecimento externo ao futebol. No início de 2020, ele voltou ao Brasil para resolver a documentação relacionada ao visto de trabalho.

A viagem que deveria ser temporária coincidiu com a pandemia e impediu o retorno aos Estados Unidos

Em março de 2020, restrições internacionais provocadas pela Covid-19 fecharam fronteiras, cancelaram voos e mudaram planos de milhões de pessoas. Lucca estava no Brasil justamente quando a crise sanitária se espalhou.

Sem conseguir retornar aos Estados Unidos como havia planejado, decidiu permanecer no país e reorganizar a carreira. A experiência acumulada durante anos vivendo em inglês acabou oferecendo uma alternativa.

Ele passou a ensinar inglês informalmente para amigos. Os primeiros alunos começaram a indicar o trabalho para outras pessoas, fazendo com que uma atividade inicialmente pequena aumentasse sem uma estrutura empresarial definida.

Com mais alunos chegando, Lucca percebeu que teria dificuldade para administrar sozinho uma operação maior. A solução foi procurar alguém que já tivesse experiência na expansão de empresas.

Um investimento de R$ 1 milhão levou as aulas informais para uma empresa criada em Passos

Em 2022, Lucca convidou Raphael Brito, também de Passos, para entrar no negócio. Brito já atuava no empreendedorismo e havia fundado a Solar Prime, empresa do setor de energia solar.

O novo sócio investiu R$ 1 milhão na Spaceclass. A partir daí, os dois passaram cerca de dois anos trabalhando na formatação do modelo que posteriormente seria oferecido por franquias.

A operação foi estruturada sem salas de aula físicas. As aulas são realizadas pela internet, mas ocorrem ao vivo, com professores acompanhando os estudantes em tempo real. As turmas podem ter até oito alunos e as aulas ficam gravadas.

A empresa começou com ensino de inglês e também passou a oferecer espanhol e italiano. O modelo inclui aulas individuais, coletivas e programas destinados a empresas que precisam treinar funcionários para comunicação em outros idiomas.

A plataforma também cruza informações como nível de conhecimento, disponibilidade e objetivos do estudante para direcioná-lo a um professor e a uma turma compatíveis. É uma tentativa de reduzir um dos problemas de operações online em escala, que é reunir alunos com necessidades e horários muito diferentes.

Modelo digital permitiu criar franquias sem escolas físicas, mas trouxe o desafio de manter o mesmo padrão entre professores

Quando a operação passou a ser franqueada, a empresa dividiu o modelo entre profissionais responsáveis pelo ensino e franqueados voltados para vendas e captação de alunos. Em julho de 2026, eram 40 unidades em funcionamento, inclusive com participantes da rede vivendo fora do Brasil.

Naquele momento, a reportagem do UOL registrava mensalidades entre R$ 199 e R$ 1.400, dependendo do formato e da frequência das aulas. Os valores de entrada informados eram de R$ 5 mil para o modelo de professor e R$ 25 mil para o comercial.

Esses números, porém, podem mudar à medida que a franquia é reformulada. A página comercial da Spaceclass consultada em agosto de 2026 já anuncia mais de 1.500 alunos ativos, mais de 15 mil aulas ministradas e estudantes atendidos em mais de 12 países. Para o modelo executivo apresentado atualmente no site, o investimento inicial informado é de R$ 15 mil. Os dados são divulgados pela própria empresa e não equivalem a uma auditoria independente de resultados.

O formato digital elimina despesas típicas de uma escola física, como aluguel de salas e manutenção de unidades. Por outro lado, desloca parte do custo e da responsabilidade para tecnologia, treinamento, acompanhamento de professores e controle da experiência oferecida a estudantes espalhados por diferentes locais.

Esse controle se torna especialmente relevante quando uma empresa de educação cresce por franquias. Cada novo professor passa a representar a mesma marca, o que exige critérios de seleção, treinamento e acompanhamento para evitar grandes diferenças entre uma turma e outra.

Mercado de franquias de educação movimenta bilhões e aulas online ao vivo mantêm espaço entre os estudantes

A expansão da Spaceclass ocorre dentro de um mercado muito maior. Dados da Associação Brasileira de Franchising mostram que o segmento de Educação faturou R$ 15,5 bilhões em 2024, crescimento de 9% sobre 2023, reunindo 242 redes e mais de 17 mil operações.

O levantamento também encontrou uma característica que ajuda a explicar a estratégia adotada pela empresa. Embora as aulas presenciais tenham recuperado espaço depois da pandemia, o chamado digital síncrono, formato em que professores e alunos participam simultaneamente da aula pela internet, também apresentou crescimento.

Para Lucca Lacerda, esse mercado surgiu de uma necessidade que começou mais de uma década antes da abertura da empresa. O inglês que inicialmente era uma exigência para continuar jogando e estudando nos Estados Unidos acabou se tornando sua atividade profissional depois que a pandemia interrompeu a tentativa de seguir no futebol.

Agora, a questão passa a ser até onde a Spaceclass consegue ampliar a rede sem perder qualidade. A meta de faturar entre R$ 8 milhões e R$ 12 milhões em 2026 significaria multiplicar várias vezes os R$ 2 milhões registrados no ano anterior, resultado que dependerá da expansão das franquias, das vendas corporativas e da capacidade de manter alunos ativos.

O que você achou da trajetória de Lucca Lacerda e da mudança do futebol profissional para uma empresa de ensino de idiomas? Deixe sua opinião nos comentários e conte se você acredita que modelos de aulas online e ao vivo podem disputar espaço com as escolas tradicionais de idiomas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

Sair da versão mobile