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Brasileiros cruzam a fronteira em busca de uma nova vida no Paraguai, encaram salários menores e um mercado de trabalho completamente diferente, mas impostos de apenas 5% a 10% ajudam a explicar por que a comunidade já chegou a cerca de 270 mil pessoas

Brasileiros cruzam a fronteira em busca de uma nova vida no Paraguai, encaram salários menores e um mercado de trabalho completamente diferente, mas impostos de apenas 5% a 10% ajudam a explicar por que a comunidade já chegou a cerca de 270 mil pessoas

7 min de leitura

Brasileiros cruzam a fronteira em busca de uma nova vida no Paraguai, encaram salários menores e um mercado de trabalho completamente diferente, mas impostos de apenas 5% a 10% ajudam a explicar por que a comunidade já chegou a cerca de 270 mil pessoas

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 22/08/2026 às 17:22

Atualizado em 22/08/2026 às 17:47

Economia

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Brasileiros cruzam a fronteira em busca de uma nova vida no Paraguai

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Paraguai já reúne cerca de 270 mil brasileiros e combina impostos de 5% a 10% com proximidade do Brasil, mas salário local e mercado de trabalho exigem planejamento antes da mudança.

O Paraguai tornou-se o terceiro maior destino de brasileiros no exterior, atrás apenas dos Estados Unidos e de Portugal. O Relatório Consular Anual de 2025, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores em 2026, aponta que 5,1% dos aproximadamente 5,3 milhões de brasileiros que vivem fora do país estão no Paraguai, contingente equivalente a cerca de 270 mil pessoas.

A proximidade geográfica ajuda, mas não explica sozinha essa concentração. O país oferece uma estrutura tributária que chama atenção de empresários, autônomos e famílias: o IVA trabalha principalmente com alíquotas de 5% e 10%, enquanto o aluguel residencial exclusivo é tributado em 5%.

Do outro lado da equação, quem pretende depender do mercado de trabalho paraguaio encontra uma realidade salarial própria: desde julho de 2026, o salário mínimo geral está fixado em 3.044.000 guaranis mensais.

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Paraguai já abriga cerca de 270 mil brasileiros

Segundo o relatório consular, aproximadamente 39% dos brasileiros que vivem no exterior estão nos Estados Unidos, 12% em Portugal e 5,1% no Paraguai.

O país vizinho aparece, portanto, à frente de destinos tradicionalmente associados à imigração brasileira, como Japão, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Itália e Canadá.

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A posição também revela uma característica diferente das grandes migrações para América do Norte, Europa ou Ásia. Para muitos brasileiros, mudar para o Paraguai não significa atravessar um oceano, mas simplesmente uma fronteira terrestre.

Proximidade com o Brasil muda completamente a lógica da mudança

A geografia cria uma vantagem difícil de reproduzir em outros destinos. Paraná e Mato Grosso do Sul possuem conexões diretas com cidades paraguaias e uma dinâmica transfronteiriça consolidada.

Isso permite que brasileiros mantenham vínculos familiares, empresariais e comerciais com o país de origem com muito mais facilidade do que alguém vivendo no Japão, Canadá ou Portugal.

Em determinadas regiões, a fronteira faz parte da vida cotidiana. O resultado é uma migração que pode envolver residência em um país e negócios, clientes ou parentes no outro.

Impostos de 5% e 10% ajudam a entender a fama do Paraguai

Um dos maiores atrativos está na estrutura tributária. A Dirección Nacional de Ingresos Tributarios, autoridade fiscal paraguaia, informa que o IVA possui alíquota de 5% para aluguel de imóveis destinados exclusivamente à moradia, aquisição de imóveis e determinados produtos da cesta básica, medicamentos e produtos agropecuários. Para os demais casos, a alíquota geral é de 10%.

Isso ajuda a construir a imagem do Paraguai como uma economia de tributação relativamente enxuta. Para um empresário ou profissional que analisa onde estabelecer uma operação, a diferença tributária pode representar um elemento importante da decisão.

Impostos de 5% e 10% ajudam a entender a fama do Paraguai

Entretanto, imposto menor não significa automaticamente que todas as despesas pessoais sejam menores.

Quem chega recebendo renda externa enfrenta uma conta diferente

Existe uma diferença fundamental entre dois tipos de mudança. Um brasileiro que trabalha remotamente e continua recebendo do exterior, possui empresa própria ou mantém fontes de renda fora do Paraguai não depende necessariamente do salário médio ou mínimo local para sustentar seu padrão de vida.

Já quem atravessa a fronteira primeiro e pretende procurar emprego depois passa a depender da realidade salarial paraguaia.

Essa distinção ajuda a explicar por que relatos sobre o custo de vida no país podem parecer contraditórios.

Duas famílias vivendo na mesma cidade podem ter experiências financeiras completamente diferentes simplesmente porque uma recebe renda externa e a outra depende do mercado de trabalho local.

Salário mínimo chegou a 3.044.000 guaranis em julho de 2026

Desde 1º de julho de 2026, o salário mínimo paraguaio para atividades gerais está em Gs. 3.044.000 mensais, após reajuste de 5% determinado pelo governo.

O valor mínimo diário para trabalhadores mensalistas ficou em Gs. 101.467, enquanto o valor da hora foi definido em Gs. 12.683. O jornal mínimo passou para Gs. 117.077.

Esses números são fundamentais para quem pensa em migrar procurando emprego. Não basta comparar supermercado, combustível ou impostos com os preços brasileiros. É necessário relacionar essas despesas à renda efetivamente recebida no Paraguai.

Ganhar menos e gastar menos não produz automaticamente uma vantagem

Esse talvez seja o ponto econômico mais importante da mudança. Uma economia pode ter impostos menores e determinados produtos mais baratos, mas isso não significa necessariamente maior poder de compra para todos os trabalhadores.

Se o salário disponível também for menor, a vantagem desaparece parcialmente. Aluguel, alimentação, transporte, educação, saúde e lazer precisam ser comparados como proporção da renda, e não simplesmente convertidos para reais.

Por isso, uma análise baseada apenas em vídeos mostrando preços de supermercado ou imóveis baratos pode levar a conclusões erradas sobre quanto dinheiro uma família realmente precisa para morar no Paraguai.

Tributação baixa pode pesar muito mais para empresas do que para assalariados

O sistema paraguaio torna-se especialmente interessante quando a análise deixa o orçamento doméstico e passa para a atividade empresarial.

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Além do IVA reduzido em determinadas operações, o país construiu ao longo dos anos uma reputação regional de ambiente tributário competitivo.

Isso pode fazer diferença para empresários, profissionais independentes e investidores que avaliam a carga tributária como parte central da escolha do local onde operar.

Para um trabalhador assalariado, porém, a decisão tende a depender mais de salário, emprego disponível, aluguel e despesas familiares.

Comunidade brasileira não está concentrada apenas em Assunção

A presença brasileira no Paraguai possui uma característica histórica importante: ela se espalhou principalmente pelas regiões próximas da fronteira.

Levantamentos consulares anteriores já mostravam grandes comunidades sob responsabilidade dos postos brasileiros de Ciudad del Este, Pedro Juan Caballero, Salto del Guairá e Encarnación, além de Assunção.

Isso está diretamente ligado à integração econômica entre os dois países, à agricultura, ao comércio e à mobilidade fronteiriça construída ao longo de décadas.

O brasileiro que se muda para o Paraguai, portanto, nem sempre está escolhendo a capital. Dependendo da atividade profissional, a região fronteiriça pode ser economicamente mais relevante.

Comércio é apenas uma parte da relação econômica entre os países

Para muitos brasileiros, Paraguai ainda é quase sinônimo de compras em Ciudad del Este. Essa visão mostra apenas uma parcela do país.

Agronegócio, serviços, construção, indústria, logística, comércio exterior e investimentos imobiliários também participam da economia paraguaia.

A forte presença de brasileiros no setor agropecuário, especialmente no leste do país, possui raízes de várias décadas e ajudou a criar comunidades de língua portuguesa em diferentes localidades.

Essa história econômica é uma das razões pelas quais o contingente brasileiro conseguiu alcançar uma escala tão elevada.

Mercado local precisa ser analisado antes de atravessar a fronteira

A proximidade pode produzir uma falsa sensação de que mudar para o Paraguai é semelhante a trocar de estado no Brasil.

Não é.

Embora os países pertençam ao Mercosul e tenham forte integração, continuam sendo territórios diferentes, com sistemas tributários, previdenciários, trabalhistas, bancários e documentais próprios.

Quem pretende trabalhar formalmente, abrir empresa ou residir permanentemente precisa considerar essas diferenças antes de comprometer a reserva financeira com mudança, aluguel e instalação.

O maior risco é confundir preço baixo com poder de compra alto

O crescimento da comunidade brasileira mostra que o Paraguai funciona economicamente para centenas de milhares de pessoas. Mas isso não significa que a fórmula seja idêntica para todos.

Um imóvel aparentemente barato pode representar parcela elevada de um salário local. Um carro mais acessível pode continuar exigindo uma renda elevada para manutenção. Um sistema tributário enxuto beneficia especialmente quem efetivamente possui renda tributável ou atividade empresarial capaz de aproveitar essa estrutura.

A pergunta correta, portanto, não é simplesmente se “o Paraguai é mais barato que o Brasil”. É quanto uma pessoa consegue ganhar, quanto precisa gastar e de qual moeda vem sua renda.

Os 270 mil brasileiros mostram que existe uma economia transfronteiriça consolidada

Ainda assim, o tamanho da comunidade é difícil de ignorar. Com aproximadamente 270 mil residentes estimados, o Paraguai abriga cerca de um em cada vinte brasileiros que vivem fora do país, de acordo com os dados consulares de 2025.

A combinação é poderosa: fronteira terrestre, língua relativamente próxima, décadas de integração, IVA de apenas 5% em determinadas operações e 10% na alíquota geral, além de uma comunidade brasileira suficientemente grande para criar redes comerciais e sociais próprias.

Mas os números também mostram por que a decisão precisa ir além da ideia de “vida barata”. O salário mínimo local de Gs. 3.044.000 deixa claro que quem pretende depender de emprego paraguaio precisa fazer uma conta muito diferente daquela de um brasileiro que atravessa a fronteira mantendo renda em reais, dólares ou outra moeda.

É justamente nesse contraste que está a explicação para o fenômeno: o Paraguai pode ser extremamente competitivo para determinados perfis de trabalhador, empresário e investidor, mas o benefício não nasce simplesmente do preço das coisas. Ele depende sobretudo da relação entre renda, impostos e custo real de viver no país.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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