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Brasileiros fazem fila por horas no Paraguai, pedidos de residência mais que dobram em 5 anos e impostos menores atraem empresários, aposentados e famílias em busca de uma nova vida

Brasileiros fazem fila por horas no Paraguai, pedidos de residência mais que dobram em 5 anos e impostos menores atraem empresários, aposentados e famílias em busca de uma nova vida

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Brasileiros fazem fila por horas no Paraguai, pedidos de residência mais que dobram em 5 anos e impostos menores atraem empresários, aposentados e famílias em busca de uma nova vida

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 05/08/2026 às 20:14

Atualizado em 05/08/2026 às 20:15

Economia

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Fila de brasileiros ilustra o aumento da procura por residência no Paraguai, impulsionada por fatores como impostos menores e custo de vida.

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Brasileiros ampliam pedidos de residência no Paraguai, enquanto empresários, aposentados e famílias citam impostos, custo de vida e ambiente político entre os motivos para atravessar a fronteira.

Em março de 2026, centenas de brasileiros passaram horas em uma fila formada em Ciudad del Este para participar de um mutirão do governo paraguaio destinado à emissão de documentos de residência. A procura chamou atenção pelo tamanho e pelo perfil de quem aguardava atendimento na principal cidade da fronteira com o Brasil.

O movimento ocorre em meio ao avanço das autorizações concedidas a brasileiros. Segundo a Direção Nacional de Migrações do Paraguai, 23.526 residências foram emitidas para cidadãos do Brasil em 2025. Entre janeiro e março de 2026, outras 9.195 autorizações foram concedidas.

Brasileiros fizeram fila em Ciudad del Este para conseguir residência no Paraguai

O mutirão realizado em Ciudad del Este começou a receber interessados antes mesmo da abertura oficial do atendimento. Brasileiros chegaram com cadeiras, alimentos e objetos para enfrentar horas de espera até a distribuição das fichas.

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Entre os participantes estavam empresários, aposentados e famílias de diferentes regiões do Brasil. Parte deles afirmou buscar melhores condições para empreender, menor custo de vida e uma estrutura tributária considerada mais simples.

A procura representa uma mudança importante em relação aos anos anteriores. Cornelio Melgarejo, responsável pela imigração em Alto Paraná, afirmou que estudantes de Medicina formavam anteriormente a maioria dos brasileiros interessados em residência.

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Número de residências concedidas a brasileiros mais que dobrou em cinco anos

Os dados oficiais mostram que o crescimento não aconteceu apenas em 2026. Em 2020, o Paraguai concedeu 10.039 residências a brasileiros. O número passou para 12.413 em 2021 e ficou em 12.409 no ano seguinte.

Em 2023, foram 14.365 autorizações. O total subiu para 17.139 em 2024 e chegou a 23.526 em 2025, mais que o dobro do volume registrado cinco anos antes.

O Paraguai também alcançou um recorde geral em 2025, com 40,6 mil autorizações de residência concedidas a estrangeiros. Mais da metade desse total foi destinada a brasileiros, enquanto os argentinos apareceram em segundo lugar, com cerca de 4,3 mil registros.

Impostos menores aparecem entre os principais motivos para a mudança

A carga tributária aparece com frequência entre os argumentos apresentados pelos brasileiros interessados em viver no Paraguai. O país consolidou ao longo das últimas décadas um sistema conhecido como 10-10-10, associado às principais alíquotas sobre consumo, renda pessoal e empresas.

Segundo os dados apresentados na reportagem original, a carga tributária do Paraguai gira em torno de 14,5% do PIB. No Brasil, o percentual é superior a 30%, diferença que ajuda a explicar o interesse de empresários pela mudança.

O Paraguai também utiliza o regime de maquila, criado para estimular a instalação de fábricas voltadas à exportação. Nesse modelo, empresas importam matérias-primas, produzem no território paraguaio e contam com condições tributárias reduzidas.

Brasileiros aguardam atendimento durante busca por residência no Paraguai.

Empresários e aposentados passaram a substituir estudantes de Medicina nas filas

O perfil dos brasileiros interessados em residência mudou nos últimos anos. Estudantes de Medicina ainda fazem parte do movimento, mas empresários e aposentados aparecem com frequência maior nos atendimentos migratórios.

As pessoas interessandas na mudança, relatam que a decisão também foi influenciada por posições políticas e críticas ao governo brasileiro. Essas declarações refletem percepções pessoais e não representam indicadores oficiais sobre a situação econômica ou institucional do país.

Redes sociais tiveram papel importante nesse processo. Muitos brasileiros disseram ter conhecido as regras de residência, tributação e abertura de empresas por vídeos publicados na internet por pessoas que já vivem ou trabalham no Paraguai.

Redes sociais transformaram Paraguai em opção para brasileiros que pensavam em Europa ou Austrália

Marcelo Mendes, arquiteto aposentado de Recife, havia considerado uma mudança para Portugal, onde sua filha vive. Depois de acompanhar conteúdos sobre o Paraguai nas redes sociais, passou a estudar uma possível mudança para Encarnación.

Outros brasileiros relataram trajetórias semelhantes. Alguns chegaram ao país sem conhecer detalhadamente as exigências migratórias, motivados principalmente por vídeos que destacavam impostos menores, custo de vida e facilidade para empreender.

Moradores brasileiros que já vivem no Paraguai, entretanto, também alertam que o país não deve ser apresentado como um destino sem problemas. A realidade inclui diferenças importantes nos serviços públicos e no mercado de trabalho.

Paraguai tem impostos menores, mas enfrenta limitações em saúde e trabalho

O custo tributário mais baixo convive com um Estado que oferece menos proteção social em algumas áreas. Trabalhadores paraguaios não possuem FGTS e seguro-desemprego nos mesmos moldes existentes no Brasil.

As férias começam em 12 dias úteis por ano e aumentam conforme o tempo de serviço. A informalidade também é elevada, alcançando 62,5% segundo os dados citados na reportagem.

O sistema público de saúde apresenta limitações apesar da gratuidade prevista em lei. Em determinadas situações, pacientes precisam pagar por medicamentos, seringas e outros materiais utilizados durante o atendimento.

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Caio Aviz

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Crescimento das residências temporárias não garante mudança definitiva para o Paraguai

Os números também revelam que muitos brasileiros ainda podem estar testando a vida no país antes de uma mudança permanente. Em 2025, apenas cerca de 4,6 mil das 23,5 mil residências concedidas a brasileiros eram permanentes.

Isso representa aproximadamente 19% do total. Em 2020, as residências permanentes correspondiam a cerca de 68% das autorizações emitidas para brasileiros.

A diferença mostra que o crescimento atual está concentrado principalmente nas residências temporárias. Parte dos novos moradores pode permanecer no Paraguai, enquanto outros podem retornar ao Brasil depois de algum tempo.

Comunidade brasileira no Paraguai já estava entre as maiores do mundo em 2023

A última estimativa do governo brasileiro citada na reportagem apontava que aproximadamente 263 mil brasileiros viviam no Paraguai em 2023. O país já abrigava uma das maiores comunidades brasileiras no exterior, atrás apenas dos Estados Unidos e de Portugal.

Os dados mais recentes mostram que o interesse pelo Paraguai continua crescendo, especialmente entre pessoas atraídas por impostos menores, custo de vida e possibilidades de negócios. Ao mesmo tempo, serviços públicos mais limitados e a elevada informalidade mostram que a mudança envolve vantagens e desafios.

O avanço das autorizações confirma que o Paraguai ganhou espaço entre os destinos considerados por brasileiros que desejam recomeçar fora do país. Ainda não está claro, porém, quantos desses novos residentes transformarão a experiência temporária em uma mudança definitiva.

Você acredita que impostos menores e custo de vida reduzido compensam as diferenças nos serviços públicos para quem pensa em viver no Paraguai?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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