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Brasileiros poderão pagar colocando a mão sobre máquina, sem cartão ou celular, se testes da Positivo avançarem no varejo ainda em 2026, enquanto sensores leem linhas e vasos sanguíneos para ligar a palma cadastrada diretamente ao Pix ou ao cartão

Brasileiros poderão pagar colocando a mão sobre máquina, sem cartão ou celular, se testes da Positivo avançarem no varejo ainda em 2026, enquanto sensores leem linhas e vasos sanguíneos para ligar a palma cadastrada diretamente ao Pix ou ao cartão

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Brasileiros poderão pagar colocando a mão sobre máquina, sem cartão ou celular, se testes da Positivo avançarem no varejo ainda em 2026, enquanto sensores leem linhas e vasos sanguíneos para ligar a palma cadastrada diretamente ao Pix ou ao cartão

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 15/08/2026 às 13:06

Atualizado em 15/08/2026 às 13:37

Economia

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Mão sobre máquina poderá identificar clientes e autorizar pagamentos no Brasil, caso os testes da Positivo avancem no varejo em 2026.
Imagem: Divulgação/Positivo

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A tecnologia combina câmera comum, infravermelho e verificação de vivacidade para reconhecer o usuário após um cadastro inicial. A mão sobre máquina poderia identificar clientes, acionar programas de fidelidade e autorizar pagamentos, mas a implantação depende dos testes, da troca de equipamentos, da integração e da proteção dos dados biométricos.

Colocar a mão sobre máquina poderá ser suficiente para identificar o comprador e, futuramente, autorizar um pagamento em lojas brasileiras. A Positivo prepara testes de uma maquininha desenvolvida em parceria com a chinesa Tencent, mas a experiência ainda não está disponível de maneira ampla e não substitui cartões ou celulares no país neste momento.

As primeiras demonstrações em estabelecimentos físicos estão previstas para o último trimestre de 2026. O plano inicial concentra-se na identificação de consumidores e em programas de fidelidade; a ligação com Pix ou cartão aparece como uma etapa posterior. A proposta é concreta, mas sua chegada ao caixa cotidiano depende de resultados técnicos, comerciais, financeiros e regulatórios.

Positivo pretende iniciar demonstrações no varejo ainda em 2026

Mão sobre máquina poderá identificar clientes e autorizar pagamentos no Brasil, caso os testes da Positivo avancem no varejo em 2026.

A tecnologia foi apresentada pela Positivo em eventos ligados ao varejo no início do ano. De acordo com a reportagem do UOL Tilt, a empresa pretende colocar os equipamentos em varejistas e supermercados durante o último trimestre de 2026 para demonstrar como o reconhecimento funciona em situações reais.

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Essa fase deve testar a resposta dos sensores, o tempo necessário para localizar um cadastro e a reação dos consumidores. Também permitirá observar como o equipamento se comporta diante de iluminação variável, movimento no caixa e fluxo elevado de pessoas, condições diferentes das encontradas numa apresentação controlada.

O cronograma divulgado não equivale a uma estreia nacional dos pagamentos. Não foram informados os estabelecimentos participantes, a quantidade de máquinas, o número de consumidores envolvidos nem uma data para comercialização em escala. Por enquanto, falar em mão sobre máquina significa falar de uma tecnologia em validação, não de uma opção presente em qualquer supermercado.

Duas câmeras tentam reconhecer superfície e vasos sanguíneos

O equipamento combina uma câmera RGB, uma câmera infravermelha e uma fonte de luz. A primeira registra características visíveis da palma, como linhas e contornos. A segunda procura padrões vasculares localizados abaixo da pele, acrescentando outra camada de informação ao processo de identificação.

O flash auxilia a leitura infravermelha e a verificação de sinais associados à circulação. Esse mecanismo integra a chamada detecção de vivacidade, usada para reduzir a possibilidade de o sistema aceitar apenas uma fotografia ou outra representação estática apresentada diante do sensor.

As imagens captadas são processadas em conjunto para formar uma referência biométrica relacionada ao cadastro do usuário. A Positivo afirma que a combinação oferece segurança superior ao reconhecimento facial e dispensa a exposição do rosto, mas não divulgou no material citado estudos independentes comparando os índices de erro. A promessa de precisão ainda precisará ser comprovada nos testes brasileiros e em uso prolongado.

Cadastro inicial liga a palma à identidade do consumidor

Antes da primeira compra, o consumidor precisaria registrar a palma e associá-la a um perfil. Na demonstração acompanhada pelo UOL, a leitura levou poucos segundos. Depois desse vínculo inicial, o sistema passou a reconhecer a pessoa quando ela posicionava a mão aberta diante do equipamento.

Num caixa, o vendedor informaria o valor da compra e o cliente aproximaria a palma do sensor sem encostá-la. A identificação recuperaria o meio de pagamento anteriormente associado e encaminharia a autorização. A proposta elimina a necessidade de retirar um cartão da carteira ou abrir um aplicativo naquele momento.

O vice-presidente de negócios da Positivo, Norberto Maraschin, apresentou ainda a possibilidade de associar mãos diferentes a modalidades distintas, como Pix e cartão. O exemplo mostra a flexibilidade imaginada para o sistema, mas não representa uma função já liberada no mercado brasileiro. Estender a mão sobre máquina só funcionaria depois de cadastro, autorização e vinculação prévia a uma conta ou cartão.

Biometria identifica a pessoa, mas não cria dinheiro novo

A palma não funciona como uma conta bancária independente. Ela atua como uma credencial capaz de indicar ao sistema qual usuário está diante do terminal. O valor continua saindo de uma fonte financeira vinculada, como uma conta usada pelo Pix ou um cartão aceito pelo estabelecimento.

Essa distinção ajuda a entender o que realmente muda. A rede de pagamento, as verificações antifraude e as regras da instituição financeira continuariam existindo nos bastidores. O gesto substituiria a etapa visível de apresentar o cartão, digitar informações ou acessar o telefone, sem eliminar toda a infraestrutura necessária para concluir a compra.

Em caso de saldo insuficiente, limite indisponível ou bloqueio da instituição, o reconhecimento correto da palma não garantiria a aprovação. A mão sobre máquina seria uma chave de autenticação; a decisão financeira continuaria sujeita às mesmas condições da modalidade escolhida.

Dados da palma recebem proteção especial pela LGPD

Linhas, formato e mapa vascular podem se tornar uma identificação persistente quando vinculados a uma pessoa. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados classifica informações biométricas associadas a um indivíduo como dados pessoais sensíveis, categoria que recebe proteção reforçada na Lei Geral de Proteção de Dados.

Isso exige que as empresas envolvidas definam finalidade, base legal, tempo de retenção, medidas de segurança e procedimentos para atender os direitos do titular. Também será necessário explicar quem controla a base, quais parceiros processam as informações, em que local ocorre o armazenamento e como o cadastro poderá ser excluído.

A ANPD colocou o tratamento de biometria em sua agenda regulatória e destacou riscos envolvendo fraudes, discriminação e perda de controle sobre identificadores permanentes. Uma senha pode ser alterada após um vazamento; características biométricas não podem simplesmente ser substituídas, o que aumenta a importância da prevenção.

Base centralizada precisa funcionar entre lojas e sistemas diferentes

Para reconhecer o mesmo consumidor em estabelecimentos distintos, a solução precisaria consultar uma referência biométrica compartilhada ou interoperável. A Positivo menciona a necessidade de uma base centralizada e criptografada, mas ainda não detalhou publicamente toda a arquitetura prevista para a operação brasileira.

Uma questão decisiva será saber se o sistema armazenará imagens originais, modelos matemáticos derivados da leitura ou ambos. A Tencent informa que suas soluções internacionais transformam características da palma em referências criptografadas, porém isso não comprova que exatamente o mesmo desenho técnico será adotado nos testes locais.

Também será necessário limitar acessos e separar informações sempre que possível. Um cadastro biométrico ligado ao histórico de consumo pode revelar hábitos e permitir a formação de perfis comerciais. A conveniência da mão sobre máquina não elimina o dever de coletar apenas o necessário e impedir usos diferentes daqueles apresentados ao cliente.

Rapidez no caixa pode não compensar o custo da troca

A proposta procura reduzir etapas em locais de grande circulação. Depois do cadastro, o consumidor não dependeria da bateria do telefone, de um cartão físico ou da abertura de aplicativos. Para empresas, alguns segundos poupados em cada atendimento poderiam ter impacto quando milhares de compras passam pelo mesmo ponto.

O ganho, entretanto, precisa ser comparado com as formas atuais. Cartões por aproximação e Pix já tornam a autorização relativamente rápida. Jean Paul Rebetez, da Gouvêa Consulting, observou ao UOL que a conferência e o manuseio dos produtos costumam ocupar mais tempo do que o pagamento em si.

A maquininha exige componentes adicionais, tornando o equipamento mais caro. Haveria ainda despesas com integração, suporte, segurança, manutenção e treinamento. O varejo tende a adotar uma tecnologia quando ela reduz custos, aumenta vendas ou resolve um problema evidente; apenas parecer futurista não garante espaço no caixa.

Encerramento do Amazon One expõe o desafio da adesão

O pagamento com a palma já foi testado por grandes companhias fora do Brasil, mas nem toda implantação se transformou em hábito. A Amazon decidiu encerrar o Amazon One em estabelecimentos de varejo em 3 de junho de 2026, conforme informa a página oficial do serviço na AWS.

Segundo a fonte principal, a empresa atribuiu a decisão à baixa adesão. O caso mostra que rapidez técnica e funcionamento correto não bastam: consumidores precisam enxergar vantagem suficiente para realizar o cadastro e aceitar o tratamento de uma informação sensível.

O encerramento no varejo não significa que toda autenticação por palma tenha desaparecido. A AWS continua apresentando uma solução empresarial voltada à identificação e ao controle de acesso. A experiência da Amazon serve menos como sentença contra a tecnologia e mais como alerta sobre a diferença entre demonstração, disponibilidade e uso recorrente.

Tencent já levou reconhecimento da palma a outros mercados

A parceria da Positivo utiliza tecnologia da Tencent, que opera soluções semelhantes na China e em outros territórios. A empresa combina leitura das linhas e dos vasos para pagamentos, identificação e acesso em ambientes como lojas, estações, universidades e instalações empresariais.

Em 2024, a Tencent anunciou o uso do Weixin Palm Pay em mais de 60 pontos comerciais de Macau. A companhia informou que o serviço já era aplicado na China continental desde 2023 em contextos como transporte, alimentação, academias e varejo.

Outro projeto ligou a tecnologia à Visa em Singapura, permitindo que participantes cadastrassem a palma e a associassem a cartões de bancos selecionados. Esses exemplos comprovam que o método pode operar fora de laboratório, mas não determinam como será sua aceitação no Brasil. Regulação, meios de pagamento, custos e confiança variam entre mercados.

Uruguai e laboratório brasileiro também testaram conceito semelhante

A Positivo não é a primeira empresa a avaliar pagamentos biométricos na região. A Ingenico trabalhou com Mastercard, Fujitsu Frontech, Fulcrum Biometrics e Scanntech numa experiência realizada em uma unidade da rede Tienda Inglesa, no Uruguai.

De acordo com a Ingenico, o projeto usa luz infravermelha para identificar padrões das veias e aciona um cartão tokenizado associado ao cadastro. A empresa também realizou uma demonstração em laboratório da Cielo, em São Paulo, segundo o UOL.

Testes fechados ajudam a avaliar precisão e integração sem expor imediatamente um grande número de clientes. O novo passo anunciado pela Positivo procura levar a experiência ao ambiente físico do varejo. A diferença será observar como pessoas comuns reagem ao cadastro e à mão sobre máquina durante uma compra real.

Identificação pode chegar antes do pagamento propriamente dito

A aplicação inicial considerada pela Positivo envolve reconhecer participantes de programas de fidelidade. Em vez de informar CPF, telefone ou apresentar um aplicativo, o consumidor cadastrado poderia usar a palma para localizar benefícios, pontos ou ofertas vinculadas à conta.

A empresa também enxerga possibilidades em controle de acesso, catracas, transporte e prova de vida. Outra hipótese citada envolve a identificação de beneficiários no cashback previsto pela reforma tributária, evitando que créditos sejam direcionados a terceiros. Nenhum desses usos, porém, foi anunciado como serviço público contratado ou aprovado.

Expandir a mesma biometria para várias finalidades aumenta a conveniência, mas também amplia o impacto de uma falha. Quanto mais funções forem ligadas à palma, maior será a necessidade de permitir escolhas separadas, informar cada uso e evitar que aceitar um serviço obrigue o consumidor a aceitar todos os outros.

Pagamento sem celular dependerá de confiança além da tecnologia

O funcionamento técnico parece simples para quem está no caixa: cadastro inicial, valor informado e mão aberta diante do leitor. Nos bastidores, entretanto, a operação exige sensores confiáveis, conexão, integração financeira, proteção contra fraude, atendimento para falhas e regras claras sobre os dados.

Os testes previstos para 2026 deverão indicar se o ganho de velocidade justifica a substituição das maquininhas e se os consumidores aceitam vincular uma característica permanente às compras. Também será importante preservar alternativas para quem não quiser ou não puder utilizar biometria.

A mão sobre máquina pode retirar cartão e celular do gesto de pagar, mas não elimina as perguntas sobre custo, privacidade e escolha. Você usaria a palma para concluir compras ou preferiria continuar com Pix e cartão? Conte nos comentários qual benefício ou preocupação mais pesaria na sua decisão.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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