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Brasileiros que deixaram o país pelo Canadá enfrentam inverno rigoroso e uma crise de moradia que preocupa quase metade da população, mas estabilidade, salários e segurança ajudam a explicar uma comunidade que chegou a 151 mil pessoas
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 22/08/2026 às 22:33
Atualizado em 22/08/2026 às 22:36
Economia
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Canadá reúne cerca de 151 mil brasileiros, mas aluguel de até C$ 3,1 mil, inverno rigoroso e mudanças na imigração tornam o planejamento financeiro cada vez mais decisivo.
O Canadá consolidou-se como um dos principais destinos dos brasileiros que vivem no exterior. O Relatório Consular Anual 2025 do Ministério das Relações Exteriores estima aproximadamente 151 mil brasileiros no país, colocando o território canadense entre as dez maiores comunidades brasileiras fora do Brasil. A atração combina mercado de trabalho, salários em dólar canadense e indicadores de segurança, mas a equação financeira ficou consideravelmente mais difícil por causa da moradia.
O contraste aparece nos números. No primeiro trimestre de 2026, um apartamento de dois quartos anunciado para novos inquilinos custava em média C$ 2.150 por mês nas regiões metropolitanas canadenses, chegando a C$ 2.660 em Toronto e C$ 3.100 em Vancouver. Embora esses valores tenham recuado ligeiramente em relação a 2025, uma pesquisa oficial já havia mostrado que 45% dos canadenses estavam muito preocupados com sua capacidade de pagar pela moradia diante da alta de aluguéis e preços dos imóveis.
Comunidade brasileira no Canadá chegou a cerca de 151 mil pessoas
Os dados divulgados a partir do Relatório Consular Anual 2025 colocam o Canadá como o nono maior destino de brasileiros no exterior.
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A estimativa de 151 mil pessoas deixa o país atrás de Estados Unidos, Portugal, Paraguai, Japão, Espanha, Reino Unido, Alemanha e Itália, mas à frente da França. No total, o Itamaraty estimou aproximadamente 5,29 milhões de brasileiros vivendo fora do país em 2025.
O número do Itamaraty é uma estimativa consular, portanto não deve ser confundido com um censo exato de residentes. A metodologia utiliza informações produzidas pelos postos diplomáticos brasileiros para dimensionar as comunidades no exterior.
Moradia virou uma das partes mais difíceis da conta canadense
O grande obstáculo econômico está no preço de ter onde morar. Dados divulgados pela Statistics Canada em junho de 2026 mostram que o aluguel médio pedido por um apartamento de dois quartos ficou em C$ 2.150 considerando conjuntamente as regiões metropolitanas pesquisadas.
Há, porém, enormes diferenças regionais. Vancouver permaneceu no topo, com C$ 3.100 mensais, seguida por Toronto, com C$ 2.660. Ottawa-Gatineau, na parte de Ontário, registrou C$ 2.350, enquanto Montréal e Calgary ficaram em C$ 1.900. Em Edmonton, a média foi de C$ 1.580.
Isso significa que escolher a cidade pode alterar em mais de C$ 1.500 por mês somente a despesa potencial com um imóvel de dois quartos.
Quase metade dos canadenses já demonstrou preocupação com habitação
A pressão não atinge apenas quem chega do exterior. Em levantamento realizado pela Statistics Canada entre agosto e setembro de 2024, 45% dos entrevistados disseram estar muito preocupados com sua capacidade de pagar pela habitação devido à elevação dos preços dos imóveis ou dos aluguéis.
Outros 35% afirmaram ter enfrentado dificuldades para atender às próprias necessidades financeiras, incluindo moradia, alimentação e transporte.
Além disso, 34% disseram que alguém do domicílio havia passado por dificuldade financeira significativa por causa do aumento do aluguel ou das prestações imobiliárias.
É um indicador importante porque desmonta a ideia de que salários em moeda forte tornam automaticamente a vida confortável.
Salário médio por hora chegou a C$ 37,17 em julho de 2026
O outro lado da equação aparece no mercado de trabalho. Em julho de 2026, a remuneração horária média dos empregados canadenses estava em C$ 37,17, alta de 2,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
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No mês anterior, os trabalhadores em tempo integral recebiam em média C$ 1.536,63 por semana, segundo a Statistics Canada. A jornada semanal média desse grupo era de 39,1 horas.
Esses valores são médias nacionais e não representam o rendimento garantido de um imigrante recém-chegado. Profissão, experiência canadense, idioma, província, reconhecimento de diploma e situação migratória interferem diretamente na remuneração.
Ainda assim, ajudam a explicar por que o Canadá continua sendo economicamente atraente para profissionais capazes de acessar setores mais qualificados.
Desemprego caiu para 6,4% e emprego voltou a crescer
O mercado canadense passou por desaceleração, mas apresentou melhora recente. Em julho de 2026, foram criados 75 mil postos de trabalho e o total de pessoas ocupadas chegou a aproximadamente 21,2 milhões. A taxa de desemprego caiu para 6,4%, menor nível registrado em dois anos.
Houve crescimento do emprego em comércio atacadista e varejista, finanças, seguros, mercado imobiliário, serviços profissionais, científicos e técnicos e construção.
Ontário, onde está Toronto, respondeu por aproximadamente 52 mil novos empregos no mês, enquanto a Colúmbia Britânica acrescentou 18 mil.
O cenário é mais favorável que alguns meses antes, mas ainda exige cautela de quem pretende desembarcar dependendo de encontrar trabalho imediatamente.
Segurança continua pesando na percepção sobre qualidade de vida
A segurança também aparece frequentemente entre os fatores associados à vida canadense, embora o país esteja longe de não possuir criminalidade.
Os dados mais recentes da Statistics Canada mostram que o Índice de Gravidade do Crime caiu 5% em 2025, segundo recuo anual consecutivo. O indicador específico para crimes violentos caiu 4%, enquanto o de crimes não violentos recuou 5%.
O índice nacional terminou 2025 em 75 pontos. Nas grandes regiões urbanas, Toronto apresentou índice de 55 e Montréal, de 61,3. Ottawa ficou em 50,6. Os números variam significativamente pelo território, portanto não é adequado tratar todo o Canadá como uma realidade uniforme.
Ainda assim, o recuo dos indicadores ajuda a compreender por que segurança permanece entre os elementos levados em conta por famílias que consideram a mudança.
Inverno muda completamente a rotina de quem sai do Brasil
Existe ainda uma adaptação que nenhuma conversão cambial consegue mostrar: o clima.
Boa parte das principais cidades canadenses enfrenta meses de temperaturas negativas, neve, gelo nas ruas e dias muito mais curtos durante o inverno.
O impacto não é apenas pessoal. O frio pode significar gastos adicionais com roupas adequadas, aquecimento, pneus de inverno em determinadas condições e maior dependência de transporte.
As diferenças regionais também são enormes. Vancouver possui clima relativamente mais moderado, enquanto cidades do interior e das pradarias podem enfrentar temperaturas muito mais baixas.
Canadá também está reduzindo o ritmo da imigração
Há outra mudança importante para quem ainda planeja sair do Brasil. O governo canadense está reduzindo as metas migratórias em relação aos níveis projetados alguns anos atrás, numa tentativa declarada de equilibrar crescimento populacional, habitação e capacidade dos serviços públicos.
O plano apresentado ao Parlamento prevê 380 mil admissões de residentes permanentes em 2026, número que se mantém como referência também para 2027 e 2028 no relatório mais recente. Para residentes temporários, a projeção de 2026 é de 385 mil novas admissões, sendo 230 mil trabalhadores e 155 mil estudantes.
O país continua recebendo centenas de milhares de pessoas, mas busca controlar mais fortemente o ritmo de crescimento da população temporária.
Toronto e Vancouver mostram por que salário alto não basta
Um trabalhador que observa apenas o salário médio canadense pode enxergar valores bastante superiores aos encontrados em muitas ocupações no Brasil.
Mas um recém-chegado procurando um apartamento de dois quartos encontra preço médio anunciado de C$ 2.660 mensais.
Em Vancouver, a barreira chega a C$ 3.100.
Já Edmonton apresenta média de C$ 1.580, pouco mais da metade do preço registrado em Vancouver.
A escolha da região, portanto, pode ser tão importante quanto a escolha da profissão para determinar quanto dinheiro efetivamente sobra ao final do mês.
151 mil brasileiros mostram que o Canadá ainda exerce enorme atração
De um lado, o aluguel de dois quartos continua acima de C$ 3 mil em Vancouver, 45% dos canadenses já demonstraram forte preocupação com a capacidade de pagar pela moradia e o governo reduziu o ritmo planejado de imigração.
Do outro, o salário horário médio chegou a C$ 37,17, o desemprego recuou para 6,4%, o emprego cresceu e os indicadores nacionais de gravidade da criminalidade caíram novamente.
O Canadá continua oferecendo oportunidades econômicas importantes, mas a antiga fórmula de simplesmente “ganhar em dólar” já não explica sozinha a realidade.
Para quem pretende reconstruir a vida no país, a pergunta central passou a envolver emprego, cidade, aluguel, documentação e renda simultaneamente.
E, em um território onde o mesmo apartamento de dois quartos pode custar em média C$ 1.580 em Edmonton ou C$ 3.100 em Vancouver, escolher onde morar pode representar uma diferença financeira tão importante quanto decidir deixar o Brasil.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

