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Brasileiros que trocaram o país pelo Japão encaram turnos de 12 horas por dia, mas dizem que a segurança de andar na rua sem medo e a qualidade de vida compensam, numa comunidade que já passa de 210 mil pessoas

Brasileiros que trocaram o país pelo Japão encaram turnos de 12 horas por dia, mas dizem que a segurança de andar na rua sem medo e a qualidade de vida compensam, numa comunidade que já passa de 210 mil pessoas

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Brasileiros que trocaram o país pelo Japão encaram turnos de 12 horas por dia, mas dizem que a segurança de andar na rua sem medo e a qualidade de vida compensam, numa comunidade que já passa de 210 mil pessoas

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 19/08/2026 às 16:49

Atualizado em 19/08/2026 às 16:50

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Brasileiros no Japão enfrentam jornadas de até 12 horas, mas destacam segurança e qualidade de vida em comunidade que já supera 210 mil pessoas.

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Fernanda Pires e Leonardo Tangoda deixaram Matão, no interior de São Paulo, e foram ao Japão em 2022 em busca de estabilidade financeira e segurança. O casal enfrentou jornadas noturnas de 12 horas, enquanto a comunidade brasileira no país já ultrapassava 210 mil pessoas, segundo dados oficiais divulgados em 2023.

A educadora física Fernanda Pires, de 27 anos, e o operador de máquinas Leonardo Tangoda, de 26, decidiram deixar o Brasil depois de uma fase em que as contas não fechavam e os dois ficavam frequentemente no vermelho. No Japão, encontraram uma rotina que chegou a incluir turnos de 12 horas, mas passaram a destacar segurança, renda e qualidade de vida entre as vantagens da mudança.

Segundo reportagem publicada pelo Terra em 17 de novembro de 2023, o casal faz parte de uma comunidade brasileira que ultrapassava 210 mil pessoas no Japão, conforme dados daquele ano da Agência de Serviços de Imigração. A trajetória dos dois mostra também o peso das fábricas, dos contratos temporários e do pagamento por hora na experiência de parte desses trabalhadores.

Comunidade brasileira chegou a 317 mil pessoas no Japão em 2008

Brasileiros no Japão enfrentam jornadas de até 12 horas, mas destacam segurança e qualidade de vida em comunidade que já supera 210 mil pessoas.

O número de brasileiros no Japão já foi consideravelmente maior. Em 2008, ano da crise econômica global, havia 317 mil brasileiros vivendo no país asiático.

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O Ministério das Relações Exteriores do Brasil estima que mais de 50 mil pessoas retornaram ao país entre 2008 e 2009. A partir de 2010, a quantidade de brasileiros no Japão permaneceu praticamente estável.

Brasileiros passaram a disputar vagas com trabalhadores de outros países

Angelo Ishi, professor de sociologia da Musashi University, em Tóquio, associa parte dessa estabilidade à ampliação da busca japonesa por trabalhadores de diferentes nacionalidades.

Brasileiros passaram a competir no mercado de trabalho com indonésios, filipinos, malasianos e vietnamitas, entre outros estrangeiros. Essa mudança ampliou a disputa por oportunidades que durante anos atraíram descendentes de japoneses nascidos no Brasil.

Fernanda ganhava cerca de R$ 12 por hora antes de deixar o Brasil

Fernanda e Leonardo moravam em Matão, no interior de São Paulo, antes da mudança. Como educadora física, ela precisava trabalhar em várias academias para tentar aumentar a renda.

Fernanda recebia aproximadamente R$ 12 por hora trabalhada. Dependendo da quantidade de aulas disponíveis, a remuneração no fim do mês não chegava a R$ 1 mil.

Leonardo trabalhava em farmácia antes da mudança para o Japão

Leonardo também enfrentava dificuldades financeiras no Brasil e trabalhava como balconista de uma farmácia. O casal decidiu em conjunto buscar estabilidade em outro país.

Leonardo é descendente de japoneses de terceira geração, já que seu avô é japonês, circunstância que facilitou a obtenção do visto pelas regras aplicáveis a descendentes. Ele também havia passado parte da infância no Japão com a família.

Casal conseguiu emprego ainda no Brasil e se mudou em 2022

Fernanda e Leonardo deixaram o Brasil em 2022, depois de conseguirem trabalho antes mesmo do embarque. Uma agência de recrutamento intermediou a contratação, prática comum entre brasileiros que seguem para fábricas japonesas.

A vaga era em uma empreiteira que produz componentes para eletrônicos em Izumo, cidade da província de Shimane localizada a mais de 700 quilômetros de Tóquio. Os dois migraram com visto de trabalho.

Turno noturno tinha 12 horas e apenas 45 minutos de intervalo

A primeira rotina encontrada pelo casal foi pesada. Fernanda e Leonardo trabalhavam 12 horas durante a noite, com apenas 45 minutos de intervalo, exercendo a função de operadores de máquinas.

Fernanda foi posteriormente transferida para o período da manhã depois de descobrir que estava grávida, dois meses após chegar ao Japão. Depois do nascimento do filho, sua jornada foi reduzida para oito horas diárias.

Fernanda passou a mostrar rotina para mais de 720 mil seguidores

A brasileira começou a compartilhar a vida da família no Japão pelas redes sociais. Somente no TikTok, Fernanda acumulava mais de 720 mil seguidores na época da reportagem.

A OCDE aponta dificuldades para conciliar trabalho e vida familiar no Japão mesmo diante da baixa natalidade e das políticas sociais existentes. Fernanda, porém, relatou que não enfrentou dificuldades para retornar ao mercado de trabalho depois do nascimento do filho.

Pagamento por hora pode levar rendimento a R$ 11,5 mil em uma simulação

Fernanda recebia 1.410 mil ienes por hora trabalhada, equivalentes a R$ 45,36, conforme os valores apresentados pela reportagem. O salário inicial no setor da empreiteira era de 1.350 mil ienes por hora.

A fonte calculou que, caso ela trabalhasse 12 horas por dia durante 22 dias, poderia chegar a 356.400 mil ienes, aproximadamente R$ 11,5 mil. A remuneração real, porém, varia por causa de folgas forçadas determinadas pela empresa e eventuais ausências.

Contrato temporário dificulta saber quanto entrará no fim do mês

Fernanda e Leonardo trabalham sob um modelo de contrato temporário. Nesse formato, o profissional pode conseguir remuneração maior por hora, mas enfrenta mais instabilidade e condições de trabalho descritas por Angelo Ishi como mais precarizadas.

O professor explica que o pagamento por hora dificulta a previsão do rendimento mensal e anual. Para Ishi, saber antecipadamente o rendimento anual permitiria organizar melhor gastos e planejamento financeiro.

Segurança para andar na rua pesa na decisão de permanecer

Fernanda coloca a qualidade de vida entre os fatores que compensam a rotina de trabalho. A brasileira disse que a família consegue viajar todos os fins de semana, comer bem e andar na rua sem medo, inclusive quando não há outras pessoas por perto.

No Brasil, segundo ela, o casal não tinha a mesma possibilidade. A percepção de segurança também aparece na análise de Angelo Ishi como um dos principais fatores de satisfação entre brasileiros que vivem no Japão, inclusive aqueles submetidos a empregos instáveis.

Ian Cheberle trocou a Irlanda pelo Japão depois de três anos

O desenvolvedor de software Ian Cheberle, de 33 anos, seguiu uma trajetória diferente. Fã de animes e interessado na cultura e no idioma japoneses, ele já havia deixado o Brasil em 2019 para trabalhar em uma startup de aluguel de carros na Irlanda.

Depois de três anos na Europa, Ian aproveitou a desvalorização da moeda japonesa e, no fim de 2022, foi passar três meses em Yokohama, ao sul de Tóquio. Entrou com visto de estudante e continuou trabalhando remotamente para a empresa irlandesa.

Desenvolvedor escolheu vaga híbrida para fugir de jornadas de 11 ou 12 horas

Ian decidiu se estabelecer definitivamente no Japão em julho de 2023. Ele pediu demissão do emprego anterior e passou a buscar uma vaga fixa por meio do LinkedIn e de sites de emprego.

O brasileiro escolheu um trabalho híbrido na área de TI em uma empresa de energia japonesa com fusão com a Grã-Bretanha. Um dos motivos foi a flexibilidade de horários e a possibilidade de evitar jornadas de 11 ou 12 horas.

Inglês e japonês pesam para quem busca cargos mais altos

Ian afirmou que o mercado japonês é mais restrito e que inglês e japonês são importantes para conseguir posições seniores. Ele preferiu não informar sua remuneração anual.

O contrato de Ian é fixo e prevê salário anual. Angelo Ishi explica que esse tipo de vínculo tende a oferecer mais estabilidade e melhores condições por parte do empregador do que os contratos temporários comuns entre trabalhadores de fábrica.

Custo de vida no Japão era 26,8% maior que no Brasil

A reportagem apontava que o custo de vida médio japonês era 26,8% superior ao brasileiro, com base em dados do Numbeo. A diferença mais acentuada aparecia na moradia.

Os aluguéis eram, em média, 70% mais caros do que no Brasil. Em Yokohama, onde Ian morava, o aluguel aparecia 18,8% acima do valor registrado em São Paulo.

Refeição para duas pessoas em Yokohama custava 5.500 ienes

Uma refeição de três pratos para duas pessoas em restaurante intermediário de Yokohama custava 5.500 ienes, equivalentes a R$ 176,77. Um cappuccino saía por 368,75 ienes, ou R$ 11,86.

O litro de leite custava 209,18 ienes (R$ 6,72), enquanto 1 kg de arroz branco chegava a 460 ienes (R$ 14,78). Um quilo de filé de frango custava 929 ienes, aproximadamente R$ 29,86.

Salário mínimo em Tóquio era de 1.113 ienes por hora

O Japão não possui um único salário mínimo idêntico para todo o território, porque cada província estabelece sua referência salarial.

Em Tóquio, o valor informado pela reportagem era de 1.113 ienes por hora, equivalentes a R$ 35,77. A remuneração, portanto, muda conforme a região e o tipo de vínculo profissional.

Pessoas com 65 anos ou mais já representavam 29,1% da população

O Japão passou por forte crescimento econômico até os anos 1990, quando chegou a ocupar o posto de segundo maior Produto Interno Bruto do mundo, mas depois enfrentou estagnação acompanhada por desafios demográficos.

Em 2022, pessoas com 65 anos ou mais representavam 29,1% da população japonesa, a maior proporção do mundo. Entre aqueles com mais de 80 anos, o percentual já chegava a 10%.

Professor acredita que qualidade de vida continuará atraindo brasileiros

Angelo Ishi avaliou que o Japão poderia flexibilizar mais as condições para descendentes de quarta geração, embora o enfraquecimento da moeda tenha reduzido a atratividade do país quando o critério é apenas financeiro.

O professor considera que brasileiros podem continuar escolhendo o Japão por fatores que vão além do salário. Segurança, ausência de violência e qualidade de vida aparecem entre os motivos que ajudam a explicar a permanência de trabalhadores mesmo em empregos instáveis.

Brasileiros pesam salário, segurança e qualidade de vida antes de permanecer

Octavio Pott, especialista em mão de obra estrangeira, avalia que profissionais brasileiros estão cada vez mais dispostos a priorizar qualidade de vida mesmo quando isso significa ganhar menos. Ele citou médicos recrutados para trabalhar no exterior que consideram educação dos filhos e redução das preocupações na decisão.

A comunidade brasileira no Japão já ultrapassava 210 mil pessoas em 2023, enquanto trajetórias como as de Fernanda Pires, Leonardo Tangoda e Ian Cheberle mostram realidades diferentes dentro do mesmo mercado. Para parte desses brasileiros, jornadas extensas e instabilidade são colocadas na balança ao lado de segurança, mobilidade e qualidade de vida.

Para você, a segurança e a qualidade de vida compensariam uma jornada de 12 horas por dia e um custo de vida mais alto para morar no Japão? Deixe sua opinião nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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