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Brics estuda colocar o Pix em transações entre 11 países, enquanto Trump impõe tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros e acusa o sistema de favorecer concorrência contra empresas americanas de pagamentos e amplia disputa comercial entre Brasília e Washington

Brics estuda colocar o Pix em transações entre 11 países, enquanto Trump impõe tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros e acusa o sistema de favorecer concorrência contra empresas americanas de pagamentos e amplia disputa comercial entre Brasília e Washington

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Brics estuda colocar o Pix em transações entre 11 países, enquanto Trump impõe tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros e acusa o sistema de favorecer concorrência contra empresas americanas de pagamentos e amplia disputa comercial entre Brasília e Washington

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 17/08/2026 às 12:28

Atualizado em 17/08/2026 às 12:30

Economia

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Brics discute integrar o Pix entre 11 países enquanto tarifa de 25% dos EUA atinge determinados produtos brasileiros e amplia a tensão comercial.

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Autoridades monetárias discutem conectar sistemas de pagamentos rápidos e moedas digitais para reduzir custos em operações internacionais. O Brics ainda não aprovou o uso transfronteiriço do Pix, enquanto uma investigação americana incluiu serviços eletrônicos entre as acusações e resultou em sobretaxa sobre determinados produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos.

O Brics passou a discutir a conexão entre sistemas nacionais de pagamentos instantâneos e moedas digitais de bancos centrais, possibilidade que poderia incluir o Pix nas transações entre os 11 integrantes do grupo. A proposta, porém, continuava em fase inicial e ainda dependia de decisões políticas, regulatórias e técnicas.

O debate ganhou outra dimensão porque os Estados Unidos haviam imposto uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros após uma investigação comercial que também examinou serviços eletrônicos de pagamento. As duas frentes são relacionadas pela disputa sobre concorrência e infraestrutura financeira, mas não constituem uma única medida nem significam que o Pix tenha sido tarifado.

Presidente do Banco Central indiano confirmou discussão sobre pagamentos

Presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra
imagem: Dhiraj Singh/Bloomberg

O presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra, afirmou em 11 de agosto de 2026 que os países do Brics avaliavam maneiras de conectar sistemas de pagamentos rápidos. Segundo ele, o interesse comum estava na redução de custos de operações internacionais, especialmente em transferências que hoje atravessam múltiplos intermediários.

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Segundo a Gazeta do Povo, em matéria publicada em 12 de agosto, o tema deveria entrar na cúpula marcada para 12 e 13 de setembro. A informação também foi registrada pela Reuters, que classificou as conversas como preliminares.

Entre as possibilidades mencionadas estavam a interoperabilidade de plataformas de transferências instantâneas e o uso de moedas digitais emitidas por bancos centrais, conhecidas pela sigla CBDC. Esses caminhos podem ser analisados separadamente ou combinados, dependendo da arquitetura escolhida pelos participantes.

A discussão confirmada não equivale à aprovação de uma rede internacional do Pix. Até aquele momento, não haviam sido divulgados acordo final, cronograma de implantação, regras comuns, países que adeririam primeiro ou data para o início de operações reais.

Pix poderia integrar uma rede sem ser adotado como sistema único

Brics discute integrar o Pix entre 11 países enquanto tarifa de 25% dos EUA atinge determinados produtos brasileiros e amplia a tensão comercial.

Criado e operado pelo Banco Central do Brasil, o Pix permite transferências entre contas em poucos segundos, durante 24 horas por dia. A eventual integração internacional não exigiria que os demais integrantes abandonassem suas próprias plataformas para adotar a tecnologia brasileira.

Uma alternativa seria conectar os sistemas nacionais para que uma transferência iniciada em uma plataforma fosse reconhecida e concluída pela infraestrutura do país de destino. Nesse modelo, cada autoridade preservaria suas regras internas, enquanto uma camada compartilhada cuidaria da comunicação entre as redes.

O Banco de Compensações Internacionais já estuda esse conceito no Projeto Nexus. A iniciativa procura padronizar a conexão entre plataformas domésticas de pagamento instantâneo, evitando que cada país precise construir uma integração exclusiva com todos os demais participantes.

Colocar o Pix em transações internacionais significa buscar interoperabilidade, e não transformar o sistema brasileiro na plataforma obrigatória dos 11 países. A forma concreta dependeria de acordos sobre câmbio, liquidação, identificação dos usuários, proteção de dados e divisão de responsabilidades.

Brics reúne 11 membros, mas decisões dependem de consenso

Brics discute integrar o Pix entre 11 países enquanto tarifa de 25% dos EUA atinge determinados produtos brasileiros e amplia a tensão comercial.
imagem: Poder360

O grupo é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A página institucional do Brics diferencia esses 11 membros plenos dos países parceiros, que podem participar de encontros sem possuir o mesmo papel nas decisões.

A ampliação do bloco tornou qualquer integração financeira mais abrangente e, ao mesmo tempo, mais complexa. As economias participantes possuem legislações, moedas, controles de capital, níveis de digitalização e estruturas bancárias diferentes, o que impede uma implementação automática a partir de uma decisão política.

As deliberações do grupo são tomadas por consenso. Assim, a entrada do Pix em uma futura rede dependeria tanto do interesse brasileiro quanto da concordância dos outros governos e de seus bancos centrais, além da disposição de cada país para adaptar sua infraestrutura.

A existência de 11 membros não significa que todos começarão a operar uma nova rede simultaneamente. Projetos internacionais podem avançar por etapas, com testes entre um número menor de participantes antes de uma expansão, embora nenhum desenho desse tipo tivesse sido anunciado para a proposta do Brics.

Moedas digitais também entraram nas alternativas estudadas

Malhotra mencionou as CBDCs entre as opções em debate. Diferentemente de criptoativos privados, essas moedas digitais representam passivos emitidos por autoridades monetárias e podem ser desenhadas para uso de varejo, operações entre instituições ou liquidação de transações internacionais.

Os países do Brics não possuem uma CBDC única nem adotam o mesmo estágio de desenvolvimento. Conectar moedas digitais exigiria definir como cada ativo seria convertido, quando a liquidação se tornaria definitiva e qual instituição assumiria riscos em caso de falha operacional.

O Banco de Compensações Internacionais observa que operações transfronteiriças continuam enfrentando obstáculos ligados ao câmbio, à liquidação, à conformidade regulatória e à disponibilidade de moeda estrangeira. Testes técnicos demonstram possibilidades, mas não eliminam a necessidade de regras jurídicas e supervisão coordenada.

A proposta não representa a criação imediata de uma moeda do Brics nem o abandono automático do dólar. O objetivo apresentado foi facilitar pagamentos entre países e ampliar o uso de moedas locais, não anunciar a substituição de reservas internacionais ou de todos os canais financeiros existentes.

Investigação americana colocou pagamentos eletrônicos entre várias acusações

Enquanto o Brics discutia novas conexões financeiras, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido como USTR, conduzia um processo separado. Aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial americana, a investigação analisou serviços eletrônicos de pagamento, comércio digital, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

Em junho de 2026, o órgão concluiu que determinadas práticas brasileiras seriam desarrazoadas ou discriminatórias e afetariam o comércio americano. Na área de pagamentos, o comunicado oficial do USTR acusou o Brasil de favorecer um “campeão nacional” diante de empresas americanas concorrentes.

A síntese oficial não identificou nominalmente o Pix nesse trecho, mas a apuração da Gazeta relacionou a referência ao sistema administrado pelo Banco Central. O questionamento americano se concentrou na ideia de que a mesma autoridade atua como reguladora do mercado e proprietária e operadora da plataforma pública.

A posição do USTR é uma acusação do governo dos Estados Unidos, não uma conclusão neutra aceita pelas duas partes. O Pix é oferecido por diversas instituições financeiras e de pagamento, e sua estrutura pública se tornou parte de uma controvérsia sobre concorrência, regulação e acesso ao mercado.

Tarifa de 25% atingiu produtos e não transferências feitas pelo Pix

Em 15 de julho de 2026, o USTR anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados bens originários do Brasil. A medida entrou em vigor em 22 de julho e foi apresentada como resposta ao conjunto de práticas examinadas durante um ano, não exclusivamente às questões envolvendo pagamentos eletrônicos.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços confirmou que a decisão alcançou uma parcela das exportações, com uma lista de produtos excluídos. Portanto, não se tratou de uma tarifa uniforme aplicada a todo produto brasileiro nem de uma cobrança sobre cada operação realizada pelo Pix.

Serviços de pagamento não recebem essa tarifa como se fossem mercadorias atravessando a fronteira. A eventual integração discutida pelo Brics permanece separada da sanção. A relação está na justificativa política da investigação: o comércio digital e os pagamentos eletrônicos apareceram entre vários fundamentos usados para uma medida sobre bens.

Dizer que Trump tarifou o Pix seria incorreto. A administração americana impôs a sobretaxa a produtos abrangidos pela medida, enquanto o sistema brasileiro apareceu na disputa regulatória que ajudou a compor um processo comercial muito mais amplo.

Integração promete reduzir custos, mas exige regras compartilhadas

Pagamentos internacionais normalmente envolvem conversão de moedas, instituições correspondentes, verificações regulatórias e horários de liquidação diferentes. Essas etapas podem elevar tarifas, ampliar o prazo de conclusão e dificultar a previsão do valor final recebido pelo destinatário.

A conexão entre sistemas instantâneos busca encurtar esse percurso. O potencial benefício seria permitir transferências mais rápidas e transparentes para empresas, viajantes e pessoas que enviam recursos a familiares, mantendo a movimentação dentro de infraestruturas supervisionadas pelas autoridades monetárias.

O desafio está em decidir quem responde por fraude, falha tecnológica, contestação ou envio para destinatário incorreto. Também seria necessário compatibilizar prevenção à lavagem de dinheiro, sanções internacionais, privacidade, segurança cibernética e regras cambiais de 11 jurisdições.

A velocidade percebida pelo usuário depende de uma estrutura invisível de conversão, liquidação e conformidade. Sem acordo sobre esses pontos, conectar interfaces rápidas não basta para garantir que o dinheiro atravesse fronteiras com segurança jurídica e previsibilidade, exigência que qualquer proposta do Brics precisaria enfrentar.

Próxima cúpula poderá indicar se proposta avançará além do debate

A reunião do Brics prevista para setembro poderá mostrar se os integrantes pretendem transformar a discussão em grupo técnico, projeto-piloto ou compromisso formal. Mesmo uma decisão favorável não significaria disponibilidade imediata, porque integrações financeiras costumam exigir testes, mudanças regulatórias e definição de governança.

Enquanto isso, a tarifa de 25% já produz efeitos sobre os produtos alcançados e permanece separada do funcionamento cotidiano do Pix dentro do Brasil. O vínculo político entre os temas pode ampliar a tensão bilateral, mas cada processo possui instrumentos, autoridades e consequências próprias.

O cenário reúne uma proposta ainda sem aprovação e uma medida comercial que já entrou em vigor. Essa diferença é essencial para entender por que a internacionalização do Pix continua como possibilidade, enquanto a sobretaxa americana já afeta uma parcela das exportações brasileiras.

Na sua opinião, o Brasil deveria priorizar a integração do Pix com outros países, negociar primeiro a redução das tarifas americanas, exigir regras comuns de proteção de dados ou concentrar esforços na segurança doméstica do sistema? Conte nos comentários qual caminho parece mais importante e quais riscos não poderiam ser ignorados.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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