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BYD vê vendas fora da China dispararem 71%, supera 790 mil carros em 6 meses, já vende 44% dos veículos no exterior e transforma Brasil em peça de sua expansão global
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 28/08/2026 às 18:12
Atualizado em 28/08/2026 às 18:16
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Fabricante chinesa enfrenta uma disputa cada vez mais dura em seu mercado doméstico enquanto amplia fábricas, concessionárias e produtos para outros países; no Brasil, Camaçari ganha importância e pode ajudar a atender outros mercados da América Latina.
A BYD já vende 44% de seus veículos fora da China depois de registrar um avanço de 71% nas vendas internacionais no primeiro semestre de 2026, quando superou a marca de 790 mil unidades. Conforme informações publicadas pelo Motor1 Brasil nesta sexta-feira (28), a expansão mostra uma mudança importante na estratégia da fabricante, que durante anos concentrou a maior parte de sua operação no mercado chinês.
Na prática, mais de quatro em cada dez veículos vendidos pela BYD já encontram compradores fora da China. Assim, mercados como Brasil, Europa, México e Sudeste Asiático deixaram de funcionar apenas como destinos de exportação e passaram a ocupar uma posição mais importante nos planos industriais da companhia.
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Além de ampliar as vendas, a fabricante está construindo fábricas, desenvolvendo produtos específicos para diferentes regiões e até utilizando navios próprios para transportar veículos. Dessa forma, a internacionalização começa a alterar a própria estrutura do negócio.
BYD supera 790 mil veículos fora da China enquanto mercado doméstico fica mais difícil
O movimento internacional ocorre justamente quando crescer dentro da China se tornou mais complicado.
O maior mercado automotivo do planeta enfrenta uma intensa disputa de preços entre fabricantes de veículos eletrificados. BYD, Geely, Chery, SAIC e diversas outras companhias locais competem por consumidores, enquanto empresas mais novas, como a Xiaomi, aumentam ainda mais a pressão.
Nesse cenário, a própria BYD sentiu os efeitos da competição. A receita da companhia caiu 3,2% no segundo trimestre de 2026.
Entretanto, o lucro líquido voltou a crescer depois de quatro trimestres consecutivos de queda. O resultado ficou em aproximadamente 8,2 bilhões de yuans, ou US$ 1,22 bilhão, segundo dados divulgados nesta sexta-feira.
Ao mesmo tempo, as operações internacionais passaram a ajudar diretamente a rentabilidade da fabricante. A margem bruta dos negócios no exterior chegou a 22%.
Assim, vender carros fora da China não representa apenas uma maneira de aumentar o volume. Os mercados internacionais também passaram a contribuir de maneira relevante para os resultados financeiros da companhia.
Vendas internacionais da BYD crescem 71% e mudam o peso do exterior no negócio
Os números mostram a velocidade dessa transformação.
No primeiro semestre, as vendas internacionais avançaram 71% na comparação anual e ultrapassaram 790 mil veículos. Com isso, o exterior respondeu por 44% das vendas totais da fabricante.
A proporção coloca a BYD perto de um marco simbólico: vender metade dos seus veículos fora do país onde nasceu.
Além disso, a expansão internacional ocorre enquanto a empresa amplia sua presença industrial. Em vez de depender exclusivamente de carros produzidos na China, a fabricante começa a estruturar operações locais em mercados considerados estratégicos.
Essa transformação inclui justamente o mercado automotivo brasileiro, onde fabricantes asiáticas vêm ampliando rapidamente sua presença.
Brasil ganha espaço com fábrica da BYD em Camaçari
No Brasil, a mudança aconteceu em poucos anos.
A BYD iniciou oficialmente a comercialização de automóveis de passeio no país no fim de 2021. Depois disso, ampliou rapidamente seu catálogo com modelos como Tan, Han, Dolphin, Dolphin Mini, Yuan Plus, Song Plus, King e Shark.
Ao mesmo tempo, a empresa acelerou a abertura de concessionárias e aumentou sua participação em segmentos onde as fabricantes chinesas tinham presença limitada.
A etapa seguinte foi industrial.
A antiga fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, tornou-se o principal projeto produtivo da BYD no país e uma peça importante da estratégia para a América Latina.
Com uma operação local, a fabricante pode reduzir gradualmente a dependência de veículos importados da China. Além disso, ganha espaço para ampliar conteúdo nacional e desenvolver carros adaptados às características brasileiras.
Esse tipo de transformação industrial acontece em paralelo ao avanço de novas tecnologias que estão mudando rapidamente diferentes setores da economia.
Híbridos flex mostram como BYD começa a adaptar carros ao Brasil
Um dos exemplos mais claros da estratégia são os híbridos flex.
A fabricante trabalha em sistemas capazes de combinar eletrificação com etanol, combustível que ocupa uma posição particular na matriz energética brasileira.
O Atto 2 DM-i Flex integra essa nova fase. Ao mesmo tempo, a BYD prepara sua entrada em outros segmentos e amplia a quantidade de modelos comercializados e produzidos no país.
Portanto, a estratégia vai além de trazer automóveis concebidos originalmente para consumidores chineses.
A empresa começa a desenvolver soluções ligadas às condições dos mercados onde pretende crescer.
Brasil pode virar base da BYD para atender outros países da América Latina
A estrutura industrial brasileira também abre outra possibilidade: usar o país como base para abastecer mercados vizinhos.
Fabricantes instaladas no Brasil utilizam essa estratégia há décadas, sobretudo dentro do Mercosul. Conforme a produção da BYD ganhar escala, a operação de Camaçari poderá assumir papel semelhante.
Nesse caso, o investimento brasileiro deixaria de atender somente consumidores locais e passaria a fazer parte de uma rede regional.
É uma mudança relevante justamente porque o exterior está ganhando peso rapidamente dentro da companhia.
Com 44% das vendas realizadas fora da China, ampliar fábricas e estruturas comerciais em diferentes países se torna uma forma de acompanhar o crescimento internacional e reduzir a dependência do mercado doméstico.
A expansão também acompanha uma transformação mais ampla da indústria chinesa, que busca aumentar presença internacional por meio de produção, logística e novas soluções desenvolvidas para diferentes mercados.
BYD se aproxima de vender metade de seus veículos fora da China
Os mais de 790 mil veículos comercializados internacionalmente em apenas seis meses mostram como a estratégia da BYD mudou de escala.
Há poucos anos, a companhia dependia fortemente do mercado chinês. Agora, 44 de cada 100 veículos vendidos pela fabricante já vão para compradores de outros países.
Ao mesmo tempo, o avanço internacional ganha importância financeira. A margem bruta das operações externas chegou a 22%, enquanto a competição dentro da China continua pressionando fabricantes.
Nesse cenário, Brasil, Europa, México e Sudeste Asiático deixam de representar apenas oportunidades adicionais de crescimento.
Eles passam a fazer parte de uma estratégia que pode determinar até onde a BYD conseguirá avançar como fabricante global.
Você acredita que a BYD poderá chegar ao ponto de vender mais carros fora da China do que dentro do país, e qual papel o Brasil poderá desempenhar nessa expansão?
Fonte
UOL
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

