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Caçador americano captura 96 pítons em dez dias, ganha US$ 10 mil e estabelece novo recorde na Flórida
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 10/08/2026 às 20:00
Curiosidades
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Pítons invasoras preocupam a Flórida, onde caçador capturou 96 serpentes em dez dias e ganhou US$ 10 mil em competição ambiental.
Um único caçador retirou 96 pítons dos ecossistemas da Flórida em apenas dez dias e estabeleceu o maior resultado individual já registrado no Florida Python Challenge. Tom Rahill venceu a edição de 2026 da competição, recebeu US$ 10 mil — aproximadamente R$ 51 mil — e superou em 36 animais a melhor marca obtida por um participante no ano anterior.
O recorde chama atenção, mas também evidencia a dimensão de um problema ambiental que ultrapassa a competição. Originárias do Sudeste Asiático, essas serpentes se estabeleceram na Flórida como espécie invasora e encontram condições para se reproduzir enquanto pressionam populações de mamíferos, aves e outros animais nativos.
Pítons encontram poucos obstáculos naturais nos Everglades
A presença das serpentes tornou-se especialmente preocupante nos Everglades, extensa região de áreas úmidas onde as condições ambientais favorecem sua sobrevivência. Sem o mesmo conjunto de predadores existente no território de origem, a espécie passou a ocupar uma posição relevante na cadeia alimentar local.
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Estimativas apontam que a população de píton-birmanesa na Flórida esteja entre 100 mil e 300 mil indivíduos. Esse intervalo revela também a dificuldade de contabilizar animais que vivem escondidos em vegetação densa, zonas alagadas e áreas de difícil acesso.
A alimentação amplia o impacto. Há registros de ataques a coelhos, gambás, guaxinins, raposas e aves, além de ocorrências envolvendo animais protegidos e pets domésticos.
Por isso, retirar serpentes do ambiente é tratado pelas autoridades como uma medida de controle populacional e proteção da fauna, e não apenas como uma atividade competitiva.
907 participantes capturaram 280 serpentes
A dimensão do desafio de 2026 aparece nos dados publicados pela revista Popular Science. Entre 10 e 19 de julho, 907 participantes conseguiram retirar 280 animais durante a edição daquele ano do Florida Python Challenge.
O resultado coletivo ficou abaixo das 294 capturas registradas em 2025. A diferença, entretanto, não impediu que Tom Rahill estabelecesse um novo recorde individual ao alcançar sozinho quase uma centena de serpentes.
Tom Rahill não começou a procurar serpentes apenas para participar do desafio. Ele trabalha profissionalmente com captura de pítons há mais de dez anos e fundou a Swamp Apes, organização sem fins lucrativos que também desenvolve ações ambientais.
A entidade envolve veteranos militares e integrantes de equipes de emergência em projetos ligados à conservação. Dessa maneira, o trabalho com animais invasores também é conectado a atividades destinadas a grupos que atuaram em situações de alto risco.
Durante o desafio de 2026, Rahill ajudou um veterano a localizar e capturar uma serpente com aproximadamente cinco metros de comprimento. Mesmo impressionante, o exemplar permaneceu abaixo do maior tamanho já registrado para a espécie.
A maior píton-birmanesa conhecida chegou perto dos seis metros, mostrando que indivíduos adultos podem assumir proporções muito superiores às encontradas em grande parte das serpentes presentes nos Estados Unidos.
Pítons precisam ser sacrificadas depois da captura
O Florida Python Challenge estabelece regras específicas para a retirada dos animais. Como são consideradas invasoras, as serpentes capturadas não podem simplesmente ser transportadas vivas para outros locais.
Os participantes precisam realizar o abate de maneira considerada humanitária dentro das normas estabelecidas pela competição. A proibição do transporte vivo procura impedir que exemplares escapem ou sejam liberados em outras regiões.
Essa característica diferencia o evento de iniciativas de captura destinadas à realocação de fauna nativa. No caso das pítons, o objetivo é reduzir a quantidade existente no ambiente da Flórida.
Mesmo assim, os números mostram a dificuldade de produzir mudanças rápidas numa população estimada em dezenas ou centenas de milhares de indivíduos.
Restaurante passou a aceitar serpente em troca de pizza
Em meio ao esforço ambiental, a edição de 2026 também produziu uma situação incomum em Everglades City. Um restaurante local decidiu oferecer pizzas como recompensa para caçadores que se destacassem na captura das serpentes.
O proprietário Dustin Crum chegou a dizer à NBC Miami que seu estabelecimento seria o primeiro do mundo a aceitar uma píton como uma espécie de moeda, permitindo a troca do animal por uma pizza.
A brincadeira ganhou outra dimensão porque o restaurante também prepara pizzas utilizando carne da própria serpente. Há, porém, uma limitação comercial.
Segundo Crum explicou à NBC Miami, as regras sanitárias dos Estados Unidos impedem que esse alimento seja vendido. Por esse motivo, quando prepara receitas com carne de píton, o restaurante precisa oferecê-las gratuitamente.
Recorde mostra tamanho do desafio ambiental
O resultado de Tom Rahill garantiu uma premiação significativa e um novo recorde, mas as 96 pítons capturadas representam apenas uma pequena parcela da população que pode viver atualmente na Flórida.
Essa diferença explica por que o Florida Python Challenge funciona também como ferramenta de conscientização. Ao reunir centenas de participantes por alguns dias, o evento chama atenção para uma espécie que permanece dispersa por uma região extensa e complexa.
Para os ecossistemas dos Everglades, o problema não está simplesmente na presença de grandes serpentes. Ele surge quando um predador introduzido passa a consumir animais de uma cadeia alimentar que evoluiu sem aquela pressão.
As 280 capturas registradas em dez dias durante 2026 mostram o esforço de controle, enquanto o recorde individual de Rahill evidencia até onde um caçador experiente pode chegar. Mas, diante de estimativas de até 300 mil pítons na Flórida, a disputa anual é apenas uma parte de uma operação ambiental muito maior.
Fonte
Revista Galileu
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

