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Caçador de tesouros repetiu aos mergulhadores que hoje era o dia por 16 anos seguidos atrás de um galeão espanhol de 1622, perdeu o filho, a nora e um mergulhador quando o barco virou em 1975, ganhou na Suprema Corte para não entregar um quarto de tudo ao estado e só três anos depois encontrou US$ 450 milhões em ouro, prata e esmeraldas

Caçador de tesouros repetiu aos mergulhadores que hoje era o dia por 16 anos seguidos atrás de um galeão espanhol de 1622, perdeu o filho, a nora e um mergulhador quando o barco virou em 1975, ganhou na Suprema Corte para não entregar um quarto de tudo ao estado e só três anos depois encontrou US$ 450 milhões em ouro, prata e esmeraldas

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Caçador de tesouros repetiu aos mergulhadores que hoje era o dia por 16 anos seguidos atrás de um galeão espanhol de 1622, perdeu o filho, a nora e um mergulhador quando o barco virou em 1975, ganhou na Suprema Corte para não entregar um quarto de tudo ao estado e só três anos depois encontrou US$ 450 milhões em ouro, prata e esmeraldas

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 10/08/2026 às 12:54

Atualizado em 10/08/2026 às 12:58

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Caçador de tesouros passou 16 anos atrás do galeão Atocha, perdeu o filho no mar, venceu a Flórida na Suprema Corte e achou US$ 450 milhões.

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Mel Fisher começou a procurar o Nuestra Señora de Atocha em 1969 e localizou o carregamento principal em 20 de julho de 1985, dez anos exatos após a morte do filho. Entre uma data e outra, enfrentou a Flórida na Justiça e venceu na Suprema Corte em 1982.

Todo dia ele repetia a mesma frase para a tripulação antes de mergulhar: hoje é o dia. O caçador de tesouros Mel Fisher sustentou esse mantra por 16 anos atrás do Nuestra Señora de Atocha, galeão espanhol que afundou em 1622 levando um carregamento de riquezas do Novo Mundo destinado ao rei Filipe IV, conforme registra a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso Florida Department of State versus Treasure Salvors, julgado em 1º de julho de 1982.

O naufrágio aconteceu durante um furacão tropical, a 40 milhas náuticas a oeste do que hoje é Key West, na Flórida. Duzentas e sessenta pessoas morreram só no Atocha, segundo levantamento histórico sobre o episódio. O local exato do destroço só apareceu na primavera de 1971, perto de bancos de areia conhecidos como Quicksands, a 9,5 milhas náuticas a oeste das Marquesas Keys.

A ameaça de prisão que criou o contrato

Caçador de tesouros passou 16 anos atrás do galeão Atocha, perdeu o filho no mar, venceu a Flórida na Suprema Corte e achou US$ 450 milhões.

Assim que o naufrágio foi localizado, o estado da Flórida reivindicou a propriedade do galeão com base em uma lei estadual que dava ao estado o direito sobre tesouros abandonados em terras submersas de domínio estadual.

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O que veio a seguir está descrito com todas as letras na decisão da Suprema Corte. Funcionários da Divisão de Arquivos da Flórida ameaçaram prender Mel Fisher, presidente da Treasure Salvors, e confiscar os barcos e equipamentos da empresa caso a operação de resgate começasse sem contrato com o estado. Sob essa ameaça, a empresa assinou. O tribunal de primeira instância registrou que o contrato foi firmado em razão dos atos coercitivos da Divisão de Arquivos.

Os termos foram renovados por três anos seguidos. A empresa pagava US$ 1.200 por ano, mantinha uma caução e, em troca, o estado se comprometia a repassar a ela 75% do valor avaliado de todo o material recuperado. Os 25% restantes ficavam com a Flórida.

As pistas que apareceram no meio do caminho

A busca não foi um vazio de 16 anos. Ela avançou por migalhas, como a própria equipe descrevia. Em 1973 apareceram três barras de prata cujo peso e numeração conferiam com o manifesto de carga do Atocha, documento guardado no Arquivo das Índias, em Sevilha.

Foi a confirmação de que estavam na trilha certa. Em 1975, o filho mais velho de Fisher, Dirk, localizou cinco canhões de bronze cujas marcações fecharam a identificação do navio. Era a maior prova obtida até então, e chegou dias antes do pior momento da história da família.

O Northwind

Poucos dias depois da descoberta dos canhões, a embarcação de resgate Northwind virou e afundou. Morreram Dirk Fisher, a esposa dele, Angel, e o mergulhador Rick Gage.

As fontes divergem sobre a data exata e a causa. Parte dos registros aponta 20 de julho de 1975 e falha na bomba de porão, enquanto outros indicam 13 de julho e mar agitado. A família não interrompeu a busca. Mel Fisher voltou ao mar e manteve a mesma frase diária para a tripulação, agora dita por quem havia enterrado um filho e uma nora naquela procura.

A batalha jurídica de oito anos

Enquanto isso, o terreno legal mudou por completo. Em processo que nada tinha a ver com o resgate, a Suprema Corte decidiu em 1975, no caso United States versus Florida, que a área onde o Atocha repousava pertencia aos Estados Unidos, e não ao estado. O destroço estava na plataforma continental externa, sob águas internacionais.

A consequência era direta: se a lei estadual valia apenas para terras submersas do estado, e o navio não estava lá, o contrato dos 25% perdia a base. A Treasure Salvors entrou com ação na Justiça Federal e venceu em primeira instância e no tribunal de recursos. Ainda assim, parte das peças continuava retida por funcionários da Divisão de Arquivos em Tallahassee, fora da jurisdição territorial do juízo. Foi a disputa por essas peças que chegou à Suprema Corte.

O que a Suprema Corte decidiu em 1982

O caso foi julgado em 1º de julho de 1982, e a questão em jogo era mais técnica do que a versão popular sugere. O que estava em debate era se a Décima Primeira Emenda, que protege os estados de serem processados na Justiça Federal sem consentimento, impedia o juiz de mandar apreender as peças em poder dos funcionários estaduais.

A decisão foi dividida e teve dois resultados. A Corte concluiu que a emenda não impedia a ordem de apreensão, porque os funcionários não tinham nem sequer uma alegação plausível de posse: os contratos não transferiam propriedade ao estado, e nenhuma norma autorizava a retenção. Por outro lado, a Corte reverteu a parte da decisão anterior que havia declarado quem era o dono das peças, entendendo que não cabia julgar a propriedade do estado sem o consentimento dele. Na prática, Fisher ficou com as peças, mas o mérito da titularidade não foi decidido naquele julgamento. O voto condutor foi do juiz John Paul Stevens, com divergências parciais de Brennan e de White, este acompanhado por Powell, Rehnquist e O’Connor.

Vinte de julho de 1985

O achado principal veio três anos depois da decisão, e a data tem uma coincidência difícil de ignorar: 20 de julho de 1985, dez anos exatos após a tragédia do Northwind, segundo o modo como a própria família conta a história.

O que estava no fundo justificou a insistência. O conjunto ficou conhecido como Atocha Motherlode e é estimado em US$ 450 milhões, embora parte das fontes trabalhe com US$ 400 milhões. São cerca de 40 toneladas de ouro e prata, aproximadamente 114 mil moedas de prata espanholas conhecidas como peças de oito, moedas de ouro, esmeraldas colombianas, mil lingotes de prata e peças de ourivesaria. O ponto passou a ser chamado de Banco da Espanha e segue em exploração pela empresa da família até hoje.

O que sobrou dessa história

Mel Fisher nasceu em 21 de agosto de 1922 e morreu em 1998, aos 76 anos. Ele investiu mais de US$ 200 mil na busca antes das primeiras descobertas e passou boa parte do período entre credores, problemas de embarcação e honorários de advogado.

Vale registrar o que ainda não foi encontrado. O castelo de popa do Atocha, onde ficariam guardados o ouro da Igreja e os impostos da Coroa, segue desaparecido, e a empresa mantém buscas na região. Em 2010, uma equipe localizou uma corrente de ouro com crucifixo avaliada em US$ 250 mil enquanto procurava justamente essa seção do navio.

Mel Fisher perdeu o filho, a nora e um mergulhador em uma busca que ainda levaria dez anos para dar resultado, e enfrentou o próprio estado onde morava em um processo que durou oito anos e terminou na Suprema Corte.

Conta nos comentários: você acha que ele deveria ter parado depois do acidente de 1975, ou continuar foi a forma que ele encontrou de dar sentido à perda? E na sua opinião, quando alguém encontra um naufrágio em águas internacionais, o tesouro deveria ser de quem achou, do estado costeiro ou do país de origem do navio?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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