Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Caçadores de naufrágios encontram a quase 2.200 metros de profundidade o SS Central America, navio que afundou em 1857 com cerca de 13,6 toneladas de ouro, recuperam uma fortuna do fundo do Atlântico e, décadas depois, o caso ainda guarda o mistério de 500 moedas cujo paradeiro nunca foi esclarecido

Caçadores de naufrágios encontram a quase 2.200 metros de profundidade o SS Central America, navio que afundou em 1857 com cerca de 13,6 toneladas de ouro, recuperam uma fortuna do fundo do Atlântico e, décadas depois, o caso ainda guarda o mistério de 500 moedas cujo paradeiro nunca foi esclarecido

8 min de leitura

Caçadores de naufrágios encontram a quase 2.200 metros de profundidade o SS Central America, navio que afundou em 1857 com cerca de 13,6 toneladas de ouro, recuperam uma fortuna do fundo do Atlântico e, décadas depois, o caso ainda guarda o mistério de 500 moedas cujo paradeiro nunca foi esclarecido

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 10/08/2026 às 19:09

Curiosidades

Canal

Assista o vídeo
O SS Central America afundou em 1857 levando cerca de 13,6 toneladas de ouro da corrida do ouro da Califórnia.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

O SS Central America afundou em 1857 levando cerca de 13,6 toneladas de ouro da corrida do ouro da Califórnia. Encontrado a 2.200 metros de profundidade em 1988, o naufrágio rendeu barras e milhares de moedas, mas 500 peças continuam sem paradeiro conhecido em 2026.

Durante mais de um século, o SS Central America permaneceu no fundo do Atlântico com uma carga monumental ligada à corrida do ouro da Califórnia. O navio a vapor afundou durante um furacão em 12 de setembro de 1857, levando consigo 425 pessoas e aproximadamente 30 mil libras de ouro. O naufrágio só seria localizado em 1988, a cerca de 2.200 metros de profundidade, depois de uma busca que combinou documentos históricos, cálculos probabilísticos e tecnologia de exploração submarina.

A descoberta abriu uma segunda história quase tão incomum quanto o próprio naufrágio. Barras e milhares de moedas foram trazidas à superfície, parte do tesouro foi comercializada por dezenas de milhões de dólares e novas operações voltaram ao sítio décadas depois.

Em 2026, porém, um capítulo permanecia sem solução: o paradeiro de 500 moedas de ouro que estiveram no centro de uma longa disputa judicial envolvendo Tommy Thompson, cientista e explorador que liderou a equipe responsável pela descoberta.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

SS Central America levava cerca de 13,6 toneladas de ouro quando afundou em 1857

O SS Central America era um navio a vapor de rodas laterais que fazia parte da rota entre a América Central e a costa leste dos Estados Unidos. Em sua última viagem, transportava passageiros e uma enorme quantidade de ouro proveniente da Califórnia em direção a Nova York.

SS Central America levava cerca de 13,6 toneladas de ouro quando afundou em 1857

A carga é frequentemente descrita como aproximadamente 30 mil libras de ouro. Convertendo o número para o sistema métrico, 30.000 libras × 0,453592 kg = 13.607,76 kg, ou aproximadamente 13,6 toneladas métricas. A National Geographic arredonda a quantidade para cerca de 15 toneladas no sistema americano de toneladas curtas.

O ouro estava distribuído entre lingotes, moedas recém-cunhadas e valores pertencentes a passageiros que retornavam da Califórnia. O volume era tão significativo que a perda da carga contribuiu para agravar a crise de confiança que cercou o chamado Pânico de 1857 nos Estados Unidos.

Furacão atingiu o navio durante a viagem para Nova York

O Central America havia saído do Panamá e feito escala em Havana antes de iniciar a etapa final rumo a Nova York. Em setembro de 1857, encontrou um furacão ao largo da costa das Carolinas, com ventos que comprometeram progressivamente a capacidade de navegação do vapor.

A embarcação começou a receber água, perdeu potência e ficou praticamente à mercê do temporal. Uma tentativa de resgate permitiu retirar parte das pessoas que estavam a bordo, mas as condições do mar impediram que a operação fosse concluída antes do naufrágio.

Na noite de 12 de setembro, o navio desapareceu sob o Atlântico. Segundo a Associated Press e a National Geographic, 425 pessoas morreram. Junto com o vapor, uma das maiores cargas de ouro transportadas nos Estados Unidos naquele período desceu para uma região do oceano que, na época, era completamente inacessível para qualquer operação de recuperação.

Busca pelo navio usou cálculos para reduzir uma enorme área do Atlântico

Mais de um século depois, a procura pelo Central America passou a utilizar uma abordagem incomum para caçadas a naufrágios. Lawrence D. Stone, pesquisador da Metron, desenvolveu uma distribuição de probabilidades para estimar onde o navio provavelmente havia terminado.

O trabalho combinou registros históricos, estatística, análise matemática e avaliações sobre as condições do naufrágio. Segundo o artigo técnico publicado posteriormente na revista Interfaces, essa distribuição serviu de base para construir o plano de busca que finalmente encontrou o vapor.

A operação era liderada pelo Columbus-America Discovery Group, ligado a Tommy Thompson. A confirmação do local ocorreu em setembro de 1988, encerrando uma busca moderna por um navio que estava desaparecido havia 131 anos.

Naufrágio estava a aproximadamente 2.200 metros de profundidade

A profundidade transformava qualquer recuperação em um desafio tecnológico. O The Maritime Executive, com base nos dados da operação da Odyssey Marine Exploration, registra que o Central America foi localizado a aproximadamente 2.200 metros, ou 7.200 pés, abaixo da superfície.

Isso eliminava a possibilidade de uma escavação baseada apenas em mergulhadores humanos. Veículos operados remotamente e equipamentos desenvolvidos para exploração profunda tiveram papel central na inspeção e retirada de objetos do local.

O projeto tornou-se um exemplo importante do uso de tecnologia de águas profundas em salvamento marítimo.

Assista o vídeo

O artigo técnico de Stone descreveu o naufrágio como localizado a quase 8 mil pés no fundo do oceano e registrou que, até 1989, o grupo já havia trazido aproximadamente uma tonelada de barras e moedas de ouro para a superfície.

Barras e milhares de moedas transformaram o naufrágio em uma fortuna

As operações realizadas entre 1988 e 1991 retiraram uma grande quantidade de ouro do sítio. Segundo informações divulgadas posteriormente pela Odyssey, mais de mil horas de trabalho foram realizadas no fundo do mar durante essa primeira fase.

Entre os objetos encontrados estavam barras, moedas e outros materiais ligados à corrida do ouro. Décadas depois, a Associated Press registrou que investidores apontavam uma venda de mais de 500 barras e milhares de moedas por cerca de US$ 50 milhões, demonstrando a escala econômica do material que chegou ao mercado.

O valor de peças individuais também atingiu números extraordinários. Em 2001, um lingote de aproximadamente 80 libras recuperado do Central America foi vendido por cerca de US$ 8 milhões, enquanto outro grande lingote alcançou US$ 2,16 milhões em leilão realizado em 2022.

Primeira operação havia explorado apenas uma pequena parte do naufrágio

Apesar da quantidade de ouro trazida à superfície, a exploração inicial não esgotou o sítio. Dados ligados às operações posteriores indicam que apenas cerca de 5% do naufrágio havia sido trabalhado na fase realizada entre o fim dos anos 1980 e o começo dos anos 1990.

Isso permitiu que uma nova campanha fosse organizada em 2014. A Odyssey Marine Exploration recebeu contrato para voltar ao local e realizar trabalhos arqueológicos e de recuperação sobre partes ainda não exploradas do Central America.

A nova etapa voltou a encontrar ouro. Inventários tornados públicos por decisão judicial registraram lingotes, pepitas, pó de ouro e moedas de diferentes valores, incluindo peças de US$ 20, US$ 10, US$ 5, US$ 2,50 e US$ 1, além de moedas estrangeiras e outros artefatos históricos.

Tesouro também preservou objetos pessoais do século XIX

O Central America não revelou apenas metais preciosos. As expedições recuperaram objetos pessoais capazes de mostrar detalhes da vida de passageiros que atravessavam o continente americano em meados do século XIX.

Entre os achados documentados estão daguerreótipos, recipientes de produtos pessoais, roupas e uma mala pertencente a um casal recém-casado que viajava no navio. As condições do ambiente submarino ajudaram a preservar alguns materiais que normalmente teriam desaparecido ao longo de mais de um século.

Por isso, o sítio passou a ter valor que vai além do preço de suas barras e moedas. Ele funciona também como uma cápsula do tempo da corrida do ouro e das viagens entre a Califórnia e a costa leste antes da conclusão da ferrovia transcontinental.

Disputa com investidores começou anos depois da descoberta

A recuperação do tesouro abriu uma longa batalha sobre dinheiro e propriedade. Investidores haviam financiado a busca conduzida por Thompson e, posteriormente, alegaram não ter recebido a parcela que esperavam dos valores obtidos com a comercialização do ouro.

Assista o vídeo

Em 2005, investidores moveram uma ação relacionada aos recursos obtidos com o tesouro. A Associated Press informa que a disputa envolvia os aproximadamente US$ 50 milhões provenientes da venda de mais de 500 barras e milhares de moedas.

Thompson posteriormente deixou de comparecer a uma audiência determinada pela Justiça em 2012 e tornou-se foragido. Autoridades o localizaram em um hotel na Flórida três anos depois, onde estava vivendo sob outro nome.

Justiça passou anos tentando localizar 500 moedas de ouro

No centro da etapa mais estranha do caso estavam 500 moedas de ouro. Thompson foi pressionado judicialmente a fornecer informações sobre o paradeiro das peças e passou anos preso por desacato civil depois de se recusar a dar respostas consideradas suficientes pela Justiça.

Thompson sustentou que as moedas, avaliadas na época em aproximadamente US$ 2,5 milhões, haviam sido entregues a um fundo sediado em Belize. Mesmo após anos de audiências e ordens judiciais, porém, as autoridades não conseguiram estabelecer onde as peças estavam fisicamente.

A situação se prolongou muito além do período normalmente associado à prisão por desacato. Um tribunal federal de apelação decidiu em 2019 que o limite geral de 18 meses não se aplicava da maneira defendida por Thompson porque sua falta de cooperação também violava condições estabelecidas em um acordo judicial.

Tommy Thompson deixou a prisão em março de 2026 e moedas continuavam desaparecidas

O capítulo mais recente ocorreu em 4 de março de 2026, quando Tommy Thompson foi libertado da custódia federal. Registros do Bureau of Prisons consultados pela Associated Press confirmaram a saída depois de aproximadamente uma década de encarceramento relacionado às disputas judiciais do caso.

Antes disso, um juiz havia encerrado a prisão por desacato civil ao concluir que mantê-lo encarcerado já não parecia capaz de produzir novas informações sobre o ouro. Thompson ainda precisou cumprir uma pena separada de dois anos relacionada à ausência na audiência judicial de 2012.

A libertação não resolveu o principal mistério. Em março de 2026, a Associated Press ainda descrevia as 500 moedas como não contabilizadas, sem confirmação pública de onde estavam.

Assim, uma história iniciada com um navio carregando toneladas de ouro em 1857, seguida pela descoberta a 2,2 quilômetros de profundidade em 1988, permanece aberta quase quatro décadas depois da localização do naufrágio.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

Sair da versão mobile