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Caminhoneira encara quase 3 dias de estrada, passa por Pouso Alegre, Guarulhos e Curitiba arrecadando colchões, água, fraldas, leite e mamadeiras e chega com carreta a Porto Alegre em meio a mais de 50 bloqueios nas rodovias, quando 537 mil pessoas estavam fora de casa pelas enchentes
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 27/08/2026 às 15:55
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Suelen Lopes saiu de Minas Gerais ao lado da cantora Sula Miranda e cruzou três estados recolhendo itens essenciais antes de chegar a Porto Alegre em 11 de maio de 2024, quando mais de 2,1 milhões de pessoas já haviam sido afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul
Foram quase três dias entre estrada, pontos de arrecadação e chuva até que a caminhoneira Suelen Lopes estacionasse uma carreta carregada de donativos em Porto Alegre. A viagem começou em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, passou por Guarulhos, em São Paulo, e por Curitiba, no Paraná, antes de seguir para o Rio Grande do Sul.
Na cabine estava também a cantora e apresentadora Sula Miranda, conhecida pela relação de décadas com os caminhoneiros brasileiros. Durante o percurso, as duas participaram da mobilização para reunir colchões, água, fraldas, leite, mamadeiras e outros produtos destinados às famílias atingidas pelas enchentes históricas de maio de 2024.
A carreta chegou na tarde de sábado, 11 de maio, à região da Azenha, na capital gaúcha. De acordo com a publicação da Universal que registrou a chegada, o mau tempo acompanhou parte da viagem, mas o grupo conseguiu completar o trajeto e levar a carga até o ponto de recebimento dos donativos.
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A operação aconteceu justamente quando o Rio Grande do Sul enfrentava uma das fases mais críticas da tragédia. Além de casas alagadas e famílias fora de suas cidades ou bairros, dezenas de rodovias permaneciam bloqueadas, tornando o transporte de alimentos, água e produtos de higiene uma tarefa logística bem mais complexa que uma viagem convencional.
O caminhão saiu de Pouso Alegre e foi recebendo novas doações pelo caminho
Suelen Lopes partiu de Pouso Alegre, em Minas Gerais, e seguiu em direção ao Sul. A escolha de aproveitar o próprio deslocamento para reunir produtos em diferentes cidades permitiu que a carga fosse crescendo antes da entrada no Rio Grande do Sul.
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, e depois em Curitiba, novos itens foram acrescentados à carreta. Entre os materiais citados pelas participantes estavam produtos de necessidade imediata em abrigos, como água potável, fraldas, leite e mamadeiras, além de colchões para pessoas que haviam deixado suas casas às pressas.
Sula Miranda relatou que a viagem durou quase três dias. A mobilização fazia parte de uma rede maior de caminhoneiros envolvidos no transporte de ajuda para o estado, em um momento no qual caminhões passaram a cumprir um papel decisivo entre centros de arrecadação instalados em diferentes regiões do país e as cidades gaúchas isoladas ou parcialmente acessíveis.
A viagem também ocorreu sob condições meteorológicas adversas. O Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet, previa para os dias 10, 11 e 12 de maio novos volumes de chuva que poderiam superar 100 milímetros em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, justamente no período em que a carreta avançava para Porto Alegre.
Quando Suelen chegou a Porto Alegre, outras carretas já formavam uma corrente de ajuda
A carreta conduzida por Suelen não viajava sozinha nessa mobilização. Outras cargas estavam chegando ao Rio Grande do Sul com água, roupas, alimentos e produtos básicos reunidos por voluntários e caminhoneiros de diferentes estados.
Segundo informações do Correio do Povo, o projeto Guardiões da Estrada já havia distribuído mais de 30 toneladas de donativos até aquele sábado, com entregas em Porto Alegre, Viamão e Alvorada. Cerca de 250 voluntários participaram da operação, enquanto a rede ligada ao projeto reunia milhares de caminhoneiros pelo país.
Esse número de 30 toneladas corresponde ao conjunto das doações distribuídas pela iniciativa, e não exclusivamente à carga levada por Suelen. As fontes consultadas não informam o peso exato da carreta conduzida pela caminhoneira, embora descrevam uma carga formada por diferentes tipos de produtos recolhidos durante o trajeto.
Horas antes da chegada de Suelen e Sula Miranda, outra caminhoneira também havia estacionado uma carreta de ajuda no mesmo ponto. Conhecida como dona Lili, a motorista era moradora do Paraná e acumulava, na época, 19 anos trabalhando nas estradas.
Mais de meio milhão de pessoas estavam fora de casa no dia da chegada da carreta
Os produtos transportados encontraram um estado com uma demanda humanitária gigantesca. No boletim divulgado às 18h de 11 de maio de 2024, poucas horas depois da chegada da carreta, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul contabilizava 2.115.416 pessoas afetadas em 446 municípios.
Naquele momento, 537.380 pessoas estavam desalojadas e outras 81.043 permaneciam em abrigos. O balanço oficial também registrava 136 mortes confirmadas, 125 desaparecidos e mais de 74 mil pessoas resgatadas.
Esses números ajudam a dimensionar por que produtos aparentemente simples, como uma mamadeira, um pacote de fraldas ou um colchão, passaram a ser requisitados em grande quantidade. Abrigos improvisados recebiam milhares de moradores que haviam deixado para trás móveis, roupas, documentos e praticamente tudo que utilizavam no cotidiano.
A situação também mudava rapidamente. Chuvas sucessivas, rios ainda elevados e novos alertas faziam com que famílias permanecessem longe de casa por períodos indefinidos, aumentando a necessidade de reposição contínua de água, alimentação, roupas de cama e itens de higiene.
Para chegar ao destino, caminhões de doações tinham prioridade em estradas tomadas por bloqueios
Viajar para Porto Alegre naquela semana estava longe de ser um deslocamento comum. Um dia antes da chegada de Suelen, a Polícia Rodoviária Federal alertou que viagens desnecessárias ao Rio Grande do Sul deveriam ser evitadas, diante de mais de 50 pontos de bloqueio total nas rodovias e das dificuldades de circulação.
A própria PRF orientava que o trânsito fosse priorizado para equipes de resgate, forças de segurança e caminhões carregados com doações e suprimentos. Isso colocava veículos como a carreta conduzida por Suelen entre os deslocamentos considerados necessários naquele momento.
No próprio sábado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes contabilizava 25 pontos com interdições em rodovias federais sob sua administração no estado, incluindo trechos das BRs 116, 153, 158, 287, 290, 386, 470 e 472. Algumas áreas funcionavam com bloqueio completo e outras com circulação parcial ou sistema de pare e siga.
O cenário explica por que uma viagem que normalmente seria apenas uma longa rota rodoviária ganhou outra dimensão. Era preciso transportar a carga até uma região ainda sob chuva, com acessos comprometidos e fluxo constante de veículos de emergência.
Depois de quase três dias na estrada, a carga entrou em uma operação muito maior de assistência às famílias
A chegada da carreta a Porto Alegre encerrou a parte rodoviária da missão de Suelen Lopes, mas não o caminho das doações. Os produtos precisavam ser descarregados, separados e encaminhados conforme a necessidade dos pontos de atendimento e das famílias atingidas.
A mobilização daquela semana mostrou também a importância dos caminhoneiros na cadeia de ajuda humanitária. Produtos arrecadados a centenas ou milhares de quilômetros do Rio Grande do Sul só conseguiam alcançar os centros de distribuição porque motoristas aceitavam enfrentar longas distâncias, desvios e uma malha rodoviária bastante comprometida.
Para Suelen e Sula Miranda, o percurso ligou Pouso Alegre, Guarulhos, Curitiba e Porto Alegre em quase três dias. O que começou com uma carreta na estrada terminou com colchões, água, leite, fraldas e mamadeiras chegando a uma região onde centenas de milhares de pessoas estavam fora de casa.
O que você achou da atitude da caminhoneira e da mobilização de motoristas que levaram doações ao Rio Grande do Sul durante as enchentes? Deixe sua opinião nos comentários e conte se você acompanhou alguma iniciativa semelhante em sua cidade.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

