SC
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Caminhoneiro catarinense termina entrega de trabalho em São Paulo e, em vez de voltar com o caminhão vazio para casa, coloca o veículo à disposição para carregar doações e levar alimentos e mantimentos às famílias atingidas pelas enchentes em SC
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/08/2026 às 20:08
Atualizado em 28/08/2026 às 20:54
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Depois de concluir uma entrega em São Paulo, o caminhoneiro Neri José decidiu colocar o caminhão que retornaria vazio à disposição para transportar doações destinadas às famílias atingidas pelas enchentes em Santa Catarina. A iniciativa ajudou a levar alimentos, água, roupas e outros itens reunidos no Paraná.
A volta de Neri José coincidiu com um gargalo da campanha de ajuda: havia alimentos, água, roupas e outros itens nos pontos de coleta, mas faltavam veículos suficientes para fazer as cargas seguirem até os municípios catarinenses atingidos.
O caminhoneiro havia terminado uma entrega profissional em São Paulo e faria o retorno sem mercadoria. Em vez de manter o compartimento vazio, colocou o veículo à disposição para transportar parte dos donativos reunidos para as famílias afetadas pelas enchentes.
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A história foi registrada em novembro de 2008. A Gazeta do Povo informou que Neri estava em São Paulo entregando uma carga e decidiu aproveitar o caminho de volta para levar doações; o episódio também havia sido mostrado pelo ParanáTV 1ª edição.
Naquele momento, cerca de 150 toneladas de donativos já haviam sido enviadas do Paraná para Santa Catarina, enquanto a previsão era de que 15 caminhões carregados deixassem Curitiba naquele dia, número ainda insuficiente diante do material recebido pela campanha.
Caminhão vazio virou capacidade de transporte para as doações
Foi nesse ponto da operação que a decisão de Neri ganhou utilidade prática: como ele já precisava retornar depois de concluir o serviço em São Paulo, a capacidade que ficaria ociosa passou a atender uma demanda imediata da mobilização.
A Defesa Civil do Paraná também registrou a participação do motorista e informou que ele passava pelo estado com o caminhão vazio quando entrou em contato para colaborar com a operação.
“É muito importante que ajudemos da forma que pudermos”, afirmou Neri na ocasião, conforme o registro do órgão. A participação ocorreu enquanto a campanha buscava ampliar o número de caminhoneiros voluntários capazes de levar novas cargas para Santa Catarina.
A contribuição acrescentava capacidade de transporte sem exigir a criação de uma viagem específica para aquele trecho, pois o retorno já faria parte da rotina profissional do motorista e o espaço disponível poderia ser ocupado por produtos que aguardavam encaminhamento.
Os itens recebidos incluíam alimentos, água, roupas, calçados, cobertores, colchões, produtos de higiene e limpeza, utensílios domésticos e móveis. Como parte das doações ocupava grande volume, reunir mercadorias era apenas uma etapa do trabalho; também era necessário organizar veículos e rotas para distribuí-las.
A água potável estava entre as necessidades mais urgentes, porque informações divulgadas na época indicavam danos em redes de abastecimento de diferentes localidades catarinenses, aumentando a importância do envio de água e de outros produtos básicos às comunidades atingidas.
Transporte era parte decisiva da mobilização
A arrecadação envolvia pontos de coleta em quartéis do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, onde a população podia entregar donativos. Depois da separação dos produtos, os carregamentos dependiam de caminhões disponíveis para deixar o Paraná e seguir em direção às áreas afetadas.
A falta de veículos transformava a logística em uma etapa tão importante quanto a coleta: um produto já doado ainda precisava percorrer a distância entre o local em que havia sido recebido e o município onde seria distribuído.
O caso de Neri se encaixava exatamente nessa necessidade. Não se tratava apenas de acrescentar uma carga, mas de colocar em circulação um veículo que, naquele percurso, voltaria sem mercadoria enquanto havia doações esperando transporte.
As enchentes daquele período afetaram cerca de 1,5 milhão de pessoas em Santa Catarina, conforme dados divulgados à época e reproduzidos pela imprensa, ampliando simultaneamente a procura por água, alimentos, produtos de higiene, roupas e estruturas capazes de distribuir o material arrecadado.
Além das doações de bens, havia também canais destinados às contribuições financeiras. Durante a mobilização, a Defesa Civil catarinense advertiu a população sobre mensagens falsas com pedidos de depósitos e orientou que transferências fossem feitas apenas pelos meios oficiais divulgados para a campanha.
No transporte rodoviário, caminhões voluntários entravam justamente na passagem entre arrecadação e entrega, acrescentando espaço e capacidade de deslocamento a uma operação que continuava recebendo novos donativos enquanto tentava escoar o que já estava separado.
Neri entrou nessa rede depois de cumprir sua própria obrigação profissional: o caminhão já havia levado a carga prevista até São Paulo e faria o retorno para Santa Catarina de qualquer forma, mas a viagem deixou de ser realizada com o compartimento vazio.
Com novos carregamentos sendo preparados, a campanha mantinha aberta a procura por outros veículos. Proprietários interessados em colaborar podiam se cadastrar junto aos bombeiros para ajudar a transportar as doações que ainda precisavam seguir em direção a Santa Catarina.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

