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Caminhoneiro gaúcho termina viagem de trabalho em São Paulo e, em vez de voltar com a carreta vazia para casa, oferece o próprio caminhão para carregar 25 toneladas de doações e levar alimentos e mantimentos às famílias atingidas pelas enchentes no RS

Caminhoneiro gaúcho termina viagem de trabalho em São Paulo e, em vez de voltar com a carreta vazia para casa, oferece o próprio caminhão para carregar 25 toneladas de doações e levar alimentos e mantimentos às famílias atingidas pelas enchentes no RS

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Caminhoneiro gaúcho termina viagem de trabalho em São Paulo e, em vez de voltar com a carreta vazia para casa, oferece o próprio caminhão para carregar 25 toneladas de doações e levar alimentos e mantimentos às famílias atingidas pelas enchentes no RS

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 26/08/2026 às 16:28

Atualizado em 26/08/2026 às 16:29

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Caminhoneiro do RS transporta 25 toneladas de doações de Sorocaba para famílias atingidas pelas enchentes em Alvorada. (Foto: FÁBIO ROGÉRIO)

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Eraldo Gomes da Rosa fazia viagens frequentes entre o Rio Grande do Sul e São Paulo quando decidiu trocar o retorno sem carga por uma viagem solidária com cerca de 25 toneladas de donativos arrecadados em Sorocaba e destinados a Alvorada, uma das cidades atingidas pelas chuvas de maio de 2024

O caminhoneiro Eraldo Gomes da Rosa, morador de Osório, no Rio Grande do Sul, havia concluído mais uma viagem de trabalho a São Paulo quando surgiu uma possibilidade diferente para o trajeto de volta. Em vez de retornar com espaço disponível na carreta, ele se ofereceu para transportar gratuitamente uma carga de ajuda humanitária até seu estado.

O caminhão saiu carregado com cerca de 25 toneladas de doações arrecadadas em Sorocaba, no interior paulista. O destino informado era Alvorada, município da Região Metropolitana de Porto Alegre que também enfrentava os efeitos das fortes chuvas e inundações.

Eraldo contou que costumava viajar para São Paulo todas as semanas a trabalho e que sua própria família estava bem. Diante da dimensão da tragédia enfrentada por outros moradores gaúchos, decidiu aproveitar justamente aquilo que tinha disponível naquele momento: o espaço da carreta e a viagem de retorno.

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Segundo informações publicadas pelo Jornal Cruzeiro do Sul em 9 de maio de 2024, o motorista afirmou que voltaria ao Estado com gratidão pela segurança de sua família e com o caminhão carregado para ajudar pessoas que haviam perdido seus bens nas enchentes. O transporte voluntário transformou uma viagem comercial de retorno em mais uma rota para levar mantimentos ao Rio Grande do Sul.

A carreta de Eraldo entrou em uma operação que já movimentava centenas de toneladas de donativos

A carga levada pelo caminhoneiro não surgiu de uma arrecadação isolada. Naqueles primeiros dias de maio, Sorocaba havia montado uma operação de coleta, separação e transporte de alimentos, água, roupas, produtos de higiene, materiais de limpeza, colchões e ração para animais.

Em 5 de maio, um grande ponto de arrecadação instalado em frente ao Paço Municipal recebeu uma quantidade muito superior à meta inicialmente prevista. A campanha pretendia chegar a 30 toneladas, mas arrecadou cerca de 120 toneladas somente naquela mobilização, de acordo com a Prefeitura de Sorocaba. Um avião e três carretas deixaram a cidade com parte dos produtos no dia seguinte.

Foi nesse esforço logístico que caminhões particulares e motoristas dispostos a realizar o transporte passaram a ter papel prático. Arrecadar toneladas de água e alimentos resolvia apenas uma parte do problema; era necessário encontrar veículos, organizar as cargas e fazer os produtos percorrerem centenas de quilômetros até as áreas afetadas.

O caminhão conduzido por Eraldo permitiu aproveitar uma viagem que aconteceria de qualquer maneira. A carreta que poderia voltar vazia para o Rio Grande do Sul passou a transportar aproximadamente 25 toneladas de ajuda, reduzindo a necessidade de contratar outro veículo exclusivamente para aquela carga.

Enquanto o caminhoneiro seguia para Alvorada, Sorocaba preparava novos carregamentos para o Sul

Voluntários preparam novos caminhões com doações em Sorocaba para famílias atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul

A mobilização continuou durante os dias seguintes. Em 10 de maio, Sorocaba preparou outro grande envio, com carretas destinadas ao transporte de alimentos, água, feno e ração, além de um avião levando medicamentos, fraldas e produtos de higiene pessoal.

Naquele momento, o volume acumulado pela campanha municipal já alcançava aproximadamente 300 toneladas de itens de primeira necessidade, segundo registros divulgados pela Agência de Notícias da Prefeitura de Sorocaba. Funcionários públicos, moradores, empresas e voluntários participaram da coleta e da preparação das cargas.

A operação ganhou ainda o reforço de 95 voluntários ligados ao Tiro de Guerra de Sorocaba em 10 de maio. Separar roupas, organizar caixas, identificar produtos e preparar cada carregamento era necessário para que as toneladas arrecadadas pudessem seguir viagem em condições de distribuição quando chegassem ao Estado.

A participação de motoristas como Eraldo tinha uma função específica dentro dessa cadeia. Sem transporte rodoviário disponível, grandes volumes arrecadados poderiam permanecer nos centros de coleta justamente enquanto municípios gaúchos enfrentavam falta de itens básicos.

O destino das 25 toneladas estava entre os municípios atingidos pelas chuvas

Alvorada enfrentou inundações durante a sequência de temporais que começou no fim de abril de 2024. Registros posteriores do governo federal incluíram o município entre as localidades com reconhecimento oficial relacionado às chuvas intensas de 1º de maio, chegando posteriormente à condição de estado de calamidade pública.

Isso colocava a carga transportada pelo caminhoneiro dentro de uma região onde milhares de moradores precisavam reconstruir a rotina depois da entrada da água em casas e bairros. Alimentos não perecíveis, água potável, produtos de limpeza, roupas e itens de higiene estavam entre os materiais enviados de diferentes partes do Brasil.

A dimensão do desastre tornou essa rede de transporte particularmente necessária. Uma análise publicada pelo governo gaúcho um ano depois apontou que as chuvas extremas atingiram 478 dos 497 municípios do Rio Grande do Sul, mais de 95% do território municipal do Estado, deixando 182 mortos e quase um milhão de pessoas diretamente afetadas.

Estradas bloqueadas, pontes danificadas e áreas inundadas também dificultavam a chegada das cargas. Por isso, além da quantidade arrecadada, a disponibilidade de caminhões e motoristas capazes de colocar os donativos em movimento se tornou parte central da resposta à emergência.

Uma viagem que normalmente terminaria sem carga passou a levar 25 toneladas de ajuda

No caso de Eraldo, a decisão ocorreu no intervalo entre uma entrega comercial e o retorno para casa. Ele já faria o trajeto de volta ao Rio Grande do Sul e decidiu utilizar a capacidade disponível da carreta para transportar doações, sem transformar o gesto em uma operação separada de sua rotina profissional.

A situação também mostra uma característica que marcou as primeiras semanas depois das enchentes: parte da ajuda chegou ao Estado por meio de uma rede formada por municípios, empresas, entidades, voluntários e transportadores. Um produto doado em Sorocaba precisava ser recebido, separado, carregado, transportado e finalmente distribuído até chegar às famílias.

Para o caminhoneiro gaúcho, a viagem teve ainda um significado pessoal. Enquanto sua família havia escapado das consequências mais graves das chuvas, milhares de outros moradores estavam deixando suas casas ou retornando para encontrar móveis, roupas e alimentos perdidos pela água.

O que você faria se estivesse voltando para casa com uma carreta vazia em uma situação como essa? Deixe sua opinião nos comentários e conte também se você acompanhou ou participou de alguma mobilização para ajudar as famílias atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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