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Canadá fecha contrato de C$ 11,3 bilhões com o estaleiro Davie para seis quebra-gelos Polar Class 3, com 5 mil empregos e frota nova para o Ártico a partir de 2027

Canadá fecha contrato de C$ 11,3 bilhões com o estaleiro Davie para seis quebra-gelos Polar Class 3, com 5 mil empregos e frota nova para o Ártico a partir de 2027

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Canadá fecha contrato de C$ 11,3 bilhões com o estaleiro Davie para seis quebra-gelos Polar Class 3, com 5 mil empregos e frota nova para o Ártico a partir de 2027

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 30/08/2026 às 19:18

Atualizado em 30/08/2026 às 19:20

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O estaleiro Davie, em Lévis, no Quebec, assinou com o governo canadense um contrato de preço fixo para construir seis quebra-gelos Polar Class 3 para a Guarda Costeira, o maior da história naval da província, com o primeiro casco em 2027 e entregas ao longo da década de 2030.

O anúncio foi feito em cerimônia no dia 24 de agosto de 2026, no próprio estaleiro. Estavam lá o primeiro-ministro Mark Carney, a premiê do Quebec, Christine Fréchette, e o comissário da Guarda Costeira canadense, Kevin Brosseau. Segundo o comunicado oficial da Davie, o valor fechado é de C$ 11,3 bilhões, em modelo de preço fixo, dentro da National Shipbuilding Strategy, o programa federal de renovação das frotas da Marinha e da Guarda Costeira.

Os seis navios recebem o nome genérico de Program Icebreakers. Eles vão substituir os quebra-gelos pesados e médios que hoje operam no Atlântico canadense, no rio São Lourenço, nos Grandes Lagos durante o inverno e no Ártico durante o verão. Conforme o gabinete do primeiro-ministro, a construção deve sustentar cerca de 5.000 empregos e injetar aproximadamente C$ 650 milhões por ano no PIB do país, com exigência de aço canadense e materiais nacionais.

O que significa ser um quebra-gelos Polar Class 3

A sigla que aparece no contrato não é marketing. Polar Class é um sistema de classificação criado pela International Association of Classification Societies, a IACS. A entidade reúne as principais sociedades classificadoras do mundo. As regras unificadas foram publicadas em 2007 e valem para navios contratados a partir de julho daquele ano. A escala vai de PC1, o topo, até PC7, o degrau mais leve.

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Um navio PC3, de acordo com a definição da IACS, é projetado para operação durante o ano inteiro em gelo de segundo ano, que pode conter inclusões de gelo plurianual, com espessuras que chegam a 2,5 metros. Ou seja, não se trata de um navio que só sai no verão ártico quando a banquisa recua. É um casco pensado para trabalhar quando o gelo já endureceu por mais de um inverno.

Reportagem do gCaptain, publicada após o anúncio, detalha que os Program Icebreakers devem ter entre 110 e 120 metros de comprimento. Eles mantêm 3 nós de velocidade abrindo caminho em gelo de 1,4 metro, têm autonomia de cerca de 20 mil milhas náuticas a 11 nós e convés preparado para um helicóptero médio da Guarda Costeira. São números de navio de trabalho, não de ícone. E é exatamente isso que a frota atual, envelhecida, precisa.

Por que o Canadá está gastando tanto no Ártico

A resposta curta está nas falas do dia. Carney afirmou, segundo o comunicado do governo, que os seis navios vão manter acessíveis e seguras as rotas comerciais que levam produtos canadenses ao mundo. O ministro da Defesa, David McGuinty, foi mais direto ao falar em fortalecer a presença do país no Ártico e chamou os navios de investimento em soberania. Dá pra entender o tom. Com o gelo recuando em parte do ano e o interesse de outras potências crescendo, quem não tem navio capaz de chegar lá simplesmente não está lá.

O contexto internacional ajuda a explicar. Em 2024, Canadá, Estados Unidos e Finlândia assinaram o Icebreaker Collaboration Effort, o chamado ICE Pact. O acordo busca reconstruir a capacidade ocidental de construir quebra-gelos. O Canadá já opera a maior frota do tipo dentro da OTAN, conforme o Defence Industry Europe, e os seis novos cascos reforçam essa posição. Além disso, as missões previstas vão bem além de abrir canal: busca e salvamento, resposta ambiental, reabastecimento das comunidades do Norte e apoio à ciência ártica.

A National Shipbuilding Strategy, por sua vez, nasceu em 2010 como um programa de longo prazo para renovar as frotas federais com construção doméstica. Por mais de uma década, o trabalho ficou dividido entre a Irving, em Halifax, e a Seaspan, em Vancouver. A Davie só foi formalmente incorporada como terceiro estaleiro do programa em abril de 2023, com a missão específica de cuidar dos quebra-gelos. Três anos depois, recebe o maior contrato naval já assinado no Quebec.

A escalada da Davie, de Lévis a Helsinque e ao Texas

O contrato de agosto não caiu do céu. Conforme o gabinete do primeiro-ministro, a Davie acumulava C$ 7,74 bilhões em contratos federais desde 2012. Em 2024 veio um contrato de projeto de C$ 19,6 milhões para amadurecer o design dos Program Icebreakers. Em 2025, o estaleiro fechou a construção do Polar Max, um quebra-gelos pesado Polar Class 2 de 22.800 toneladas, avaliado em C$ 3,25 bilhões, que vai se chamar CCGS Arpatuuq e tem entrega prevista para 2030.

O Polar Max é a peça que conecta as pontas. Ele está sendo construído em modelo híbrido entre a unidade de Lévis e o estaleiro de Helsinque, na Finlândia. O estaleiro finlandês pertence ao grupo Inocea, controlador da Davie. Segundo o gCaptain, a experiência finlandesa em gelo é o que dá lastro técnico ao pacote canadense. No caminho, o grupo ainda ganhou um contrato de US$ 3,5 bilhões para cinco Arctic Security Cutters da Guarda Costeira americana. Os dois primeiros saem de Helsinque e os três restantes do Texas, onde o grupo planeja investir US$ 1 bilhão nas instalações da Gulf Copper, em Galveston e Port Arthur.

Somando tudo, o grupo opera hoje cinco estaleiros entre Canadá, Estados Unidos e Finlândia. A presidente da Davie, Lindsey Kettel, disse no comunicado que o contrato de preço fixo dá certeza de longo prazo e permite que as equipes e os fornecedores alcancem níveis de eficiência nunca vistos. James Davies, CEO, afirmou que o resultado reflete a confiança do Canadá na capacidade da empresa de entregar navios complexos e críticos. Confesso que o desenho lembra o que o Brasil tentou com o Prosub e os estaleiros da era pré-sal. Encomenda pública grande, transferência de tecnologia estrangeira e aposta em cadeia local. A diferença é o cronograma amarrado a preço fixo e a exigência de aço nacional escrita no contrato.

O calendário é longo, e o Defence Industry Europe aponta que o primeiro navio deve ser entregue em 2032, cinco anos após o início da construção, com a frota completa em operação em 2038. Enquanto isso, os quebra-gelos atuais seguem abrindo o São Lourenço e subindo ao Ártico a cada verão, esperando os substitutos. Para os fornecedores do Quebec e de todo o Canadá, no entanto, o trabalho já começa agora. São mais de dez anos de carga garantida no cais de Lévis. Fica a dúvida, e vale a pena comentar, sobre o que uma encomenda desse tamanho faria por um estaleiro brasileiro.

Um contrato de preço fixo com aço nacional obrigatório funcionaria num estaleiro brasileiro, ou o cronograma estouraria no primeiro ano?

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Fontes

Davie — Historic contract to build six Program Icebreakers

Naval News — Davie wins $11.3 billion Canadian Coast Guard icebreaker contract

Defence Industry Europe — Canada awards contract to Chantier Davie

Prime Minister of Canada — largest shipbuilding contract in Québec’s history

gCaptain — Davie adds six Canadian icebreakers to growing Arctic portfolio


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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