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“Canhões de Sêneca” fazem cidades inteiras tremer há séculos nos Estados Unidos, sacodem janelas, levam moradores assustados às ruas e desafiam cientistas porque ninguém consegue descobrir de onde vêm as explosões invisíveis
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 04/08/2026 às 20:57
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Estrondos semelhantes a explosões fazem casas e janelas tremerem em regiões costeiras, mas muitos casos continuam sem uma origem confirmada.
Um estrondo repentino corta o silêncio, faz portas e janelas vibrarem e leva moradores a procurar sinais de explosão, acidente ou terremoto. Pouco depois, autoridades consultam radares e equipamentos sísmicos, mas nem sempre encontram algo capaz de explicar o barulho. Nos Estados Unidos, esses sons misteriosos ficaram conhecidos como “Canhões de Sêneca”. Alguns casos foram ligados a terremotos, aviões, explosões ou meteoros, mas outros atravessaram décadas sem uma causa confirmada.
Canhões de Sêneca parecem explosões sem uma origem visível
Os relatos descrevem sons profundos e fortes, semelhantes ao disparo de um grande canhão. O barulho pode surgir uma única vez ou se repetir em pequenos intervalos, sem fumaça, fogo ou qualquer objeto visível no céu.
Em episódios mais intensos, moradores afirmam sentir uma pequena vibração no chão ou nas paredes. Janelas, portas e objetos dentro das casas podem balançar, aumentando a impressão de que uma explosão aconteceu nas proximidades.
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O problema é que o som pode viajar por grandes distâncias antes de chegar às pessoas. Assim, aquilo que parece ter acontecido na rua ao lado pode ter começado no oceano, na atmosfera ou a muitos quilômetros do local.
Nome surgiu perto do Lago Seneca nos Estados Unidos
O nome “Canhões de Sêneca” passou a ser usado para os estrondos ouvidos perto do Lago Seneca, na região dos Finger Lakes, no estado de Nova York. Sons parecidos também receberam essa denominação em áreas costeiras da Carolina do Norte, Carolina do Sul e Virgínia.
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O escritor norte-americano James Fenimore Cooper descreveu o fenômeno em 1850. Ele falou sobre um som profundo e distante, semelhante à explosão de uma grande peça de artilharia, que parecia ecoar entre o lago e as colinas.
Os registros, porém, não começaram com equipamentos científicos modernos. Durante muito tempo, as informações dependiam apenas da memória dos moradores, de textos em jornais e de relatos feitos por pessoas que estavam na região.
Estrondos misteriosos são relatados há centenas de anos
O Serviço Geológico dos Estados Unidos informa que sons desconhecidos semelhantes a explosões são relatados em diferentes partes do mundo há centenas de anos. Alguns foram explicados, enquanto outros permaneceram sem resposta.
Nos Estados Unidos, muitos relatos aparecem no Nordeste e ao longo da Costa Leste. Também existem registros no Oeste, onde cientistas conseguiram relacionar determinados barulhos a pequenos terremotos próximos da superfície.
A grande quantidade de relatos não significa que todos tenham a mesma origem. O nome acabou sendo usado para diferentes tipos de estrondo, embora cada episódio possa ter sido provocado por uma causa completamente distinta.
Moradores sentem as casas tremerem sem encontrar danos
Em 2011, uma nova sequência de estrondos atingiu a região de Wilmington, na Carolina do Norte. Moradores descreveram uma sensação parecida com a passagem de um caminhão pesado ao lado da residência.
O som foi forte o suficiente para causar medo e fazer as estruturas vibrarem. Mesmo assim, não foram encontrados sinais claros de uma grande explosão, de um terremoto importante ou de outro evento capaz de justificar o impacto sentido pelas pessoas.
Esse contraste ajuda a manter o mistério. As testemunhas escutam e sentem algo real, mas a falta de danos e de um ponto visível de origem dificulta descobrir o que produziu o barulho.
Pequenos terremotos podem produzir fortes estrondos
Uma das possíveis explicações envolve terremotos pequenos e rasos. Quando a ruptura acontece perto da superfície, vibrações rápidas podem chegar ao ar e produzir um som parecido com uma explosão.
Em alguns casos, o estrondo pode ser ouvido mesmo quando as pessoas não percebem o chão tremer. Isso ocorre porque determinadas vibrações alcançam a superfície como som, mas não possuem força suficiente para causar uma movimentação claramente sentida.
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Terremotos mais profundos produzem outro efeito. As vibrações de frequência mais alta perdem força durante o caminho e podem não chegar ao ar com intensidade suficiente para criar um barulho semelhante a um canhão.
Cientistas já ouviram explosões causadas por tremores pequenos
Em 1989, cientistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos trabalhavam na região de Mammoth Mountain, na Califórnia, quando ouviram sons abafados semelhantes a explosões. Eles não perceberam uma forte movimentação do solo.
Os equipamentos mostraram que pequenos terremotos com magnitude inferior a 2 estavam acontecendo no mesmo momento. Como os tremores eram rasos, o som conseguiu chegar aos pesquisadores mesmo sem causar uma sacudida intensa.
Outro caso ocorreu em Spokane, em 2001, quando uma sequência de pequenos terremotos foi acompanhada por estrondos. Alguns desses tremores aconteceram a poucos quilômetros de profundidade, favorecendo a produção dos sons.
Grande terremoto de 1886 também produziu barulhos de canhão
Nem todos os estrondos ligados a terremotos acompanham eventos pequenos. O grande terremoto de Charleston, na Carolina do Sul, ocorrido em 1886, também foi acompanhado por sons fortes e bem documentados.
O tremor teve magnitude estimada em aproximadamente 6,9. Testemunhas descreveram um ruído crescente enquanto as ondas sísmicas atravessavam a região e movimentavam o solo.
Durante as semanas seguintes, novos estrondos foram ouvidos junto com as réplicas do terremoto. Os moradores compararam parte desses sons a fortes detonações, mostrando que a própria terra pode produzir barulhos parecidos com explosões.
Investigação não encontrou terremotos ligados aos sons costeiros
O sismólogo David Hill, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, analisou relatos registrados na Carolina do Norte. A pesquisa procurou sinais de terremotos que tivessem acontecido ao mesmo tempo que os estrondos.
O estudo utilizou redes sísmicas e considerou a possibilidade de instalar sensores de infrassom, equipamentos capazes de identificar ondas sonoras de frequência muito baixa. Também foram examinadas as condições geológicas e ambientais da região.
A análise não encontrou atividade sísmica importante ligada aos episódios estudados. O resultado indicou que aqueles sons provavelmente tinham uma origem atmosférica, embora a fonte exata não tenha sido determinada.
Estrondos podem vir da atmosfera e não do solo
Quando muitas pessoas escutam um barulho em uma área extensa, mas os sismógrafos não registram um terremoto correspondente, os cientistas passam a considerar uma origem no ar.
Entre as possibilidades estão aviões supersônicos, explosões atmosféricas de meteoros e atividades militares realizadas longe das cidades. O som pode chegar às residências sem que as pessoas consigam ver o acontecimento que o criou.
Os sismógrafos foram construídos principalmente para medir vibrações que atravessam o solo. Fenômenos atmosféricos transferem pouca energia para a terra e, por isso, podem produzir um estrondo sem deixar um sinal sísmico fácil de reconhecer.
Aviões supersônicos podem criar explosões no céu
Um avião produz um estrondo sônico quando ultrapassa a velocidade do som. A pressão acumulada forma ondas de choque que se espalham pelo ar e podem chegar ao solo como uma explosão repentina.
A aeronave não precisa estar diretamente sobre a cidade para que o barulho seja ouvido. Grande parte dos treinamentos supersônicos ocorre sobre o oceano, mas as ondas podem alcançar a costa dependendo da rota e das condições atmosféricas.
Normalmente, uma aeronave produz dois estrondos muito próximos, mas o ouvido humano pode percebê-los como apenas um.
Durante curvas, mergulhos ou acelerações, as ondas também podem se concentrar e causar um impacto mais forte em determinada área.
Condições do ar podem levar o som por grandes distâncias
A temperatura e o vento mudam a forma como o som viaja. Em determinadas situações, uma camada de ar quente fica sobre uma camada mais fria e funciona como uma barreira que desvia as ondas sonoras.
Esse fenômeno, chamado inversão térmica, pode fazer um som distante retornar em direção ao solo. Um barulho produzido sobre o oceano pode percorrer uma longa distância antes de atingir uma região habitada.
Ventos fracos perto da superfície também podem ajudar na propagação. Essas condições explicam por que uma explosão distante pode parecer próxima e por que algumas comunidades escutam o barulho com muito mais força que outras.
Satélites começaram a revelar explosões antes consideradas misteriosas
Os satélites meteorológicos mais modernos possuem sensores criados para acompanhar relâmpagos. Esses instrumentos também podem identificar clarões muito intensos produzidos por grandes meteoros durante a entrada na atmosfera.
Os equipamentos registram centenas de imagens por segundo e acompanham a mudança de brilho do objeto. Isso ajuda os cientistas a separar um meteoro de um relâmpago, de uma explosão no solo ou de outro fenômeno.
Em dezembro de 2020, um satélite detectou uma anormalidade sobre o estado de Nova York enquanto testemunhas relataram um clarão e um forte estrondo. A análise mostrou que um meteoro havia se desintegrado a dezenas de quilômetros de altura.
Relâmpagos, tempestades e ondas também podem causar barulhos
O Serviço Geológico dos Estados Unidos cita relâmpagos, tempestades, ondas de tsunami, meteoros e até dunas de areia entre as possíveis causas naturais de sons parecidos com explosões.
Alguns barulhos viajam pela atmosfera ou pela água antes de serem ouvidos em terra. A distância e o caminho percorrido podem modificar o som original e fazer um fenômeno comum parecer muito mais estranho.
Em regiões muito frias, a água presente no solo também pode congelar, aumentar de volume e quebrar pedras ou camadas de terra. Esses chamados tremores de gelo produzem estalos fortes e nem sempre aparecem nos sismógrafos.
Explosões, obras e veículos explicam grande parte dos casos
A maioria dos estrondos investigados possui uma causa ligada à atividade humana. Explosões controladas, mineração, obras, tráfego pesado e operações militares podem gerar ruídos que chegam a bairros distantes.
O horário e a distância dificultam a identificação imediata. Uma detonação feita longe de uma cidade pode chegar segundos depois, quando nenhuma fumaça ou movimentação já pode ser vista pelas pessoas que ouviram o som.
Em alguns episódios, a explicação surge quando autoridades confirmam a presença de aviões ou treinamentos na região. Em outros, nenhuma instituição assume ter realizado uma atividade capaz de produzir o estrondo.
Sismógrafos nem sempre conseguem registrar a verdadeira fonte
Os sismógrafos identificam com facilidade as ondas produzidas por um terremoto maior. Um estrondo atmosférico, porém, pode deixar apenas uma marca curta e fraca, diferente do desenho registrado por um tremor.
Quando o mesmo sinal aparece em várias estações, os especialistas comparam o horário de chegada. Ondas sonoras viajam pelo ar mais lentamente que as ondas sísmicas se deslocam pelas rochas.
Essa diferença pode indicar se a fonte estava no céu ou no subsolo. Mesmo assim, a ausência de sensores próximos e a falta de horários exatos nos relatos podem impedir uma conclusão segura.
Fenômeno não possui uma única explicação científica
Os Canhões de Sêneca não parecem representar um único fenômeno natural desconhecido. O nome reúne barulhos parecidos que podem ter sido produzidos por terremotos, meteoros, aviões, tempestades ou atividades humanas.
A ciência já conseguiu explicar vários episódios depois de comparar os relatos com radares, satélites e estações sísmicas. Ainda assim, permanecem casos nos quais nenhum evento conhecido aparece no horário e no local informados pelas testemunhas.
Teorias sobre fantasmas, visitantes extraterrestres ou falhas no tempo não possuem provas científicas. A falta de explicação para alguns sons não confirma nenhuma dessas hipóteses.
Explosões invisíveis continuam assustando regiões costeiras
Os equipamentos atuais conseguem identificar terremotos pequenos, explosões atmosféricas e muitos voos supersônicos. Mesmo assim, um estrondo pode acontecer longe dos sensores ou desaparecer antes que uma investigação completa seja iniciada.
Em determinadas situações, os moradores ficam apenas com a vibração nas janelas, o barulho semelhante a um canhão e a ausência de qualquer sinal visível. O acontecimento termina sem destroços, fumaça ou um ponto claro de origem.
O mistério, portanto, não está em uma única força desconhecida que sacode cidades há séculos. Ele está na dificuldade de descobrir qual entre várias causas possíveis produziu cada estrondo antes que o som desaparecesse para sempre.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

