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Cansada das ilhas de calor e da falta de áreas verdes, São Paulo já plantou 480 mil árvores desde 2021 e transformou bairros com menor cobertura vegetal em prioridade para tornar a cidade mais fresca e sustentável
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 04/08/2026 às 15:15
Atualizado em 04/08/2026 às 15:16
Curiosidades, Sustentabilidade
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Com quase meio milhão de árvores plantadas entre 2021 e junho de 2026, a Prefeitura de São Paulo intensificou a arborização urbana em ruas, parques, praças e áreas de recuperação ambiental, apostando na expansão da cobertura vegetal para reduzir as ilhas de calor, melhorar a drenagem, fortalecer a biodiversidade e preparar a capital para os desafios das mudanças climáticas.
São Paulo decidiu enfrentar um dos maiores desafios das grandes metrópoles modernas: o avanço das ilhas de calor provocado pela intensa urbanização. Em vez de apostar apenas em obras de infraestrutura, a Prefeitura ampliou os investimentos em arborização urbana e já está prestes a alcançar uma marca histórica. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de São Paulo, entre 2021 e junho de 2026 a cidade plantou 480.108 árvores, distribuídas por ruas, parques, praças e áreas destinadas à recuperação ambiental.
A estratégia vai muito além do paisagismo. O objetivo é criar uma cidade mais resistente aos eventos climáticos extremos, reduzir as temperaturas em regiões densamente urbanizadas, aumentar a infiltração da água da chuva no solo e recuperar a biodiversidade em bairros que historicamente apresentam pouca cobertura vegetal.
Somente desde o início de 2025 foram incorporadas 194.938 novas mudas, demonstrando uma aceleração significativa do programa municipal de arborização.
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Plantio de árvores cresce e prioriza bairros com menor cobertura vegetal
A expansão da arborização segue um planejamento técnico elaborado pelo Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU), documento que orienta toda a política de plantios na capital paulista.
O plano estabelece aproximadamente 170 ações estratégicas, incluindo a elaboração dos Planos Regionais de Arborização Urbana para as 32 subprefeituras, permitindo identificar exatamente quais regiões necessitam de maior cobertura de copa e menor quantidade de áreas verdes por habitante.
Esse diagnóstico faz com que os novos plantios sejam direcionados justamente aos bairros mais vulneráveis ao calor excessivo.
Além disso, técnicos analisam cuidadosamente cada local antes do plantio, considerando fatores como:
- largura das calçadas;
- redes subterrâneas e aéreas;
- espaço disponível para desenvolvimento das raízes;
- espécie mais adequada para cada ambiente.
A seleção prioriza árvores nativas da Mata Atlântica naturalmente presentes no município, fortalecendo corredores ecológicos e ampliando a biodiversidade urbana.
Segundo Rauflin Carloto, engenheiro agrônomo da Diretoria de Arborização Urbana da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), o objetivo é democratizar a arborização.
“Estamos direcionando os esforços para os distritos que possuem menor cobertura de copa. É uma forma de democratizar a arborização e ampliar a qualidade ambiental em toda a cidade.”
Quase cinco vezes mais árvores do que no início da gestão
Os números mostram uma aceleração expressiva do programa.
Em 2021, primeiro ano da atual gestão, foram plantadas 32.903 mudas.
Já em 2025, o número saltou para 155.018 árvores, quase cinco vezes mais.
Entre janeiro e junho de 2026, outras 39.920 árvores passaram a integrar a cobertura vegetal da capital, elevando para 194.938 o total de mudas plantadas desde o início de 2025.
Os bairros que mais receberam árvores desde 2021 foram:
- Perus: 45.279 árvores;
- Capela do Socorro: 38.940 árvores;
- Butantã: 38.296 árvores.
Enquanto isso, a política ambiental também ampliou significativamente as áreas protegidas da cidade.
Desde 2021, a Prefeitura inaugurou:
- 16 novos parques municipais;
- 16 bosques urbanos;
- declarou 51 áreas verdes particulares de utilidade pública.
Com isso, aproximadamente 26% do território municipal passará a contar com algum tipo de proteção ambiental.
Atualmente, São Paulo possui mais de 50% de cobertura vegetal, um dos maiores índices entre as grandes metrópoles do mundo.
Árvores ajudam a combater enchentes, calor e ainda fortalecem a biodiversidade
Os benefícios vão muito além da sombra.
As copas das árvores diminuem a velocidade com que a água da chuva chega ao solo, reduzindo a sobrecarga dos sistemas de drenagem e ajudando no combate aos alagamentos.
Ao mesmo tempo, as áreas permeáveis favorecem a infiltração da água, aumentando a capacidade da cidade de enfrentar eventos climáticos extremos.
A vegetação também cria corredores ecológicos que servem de abrigo e alimentação para aves, insetos polinizadores, morcegos e pequenos mamíferos, fortalecendo a fauna urbana.
Segundo Rauflin Carloto, os resultados mais importantes aparecerão ao longo das próximas décadas.
“Pensamos na qualidade de vida dos moradores da cidade e no impacto que essa vegetação terá ao longo do tempo. É um trabalho realizado hoje, mas cujos benefícios serão sentidos por gerações.”
Além do PMAU, a Prefeitura também desenvolve outras iniciativas ambientais, como:
- Inventário da Arborização Urbana (iniciado em 2025);
- Campanha Permanente de Incentivo à Arborização;
- Programa Bosques Urbanos;
- Programa PSA Mananciais;
- Declarações de Utilidade Pública (DUPs);
- Vagas Verdes;
- Jardins de Chuva.
Todas essas ações fazem parte da estratégia municipal de adaptação às mudanças climáticas.
O reconhecimento internacional também reforça os resultados. Pelo quinto ano consecutivo, São Paulo recebeu o título de Cidade Árvore do Mundo (Tree Cities of the World), certificação concedida pela Arbor Day Foundation, em parceria com a FAO/ONU. Em 2026, o Corredor Verde do Butantã também foi reconhecido pelo ONU-Habitat como uma boa prática inovadora de política urbana sustentável.
O acompanhamento das mudas continua por um período que varia entre dois e seis anos, incluindo irrigação, adubação, podas de condução e substituição das árvores que eventualmente não sobrevivem.
Os moradores interessados em solicitar o plantio de árvores podem fazer o pedido por meio do Portal SP156, onde equipes técnicas avaliam a viabilidade da implantação conforme o Manual Técnico de Arborização Urbana. Associações de bairro, coletivos e organizações da sociedade civil também podem apresentar propostas por meio dos Conselhos Regionais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CADES).
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

