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Cansadas de estourar prazo e orçamento, equipes de obra estão trocando a marcação a giz e trena por um robô que imprime a planta inteira no chão, que a fabricante afirma ser dez vezes mais rápido e preciso a menos de dois milímetros

Cansadas de estourar prazo e orçamento, equipes de obra estão trocando a marcação a giz e trena por um robô que imprime a planta inteira no chão, que a fabricante afirma ser dez vezes mais rápido e preciso a menos de dois milímetros

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Cansadas de estourar prazo e orçamento, equipes de obra estão trocando a marcação a giz e trena por um robô que imprime a planta inteira no chão, que a fabricante afirma ser dez vezes mais rápido e preciso a menos de dois milímetros

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 04/08/2026 às 12:31

Atualizado em 04/08/2026 às 12:32

Construção

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Robô imprime a planta da obra direto no chão a partir do modelo digital e substitui a marcação com barbante e giz, técnica usada há mais de 5 mil anos.

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O equipamento se chama FieldPrinter e foi desenvolvido por uma startup da Califórnia fundada em 2018. Ele carrega uma impressora jato de tinta e deposita no piso as linhas do modelo digital do projeto, substituindo o barbante com giz usado na construção há milênios.

Um robô móvel que imprime plantas de layout diretamente no chão de canteiros de obras foi desenvolvido pela Dusty Robotics, empresa sediada em Mountain View, na Califórnia, conforme reportagem publicada em 16 de dezembro de 2019 pelo site The Robot Report, assinada por Steve Crowe. A companhia foi fundada em 2018 por Tessa Lau e Philipp Herget.

O problema que o equipamento pretende atacar é conhecido do setor. Segundo levantamento da consultoria McKinsey citado na apuração, a maioria dos grandes projetos de construção estoura o orçamento e leva 20% mais tempo do que o previsto, apesar de a construção comercial movimentar cerca de US$ 10 trilhões por ano no mundo e figurar entre os mercados menos automatizados.

O método que os egípcios inventaram e ainda é usado

Para entender o que o equipamento substitui, vale descrever a técnica atual. Normalmente, uma equipe humana faz o layout com documentos impressos e instrumentos de medição, marcando manualmente as linhas no piso.

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A ferramenta principal desse trabalho é a linha de giz, que consiste em esticar um barbante impregnado entre dois pontos e estalá lo contra o chão, deixando uma marca reta na superfície.

O detalhe que a fundadora da empresa destaca sobre esse método é a idade dele. A técnica foi inventada pelos egípcios há mais de cinco mil anos, e segue sendo o procedimento padrão em canteiros do mundo inteiro para transferir o projeto para o piso.

Como o equipamento funciona

A impressora FieldPrinter da Dusty Robotics automatiza o layout de edifícios. | Crédito: Dusty Robotics

A descrição que a própria fundadora dá do produto é direta: trata-se basicamente de uma impressora montada sobre uma base móvel.

O equipamento carrega uma impressora jato de tinta integrada, que libera tinta conforme o modelo digital do projeto, produzido em software de modelagem de informações da construção, conhecido pela sigla BIM. Segundo o relato dela, o sistema converte o desenho bidimensional em um percurso, e o equipamento percorre cada uma dessas linhas depositando tinta no lugar correspondente.

A tinta seca rapidamente, e o sistema vai registrando quais linhas já foram traçadas até completar o desenho. O que é impresso no chão vai além do contorno das paredes: incluem-se os layouts de cada especialidade da obra e informações sobre tipos de parede e de porta.

Por que ele não precisa se localizar sozinho

A FieldPrinter se preparando para trabalhar em uma obra. | Crédito: Dusty Robotics

Um aspecto técnico interessante é o que o equipamento não faz. Como as plantas do edifício já vêm pré-carregadas, ele não precisava executar mapeamento e localização simultâneos, técnica conhecida pela sigla SLAM e comum em robótica móvel.

A prioridade declarada não é navegar de forma autônoma por ambiente desconhecido, e sim desenhar linhas precisas. É para isso que os sensores embarcados trabalham.

Um exemplo citado é o acelerômetro, capaz de calcular a inclinação do equipamento. Sem essa compensação, o traço sairia deslocado, situação que a fundadora aponta como problema direto de precisão. Ela informou à época que novos sensores seriam adicionados ao longo de 2020, sem detalhar quais funcionalidades permitiriam.

Os números que a fabricante divulga

Os dados de desempenho mais citados sobre o equipamento não constam na reportagem original de 2019, e passaram a circular em materiais posteriores da própria empresa.

Segundo essas informações, o equipamento executa o layout até dez vezes mais rápido do que equipes usando barbante e giz, com precisão declarada de um dezesseis avos de polegada, o que corresponde a aproximadamente 1,6 milímetro.

Cabe a ressalva mais importante desta matéria. Esses números são afirmações da fabricante, e não resultados de medição independente, e devem ser lidos como argumento comercial até que exista verificação de terceiros.

O relatório que sai junto com a linha

Além de imprimir, o equipamento gera relatórios contínuos de progresso e comunica o status da obra às equipes do projeto em tempo real, permitindo que problemas sejam identificados enquanto o serviço avança.

Essa função é menos visível que a impressão, mas tem valor prático relevante. Em uma obra, o layout é a primeira etapa de cada pavimento, e um erro cometido ali se propaga por todas as instalações que vêm depois.

Detectar divergência entre o modelo digital e o que está sendo executado logo no início muda a economia do problema. Erro descoberto na fase de layout custa uma linha refeita; descoberto depois da parede levantada, custa demolição, e é essa diferença que a empresa aponta como benefício.

O modelo de cobrança por serviço

O produto não é vendido como equipamento, e sim contratado como serviço, no formato conhecido como robô como serviço, ou RaaS na sigla em inglês.

O preço é definido conforme o escopo do projeto. A lógica de cobrança apresentada pela fundadora é de substituição direta: a empresa cobra pela quantidade de layout executado, item que já existe como linha específica no orçamento da construção, e proporcionalmente ao que se pagaria a uma equipe para fazer o mesmo trabalho.

Esse formato resolve uma barreira típica de adoção. A construtora não precisa comprar equipamento nem treinar equipe própria para operá lo, e o custo continua aparecendo no mesmo lugar da planilha em que já aparecia.

Onde o equipamento foi testado primeiro

A FieldPrinter se preparando para trabalhar em uma obra. | Crédito: Dusty Robotics

Entre os primeiros clientes em fase piloto estava a MA Mortenson Company, apontada como uma das vinte maiores construtoras dos Estados Unidos.

A empresa testou o equipamento na obra do Allegiant Stadium, arena de futebol americano em Las Vegas avaliada em US$ 1,9 bilhão. Segundo a fundadora, o equipamento foi usado no layout dos camarotes de luxo do edifício.

Outro cliente citado é a Gurnet Point Construction, empreiteira de São Francisco, que empregou o sistema no layout de um empreendimento residencial de nove unidades e quatro andares em Oakland. A escala dos dois casos é bem diferente, o que sugere aplicação viável tanto em obra de grande porte quanto em projeto residencial pequeno.

O que disse quem usou

O diretor da empreiteira de São Francisco, Scott MacLellan, avaliou que o equipamento ajuda a manter consistência entre as horas investidas na fase de modelagem do projeto e a visualização do layout no canteiro, à qual as equipes de campo estão acostumadas.

Ele afirmou esperar há mais de uma década por uma ferramenta de automação de layout capaz de acompanhar a capacidade dos softwares de modelagem, e descreveu a atividade substituída como tediosa e demorada.

Vale registrar a natureza dessa avaliação. Trata-se de depoimento de cliente em fase piloto, divulgado no contexto de uma rodada de investimento, e não de análise independente sobre o desempenho do equipamento.

O dinheiro por trás do projeto

A reportagem foi publicada no contexto do anúncio de uma captação. A empresa concluiu naquele momento uma rodada de investimento inicial de US$ 5 milhões, totalizando US$ 7,2 milhões arrecadados desde a fundação.

O lançamento comercial em larga escala estava previsto para o início de 2020, com o produto já apontado por publicações do setor como uma das startups de robótica a acompanhar naquele ano.

Um detalhe curioso sobre a estratégia da empresa aparece no material. Para preservar vantagem competitiva, a companhia decidiu não divulgar vídeos do equipamento em operação, postura incomum em lançamento de produto e que limita a verificação externa do funcionamento.

Uma tarefa de cinco mil anos que virou impressão

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O que torna esse caso interessante não é o equipamento em si, e sim a natureza da atividade substituída. Transferir um desenho para o chão é das tarefas mais antigas e mais manuais de qualquer obra.

O que mudou não foi a necessidade, que continua exatamente a mesma, e sim a ferramenta usada para cumpri la. O projeto já nasce em formato digital dentro do computador, e o gargalo estava justamente na etapa em que essa informação precisava sair da tela e chegar ao piso.

E aí, você confiaria em uma máquina para marcar o layout da obra ou preferiria conferir tudo com trena depois? Acha que automação como essa reduz erro ou apenas transfere o problema para quem opera o equipamento? Conta nos comentários como o layout é feito na obra em que você trabalha.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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