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Cansados de pagar várias vezes para transportar animais, calcário e produtos pelas estradas, agricultores galeses escureceram o rosto, vestiram roupas femininas e atacaram 250 cancelas com machados entre 1839 e 1844
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 03/08/2026 às 21:18
Economia
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Entre 1839 e 1844, a Revolta de Rebecca mostrou como agricultores arrendatários, já pressionados por aluguéis, impostos e colheitas ruins, pagavam pedágios repetidos para levar animais, calcário e produtos pelas estradas do País de Gales e perdiam parte da renda em cada viagem
No meio da noite, homens com os rostos escurecidos e vestidos com roupas femininas avançavam com machados contra as cancelas das estradas. Entre 1839 e 1844, agricultores do oeste do País de Gales atacaram 250 cancelas e casas de cobrança.
As informações foram publicadas por Museum Wales, instituição responsável por museus nacionais galeses. A revolta ficou conhecida como Revolta de Rebecca, enquanto os participantes receberam o nome de Filhas de Rebecca.
Por trás do disfarce incomum existia uma grave crise econômica. Agricultores arrendatários já enfrentavam aluguéis elevados, impostos, dízimos religiosos e colheitas ruins quando os pedágios passaram a consumir outra parte de sua renda.
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Agricultores podiam pagar várias vezes no mesmo dia para transportar animais, calcário e produtos
As estradas eram administradas por grupos autorizados a cobrar dos viajantes. O dinheiro arrecadado ajudava a pagar os recursos emprestados por grandes proprietários para a construção e a manutenção dos caminhos.
Para controlar a passagem, eram instaladas cancelas, barreiras e correntes nas rotas mais movimentadas. Pessoas, animais e veículos somente podiam continuar depois do pagamento feito nas casas de cobrança.
O problema aumentava porque as cancelas estavam distribuídas por diferentes trechos. Um agricultor podia pagar mais de uma vez durante a mesma viagem para transportar animais, levar calcário às plantações ou entregar produtos nos mercados.
O calcário era utilizado para melhorar o solo destinado ao cultivo. Assim, o pedágio não atingia apenas uma viagem ocasional, mas atividades necessárias para produzir alimentos, cuidar da terra e vender a colheita.
Aluguéis elevados, impostos e colheitas ruins agravaram a pobreza no campo galês
Grande parte dos agricultores não possuía as terras onde trabalhava. Eles eram arrendatários, o que significa que cultivavam propriedades de outras pessoas e pagavam aluguel pelo direito de utilizá las.
Além desse custo, havia impostos e dízimos religiosos. As famílias entregavam parte da renda à Igreja mesmo quando frequentavam outras comunidades religiosas, o que alimentava a sensação de injustiça.
As colheitas ruins reduziram a quantidade de alimentos produzidos e diminuíram os ganhos das famílias. Trabalhadores rurais também enfrentavam salários baixos e poucas oportunidades de emprego.
Nesse ambiente, os pedágios funcionaram como uma pressão adicional. O agricultor pagava para produzir, pagava para permanecer na terra e ainda entregava dinheiro em diferentes pontos da estrada antes de chegar ao mercado.
Roupas femininas e rostos escurecidos deram identidade às Filhas de Rebecca
Os participantes usavam vestidos e escureciam o rosto para dificultar a identificação. Eles saíam principalmente durante a noite e carregavam machados para destruir cancelas e casas de cobrança.
O nome Rebecca foi associado a uma passagem bíblica que menciona a posse das portas dos inimigos. A pessoa que conduzia determinadas ações representava Rebecca, enquanto os demais participantes eram apresentados como suas filhas.
O traje feminino tornou o movimento visualmente marcante. Os ataques envolviam destruição de estruturas, violência e risco de confronto com as autoridades.
A pobreza ajuda a explicar por que o movimento cresceu, mas não transforma a violência em uma ação inofensiva. A Revolta de Rebecca nasceu de problemas econômicos concretos e adotou métodos que provocaram uma forte resposta do governo.
O ataque a 250 cancelas levou ao envio de tropas, prisões e punições severas
Os protestos se espalharam pelo oeste do País de Gales entre 1839 e 1844. Cancelas e casas onde o dinheiro era recolhido tornaram se os principais alvos das Filhas de Rebecca.
Museum Wales, instituição responsável por museus nacionais galeses, registrou que tropas foram enviadas para controlar a situação. As autoridades realizaram prisões enquanto tentavam impedir novos ataques.
Muitos participantes foram enviados para a prisão. Alguns líderes receberam como punição o transporte para a Austrália, ficando afastados do País de Gales e de suas famílias.
A presença militar mostra a dimensão alcançada pelo conflito. O que começou como reação aos pedágios passou a ser tratado pelas autoridades como um grave problema de ordem pública.
Uma lei aumentou o controle das cobranças, mas os pedágios continuaram por mais 20 anos
O governo realizou uma investigação sobre as causas da revolta. Em 1844, uma lei ampliou o controle sobre os grupos responsáveis pelas estradas e restringiu a quantidade de cancelas que poderiam ser instaladas.
As casas de cobrança, porém, não desapareceram imediatamente. Mesmo depois dos ataques contra 250 cancelas e casas de pedágio, elas permaneceram em funcionamento por mais 20 anos.
A Revolta de Rebecca revelou que a cobrança por infraestrutura não afetava todos da mesma maneira. Para os agricultores pobres, atravessar uma estrada significava perder várias vezes parte do dinheiro necessário para manter a produção e sustentar a família.
Se uma estrada é indispensável para produzir e trabalhar, até que ponto é justo cobrar várias vezes de quem depende dela? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.
Fonte
Museum Wales
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

