8 min de leitura
Caranguejo colossal de 3,11 metros escapa por pouco de virar comida em mercado japonês, entra para o Guinness com pernas de até 1,43 metro e se transforma em uma lenda viva entre os maiores crustáceos já mantidos em cativeiro
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 31/08/2026 às 23:54
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Big Daddy media 3,11 metros entre as garras, tinha uma perna de 1,43 metro e escapou de um mercado japonês antes de entrar para o Guinness.
Big Daddy estava destinado a um fim completamente diferente. Em 2013, o gigantesco caranguejo-aranha-japonês estava em um mercado de peixes no Japão, onde seria morto e comercializado como alimento, quando um representante do Sea Life o adquiriu e o enviou para o Reino Unido. Pouco depois, uma medição oficial revelou aquilo que seu corpo já sugeria: ele alcançava 3,11 metros de uma extremidade à outra e possuía uma perna de impressionantes 1,43 metro.
Segundo o Guinness World Records, essas dimensões fizeram dele o crustáceo mais largo já registrado em cativeiro e também o dono da perna mais longa já documentada em um caranguejo mantido sob cuidados humanos.
Big Daddy media oficialmente 3,11 metros de uma extremidade à outra
O número que colocou Big Daddy no Guinness foi obtido em 8 de agosto de 2013, em Blackpool.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A distância máxima registrada entre as extremidades de seus longos membros foi de 3,11 metros, equivalentes a 10 pés e 2,5 polegadas.
O Guinness o classificou como o “widest crustacean in captivity ever”, o crustáceo mais largo já mantido em cativeiro.
Isso significa que sua extensão lateral ultrapassava a altura de duas pessoas adultas colocadas deitadas lado a lado em muitas combinações.
O corpo central, entretanto, era relativamente pequeno diante da gigantesca estrutura formada pelos membros. Esse contraste é uma das características mais extraordinárias da espécie Macrocheira kaempferi.
O caranguejo parece quase uma pequena carapaça suspensa sobre uma estrutura de pernas desproporcionalmente compridas.
Uma única perna alcançava impressionantes 1,43 metro
Big Daddy conquistou simultaneamente outro recorde. O Guinness mediu sua perna mais longa em 1,43 metro, ou 4 pés e 8,5 polegadas. A marca também foi oficialmente verificada em agosto de 2013.
Uma única perna, portanto, aproximava-se da altura de uma pessoa adulta de baixa estatura.
É justamente essa anatomia que torna as fotografias do animal tão estranhas. Quando as pernas estão completamente abertas, a dimensão do corpo central parece pequena, enquanto os membros finos avançam por mais de um metro em diferentes direções.
A espécie inteira é conhecida por levar essa proporção ao extremo. O Monterey Bay Aquarium informa que caranguejos-aranha-japoneses podem atingir até 3,8 metros de uma garra à outra, fazendo da espécie o maior caranguejo vivo quando considerada a extensão dos membros.
Antes do Guinness, ele estava prestes a virar comida no Japão
O episódio que tornou possível toda a história aconteceu antes de Big Daddy chegar à Inglaterra. Segundo o Guinness, o caranguejo estava em um mercado de peixes japonês e deveria ser morto e vendido para consumo.
Um representante do Sea Life comprou o animal antes que isso acontecesse. Big Daddy foi então transportado do Japão para Blackpool, na costa noroeste da Inglaterra, e instalado em um grande tanque de água fria.
A mudança foi radical.
Assista o vídeo
Em vez de terminar servido como alimento, o animal tornou-se objeto de cuidados especializados e, poucos meses depois, um recordista internacional.
Foi justamente no Sea Life que suas dimensões foram oficialmente verificadas.
O nome veio de um lutador britânico gigantesco
O apelido também foi escolhido para combinar com suas proporções. Big Daddy recebeu o nome em homenagem ao famoso lutador profissional britânico Shirley Crabtree Jr., conhecido nos ringues justamente como Big Daddy.
O lutador, que viveu entre 1930 e 1997, possuía uma relação particularmente forte com Blackpool e aparecia regularmente em eventos realizados na Blackpool Tower.
Quando o enorme crustáceo chegou à cidade, a associação pareceu natural.
A brincadeira acabou produzindo uma coincidência curiosa: décadas depois da carreira do lutador, outro Big Daddy se tornaria famoso em Blackpool por seu tamanho extraordinário, mas desta vez com dez pernas e vivendo debaixo d’água.
Um funcionário precisava entrar no tanque para cuidar de seu casco
O tamanho de Big Daddy também mudava a rotina de manutenção. O Guinness relata que a equipe do Sea Life o alimentava à mão. O curador de exposições Scott Blacker eventualmente precisava entrar no tanque para limpar o casco do animal e mantê-lo livre de parasitas.
As fotografias dessa interação são especialmente reveladoras.
Um ser humano dentro do tanque oferece a referência de escala que falta quando Big Daddy é fotografado sozinho. As pernas ocupam enorme área ao redor do corpo e fazem o tratador parecer estar dividindo o espaço com uma espécie de aranha mecânica gigante.
Apesar da aparência, o comportamento da espécie é muito diferente do que essa silhueta poderia sugerir.
O gigante não era um superpredador dos mares
Caranguejos-aranha-japoneses parecem ameaçadores, mas não são caçadores velozes que perseguem grandes presas.
O Monterey Bay Aquarium descreve a espécie como um animal de fundo marinho de movimentação lenta e comportamento predominantemente necrófago. Eles caminham pelo substrato procurando material que possa ser consumido.
Sua alimentação inclui peixes mortos ou em decomposição, crustáceos, outros invertebrados e algas. Em determinadas situações, também podem abrir moluscos ou capturar pequenos animais.
Eles sequer nadam para percorrer grandes distâncias. As gigantescas pernas servem principalmente para caminhar sobre o fundo do oceano.
A criatura que parece ter saído de um filme de monstros é, biologicamente, muito mais próxima de um enorme coletor de restos do fundo marinho.
A espécie vive centenas de metros abaixo da superfície
Na natureza, encontrar um caranguejo-aranha-japonês adulto não significa simplesmente mergulhar alguns metros perto de uma praia.
O Monterey Bay Aquarium registra adultos em profundidades de aproximadamente 200 a 550 metros no Pacífico noroeste. Outros registros científicos ampliam a distribuição vertical conhecida para aproximadamente 50 a 600 metros dependendo da região e do estágio de vida.
Os animais vivem principalmente sobre fundos arenosos e rochosos ao longo da costa do Japão.
Durante a reprodução, entretanto, adultos migram para regiões muito mais rasas, próximas de 50 metros de profundidade. Os jovens também passam parte da vida em águas mais rasas antes de migrarem para áreas profundas conforme crescem.
Assista o vídeo
Essa vida em profundidade ajuda a explicar por que um animal tão gigantesco ainda parece quase extraterrestre para grande parte do público.
Ele tinha dez pernas, mas duas eram diferentes das outras oito
Como outros crustáceos decápodes, o caranguejo-aranha-japonês possui dez membros principais. Oito funcionam essencialmente como pernas para locomoção.
Os outros dois terminam em garras e são chamados de quelípedes. Nos machos adultos, esses membros podem ficar consideravelmente mais longos do que as próprias pernas usadas para caminhar.
É justamente essa arquitetura corporal que permite alcançar extensões extraordinárias. No caso de Big Daddy, uma das pernas registrada pelo Guinness chegou aos 1,43 metro.
Mas existe outro detalhe surpreendente: o crescimento dos membros pode continuar mesmo depois que a carapaça central atinge o tamanho adulto.
O Monterey Bay Aquarium informa que a carapaça pode chegar a cerca de 30 centímetros, enquanto a extensão total entre as garras pode atingir 3,8 metros.
É quase como se a estrutura periférica continuasse crescendo muito depois de o centro do corpo atingir suas dimensões definitivas.
As pernas gigantes podem ser perdidas e crescer novamente
Ter membros tão compridos também cria um problema. As pernas são vulneráveis a predadores, acidentes e redes de pesca.
O Monterey Bay Aquarium informa que um caranguejo-aranha-japonês pode perder uma ou mais pernas quando elas são arrancadas por predadores ou equipamentos de pesca. Mas o animal possui uma capacidade extraordinária de compensação.
Membros perdidos podem voltar a crescer durante as mudas seguintes.
O processo não acontece instantaneamente e depende dos ciclos de troca do exoesqueleto, mas permite que o animal recupere estruturas que seriam permanentemente perdidas em um vertebrado.
Para um recordista cuja identidade ficou associada justamente ao comprimento das pernas, essa capacidade biológica torna a anatomia ainda mais incomum.
Big Daddy teria aproximadamente 80 anos quando morreu
A idade exata de um caranguejo gigante encontrado em um mercado não pode ser determinada como a de uma pessoa com certidão de nascimento.
O Guinness, portanto, utiliza uma estimativa.
Quando Big Daddy morreu pacificamente no início de 2016, sua idade foi calculada em aproximadamente 80 anos.
O número é biologicamente plausível dentro da longevidade atribuída à espécie. O Monterey Bay Aquarium informa que caranguejos-aranha-japoneses são considerados capazes de viver entre aproximadamente 50 e 100 anos.
Isso significa que Big Daddy provavelmente já era um animal bastante velho quando foi encontrado no Japão.
Ele passou apenas os últimos anos conhecidos de sua longa existência em Blackpool.
Mesmo gigantes, esses caranguejos possuem ameaças naturais
O tamanho oferece proteção, mas não torna os adultos invulneráveis. O exoesqueleto rígido e a grande extensão corporal afastam muitos predadores. Ainda assim, o Monterey Bay Aquarium aponta polvos entre os animais capazes de atacar caranguejos-aranha-japoneses.
O momento mais perigoso ocorre depois da muda.
Para crescer, o crustáceo precisa abandonar seu antigo exoesqueleto. A nova carapaça leva algum tempo para endurecer, deixando o animal muito mais vulnerável.
As redes de pesca também representam risco porque podem prender e arrancar as pernas extremamente longas.
O Japão adota restrições à pesca durante a temporada de acasalamento para ajudar na conservação das populações, enquanto registros de capturas apresentaram queda significativa ao longo das últimas décadas.
O gigante escapou do mercado e terminou a vida como recordista mundial
A trajetória de Big Daddy poderia ter terminado em 2013 sem que alguém sequer soubesse suas dimensões.
Ele estava em um mercado de peixes japonês e, segundo o Guinness, seria morto e vendido como alimento.
- Foi comprado.
- Transportado por milhares de quilômetros.
- Colocado em um tanque de água fria na Inglaterra.
- Então veio a fita métrica.
- 3,11 metros de uma extremidade à outra. Uma perna de 1,43 metro. Dois recordes homologados.
Durante os anos seguintes, funcionários o alimentaram manualmente, entraram no tanque para cuidar de sua carapaça e passaram a tratá-lo, nas palavras registradas pelo Guinness, mais como um integrante da família do aquário do que simplesmente como um animal em exposição.
Big Daddy morreu em 2016, com aproximadamente 80 anos.
O gigante que quase terminou como alimento ficou registrado de outra maneira: como um caranguejo com mais de três metros de extensão, uma única perna próxima de um metro e meio e o título oficial de crustáceo mais largo já documentado em cativeiro.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

