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Carpinteiro de 48 anos vive com esposa e filha em casa de chão de terra que alagava durante as chuvas, até ser escolhido para ganhar uma nova moradia de 46 m² com dois quartos feita por impressora 3D gigante que consegue levantar uma casa em menos de 24 horas

Carpinteiro de 48 anos vive com esposa e filha em casa de chão de terra que alagava durante as chuvas, até ser escolhido para ganhar uma nova moradia de 46 m² com dois quartos feita por impressora 3D gigante que consegue levantar uma casa em menos de 24 horas

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Carpinteiro de 48 anos vive com esposa e filha em casa de chão de terra que alagava durante as chuvas, até ser escolhido para ganhar uma nova moradia de 46 m² com dois quartos feita por impressora 3D gigante que consegue levantar uma casa em menos de 24 horas

Escrito por Ana Alice

Publicado em 28/08/2026 às 23:33

Atualizado em 28/08/2026 às 23:37

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Carpinteiro mexicano é escolhido para receber casa de 46 m² impressa em 3D, com dois quartos e paredes erguidas em cerca de 24 horas. – Imagem: Ilustrativa

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Durante anos, Pedro García Hernández trabalhou como carpinteiro em um pequeno espaço dentro da casa onde vivia com a esposa, Patrona, e a filha, Yareli, no estado mexicano de Tabasco.

O piso era de terra e a temporada de chuvas trazia um problema recorrente: a água podia invadir a residência.

Em 2021, porém, a família apareceu entre as selecionadas para receber uma casa de aproximadamente 46 metros quadrados, com dois quartos, cozinha, banheiro e instalações hidráulicas internas.

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A diferença estava também na maneira como as paredes daquele imóvel haviam sido construídas.

Em vez de depender apenas do trabalho convencional de pedreiros levantando blocos, uma impressora 3D com cerca de 3,3 metros de altura depositava sucessivas camadas de um material à base de cimento seguindo um projeto digital.

Cada residência exigia aproximadamente 24 horas efetivas de impressão, distribuídas ao longo de vários dias de trabalho, segundo a ICON, empresa responsável pela tecnologia usada no projeto.

O experimento realizado nos arredores de Nacajuca ganhou importância além da história de uma única família.

Dez casas impressas em 3D foram concluídas naquela comunidade, e as famílias começaram a ocupá-las em novembro de 2021, segundo informações posteriores reunidas pelo Texas Tribune.

Família vivia em casa de chão de terra em Tabasco

Pedro tinha 48 anos quando sua história foi registrada em 2021 pelo The New York Times.

Na época, ele conseguia cerca de 2.500 pesos mexicanos por mês trabalhando como carpinteiro em Tabasco, no sudeste do México.

A oficina funcionava dentro da própria residência compartilhada com Patrona e Yareli.

Além do chão de terra, a família enfrentava os efeitos das chuvas prolongadas da região, que deixavam a casa vulnerável a alagamentos.

O trabalho do carpinteiro também fazia com que poeira e resíduos se espalhassem pelo ambiente doméstico.

A mudança prevista significava receber uma residência com dois quartos, cozinha pronta, banheiro e encanamento interno, elementos que contrastavam com as condições descritas na moradia anterior.

A casa não havia sido escolhida ao acaso.

A organização New Story, dedicada a projetos habitacionais para famílias de baixa renda, trabalhou em parceria com a mexicana Échale e com a empresa de tecnologia de construção ICON para identificar moradores que enfrentavam maior vulnerabilidade habitacional.

Pedro García Hernández, carpinteiro selecionado para receber uma das novas moradias do projeto habitacional em Nacajuca, no México. Crédito: Alejandro Cegarra/The New York Times.

Impressora 3D gigante construiu as paredes das casas

O equipamento utilizado em Nacajuca era o Vulcan II, desenvolvido pela ICON.

Seu funcionamento lembra uma impressora 3D convencional em escala muito maior.

Um arquivo digital contém o desenho da construção.

A máquina interpreta essas informações e movimenta um bico sobre o perímetro previsto para as paredes.

Em seguida, deposita continuamente uma mistura cimentícia em faixas horizontais.

Uma camada é colocada sobre a anterior até que as paredes atinjam a altura determinada pelo projeto.

Por causa desse processo, as casas apresentam linhas horizontais visíveis em suas superfícies, resultado direto das sucessivas passagens da impressora.

A ICON informou que as unidades de aproximadamente 500 pés quadrados, equivalentes a cerca de 46 metros quadrados, demandavam em torno de 24 horas de impressão cada, embora esse tempo fosse distribuído por vários dias.

Isso não significa que uma residência completa, pronta para morar, surgisse em apenas um dia.

Fundação, telhado, portas, janelas, instalações elétricas, hidráulica e acabamento continuavam dependendo de outras etapas da construção.

Vulcan II podia operar com apenas três trabalhadores

Outro ponto que chamou atenção no projeto foi a quantidade de pessoas necessária durante a etapa automatizada.

Segundo a reportagem original sobre a comunidade, o Vulcan II podia ser controlado por tablet ou smartphone e funcionar com uma equipe de apenas três trabalhadores durante parte do processo de impressão.

O equipamento depositava o material enquanto os operadores acompanhavam a execução.

A proposta era testar se a automação conseguiria reduzir parte do tempo e da mão de obra empregados na construção das paredes sem eliminar as etapas tradicionais que continuam necessárias para finalizar uma residência.

O projeto mexicano também oferecia um desafio real para a máquina.

Nacajuca está em uma região sujeita a chuvas intensas, e as próprias estradas usadas para chegar ao canteiro chegaram a sofrer com alagamentos durante a construção.

A ICON afirmou ainda que o Vulcan II havia sido desenvolvido para operar em locais onde fornecimento de energia, infraestrutura e condições de acesso podem ser menos previsíveis.

Casas impressas em 3D foram projetadas para enfrentar terremotos

Rapidez não era o único objetivo.

Nacajuca está localizada em uma área sujeita a atividade sísmica, o que obrigou o projeto a considerar a resistência estrutural das novas residências.

As casas receberam fundações reforçadas e foram projetadas para atender requisitos de segurança adequados à região.

Durante o desenvolvimento da comunidade, as primeiras unidades também passaram por um teste que ninguém havia programado.

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o México em junho de 2020, e as estruturas impressas já existentes permaneceram de pé, segundo informações divulgadas posteriormente sobre o projeto.

Para famílias que anteriormente viviam em moradias vulneráveis à água e construídas com materiais mais simples, a resistência fazia parte da própria lógica do programa habitacional.

Uma avaliação publicada posteriormente pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, a Usaid, também analisou o projeto de Nacajuca como um estudo de caso de impressão 3D aplicada à habitação de baixo custo.

Casas construídas com impressão 3D em Nacajuca, no estado mexicano de Tabasco, durante projeto habitacional desenvolvido pela New Story, ICON e Échale. Crédito: Alejandro Cegarra/The New York Times.

Projeto de Nacajuca era maior do que as dez casas impressas

Um detalhe da história pode gerar confusão porque diferentes números foram divulgados ao longo do desenvolvimento.

A reportagem de 2021 descrevia um empreendimento maior que poderia reunir centenas de casas em Nacajuca.

Nem todas, entretanto, seriam produzidas pelas impressoras da ICON.

Na divulgação inicial do projeto, em 2019, a empresa informou que a comunidade impressa em 3D teria 50 casas.

Já em 2021, o empreendimento habitacional mais amplo era descrito como um conjunto de até 500 residências, enquanto cerca de 200 estavam concluídas ou em construção naquele momento.

Dentro desse universo, dez casas tinham sido efetivamente impressas no local com o Vulcan II.

O próprio relatório da New Story referente ao segundo trimestre de 2021 registrou a conclusão da décima unidade impressa.

Em novembro daquele ano, as famílias começaram a se mudar para essas dez residências, conforme informações posteriormente publicadas pelo Texas Tribune.

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Moradores ajudaram a definir o projeto das casas

A tecnologia não definiu sozinha como as residências seriam organizadas.

Antes da construção, a New Story ouviu moradores para entender hábitos cotidianos e necessidades das famílias.

Essa consulta mostrou, por exemplo, que algumas pessoas da região tinham o costume de cozinhar e fazer refeições em áreas externas.

As informações foram incorporadas ao desenvolvimento de alternativas de projeto, segundo estudo publicado pela Usaid sobre a experiência mexicana.

As casas impressas receberam dois quartos, sala, cozinha e banheiro.

A organização também informou que as famílias beneficiadas haviam sido escolhidas após um levantamento realizado com centenas de moradores, dando prioridade às que apresentavam maior necessidade financeira e habitacional.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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