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Carreira ‘oculta’ enfrenta escassez de mão de obra nos EUA e tem cursos de 21 meses, salários que podem chegar a R$ 1,6 milhão, enquanto 83% dos profissionais devem deixar o setor globalmente até 2034
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 15/08/2026 às 15:58
Atualizado em 15/08/2026 às 16:28
Economia
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Escassez de profissionais, formação técnica relativamente curta e salários elevados colocam a manutenção aeronáutica em evidência nos Estados Unidos, enquanto projeções globais indicam uma forte renovação da mão de obra até 2034 e ampliam a atenção sobre uma carreira ainda pouco conhecida.
A aviação mundial precisará incorporar centenas de milhares de técnicos de manutenção nos próximos anos, ao mesmo tempo que os Estados Unidos já enfrentam falta desses profissionais em um mercado marcado por formação técnica mais curta, certificação especializada e possibilidade de remuneração elevada.
De acordo com o Aviation Talent Forecast 2025, da CAE, serão necessários 416 mil novos técnicos de manutenção aeronáutica em todo o mundo até 2034, movimento impulsionado pela expansão das operações aéreas e pela substituição de trabalhadores que deixarão a atividade.
Além da necessidade de ampliar os quadros, a projeção aponta que 83% dos técnicos devem se aposentar ou abandonar a profissão ao longo de uma década, cenário que aumenta a pressão sobre empresas, oficinas, centros de treinamento e outros empregadores do setor.
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Formação de 21 meses prepara técnicos para certificação nos EUA
Nos Estados Unidos, programas oferecidos pelo Aviation Institute of Maintenance, o AIM, podem ser concluídos em aproximadamente 21 meses e preparam os alunos para os exames Airframe and Powerplant, conhecidos como A&P, administrados pela Federal Aviation Administration, a FAA.
À Fortune, Jason Pfaff, CEO do AIM, afirmou que a profissão convive há anos com pouca visibilidade, apesar da demanda elevada, e acrescentou que o país dispõe, em média, de apenas metade da quantidade de mecânicos certificados e treinados considerada necessária.
Depois da formação e da aprovação nos exames A&P, esses profissionais podem buscar oportunidades em diferentes frentes da manutenção aeronáutica, enquanto o AIM registra taxas médias de colocação próximas de 73%, com resultados que variam de acordo com cada unidade de ensino.
Embora a remuneração possa atrair novos candidatos, a rotina está distante da imagem glamourosa associada à aviação, já que técnicos trabalham sob temperaturas extremas, em pátios ruidosos e próximos ao cheiro de combustível, executando tarefas diretamente ligadas à operação segura das aeronaves.
Salário pode aumentar com experiência e horas extras
Segundo a Fortune, com base em dados do Bureau of Labor Statistics, o salário mediano desses profissionais nos Estados Unidos fica em torno de US$ 79 mil por ano, antes de diferenças relacionadas à função, experiência, empregador, jornada e localização.
Com a progressão profissional e a realização de horas extras, os ganhos podem superar seis dígitos anuais, e Bianca Miller, técnica de aviônicos no Aeroporto Internacional Newark Liberty, afirmou à publicação que a remuneração total chega a US$ 300 mil ou mais em alguns casos.
Para Miller, as possibilidades dentro da profissão são amplas, percepção que ganha peso diante de um setor obrigado a substituir trabalhadores experientes e, ao mesmo tempo, formar novos técnicos capazes de acompanhar o crescimento previsto para a aviação durante a próxima década.
Um exemplo dessa demanda aparece no Aeroporto Internacional de Pittsburgh, onde uma expansão da American Airlines elevou a previsão de postos ligados à manutenção de aproximadamente 360 no fim de 2024 para cerca de 600 durante 2025, segundo a direção aeroportuária.
Mesmo sem relatar dificuldade relevante para contratar ou reter técnicos de manutenção, Christina Cassotis, CEO do aeroporto, afirmou que a região sentiu falta de trabalhadores especializados quando iniciou, em 2021, a construção de um novo terminal no Aeroporto Internacional de Pittsburgh.
Escassez de mão de obra técnica alcança outros setores
Na avaliação de Cassotis, a valorização da faculdade como principal caminho profissional reduziu a atenção destinada aos ofícios técnicos, percepção semelhante à apresentada por executivos de outros setores que também enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores especializados nos Estados Unidos.
Fora da aviação, Jim Farley, CEO da Ford, afirmou em 2025 que o país tinha mais de um milhão de vagas abertas em ocupações essenciais, incluindo serviços de emergência, transporte rodoviário, fábricas, encanadores, eletricistas e outras áreas técnicas especializadas.
A mesma preocupação chegou à indústria de tecnologia, porque a expansão de fábricas e centros de dados exige trabalhadores especializados; Jensen Huang, CEO da Nvidia, disse à Channel 4 News que seriam necessários centenas de milhares de eletricistas, encanadores e carpinteiros.
Formação técnica ganha espaço entre os jovens
Entre os jovens, a procura por formação técnica também avançou, e dados da National Student Clearinghouse citados pela Fortune indicam crescimento próximo de 20% nas matrículas de instituições públicas técnicas de dois anos entre 2020 e 2025 nos Estados Unidos.
Na manutenção aeronáutica, especificamente, o AIM registrou aumento de cerca de 40% nas candidaturas de integrantes da geração Z nos últimos anos, movimento observado enquanto empresas e escolas tentam ampliar a reposição de trabalhadores para uma atividade essencial ao funcionamento da aviação.
Esse conjunto de fatores ajuda a colocar a manutenção aeronáutica entre as ocupações técnicas acompanhadas com atenção pelo setor, sobretudo porque as projeções indicam necessidade de 416 mil novos profissionais até 2034, ao mesmo tempo que uma parcela expressiva da força atual deverá sair.
Se uma carreira técnica com certificação específica pode oferecer remunerações elevadas sem exigir uma graduação tradicional de quatro anos, por que a manutenção aeronáutica ainda permanece pouco conhecida entre tantos jovens que estão escolhendo agora qual caminho profissional pretendem seguir?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

