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Carro elétrico ou a combustão: afinal, qual perde mais valor na revenda e qual é o melhor negócio em 2026?
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 01/08/2026 às 21:15
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Carro elétrico pode perder quase metade do valor em poucos anos, mas novos levantamentos mostram que alguns modelos já apresentam desvalorização semelhante — e até inferior — à de veículos a combustão, revelando que a escolha mais vantajosa depende do segmento, da versão e da estratégia de compra adotada.
A dúvida sobre qual veículo perde mais valor na revenda — carro elétrico ou a combustão — tem ganhado força entre consumidores brasileiros. Com a rápida expansão dos modelos eletrificados e a chegada de novas marcas ao país, muitos compradores passaram a considerar não apenas o preço de aquisição, mas também o impacto da desvalorização ao longo dos anos.
Segundo levantamento divulgado pela Gazeta do Povo, com base em dados da Tabela FIPE de julho de 2026, informações das montadoras e indicadores do mercado automotivo, o cenário é mais complexo do que parece. Embora os carros elétricos ainda apresentem, em média, uma desvalorização superior à dos modelos a combustão, alguns veículos lançados recentemente já exibem comportamento semelhante — e, em determinados casos, até melhor — na revenda.
Além disso, estudos do banco BV e da consultoria Indicata mostram que a velocidade de revenda de alguns elétricos também vem aumentando, indicando um mercado em amadurecimento.
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Carros elétricos ainda lideram a desvalorização média, aponta levantamento
Um dos principais estudos sobre o tema foi divulgado em junho de 2026 pelo IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a evolução dos preços dos veículos leves usados no Brasil.
Os números mostram que a diferença entre elétricos e modelos movidos a combustão ainda é significativa quando se observa a média do mercado.
Entre os veículos lançados em 2022, os elétricos acumularam uma desvalorização média de 49,3%, enquanto os automóveis a combustão registraram perda de 13,4%.
Nos modelos lançados em 2023, a tendência permaneceu semelhante. Os elétricos apresentaram perda média de 45,6%, contra 20% dos veículos a combustão.
De acordo com o banco BV, esse comportamento é consequência de diversos fatores que transformaram o mercado brasileiro nos últimos anos.
Entre eles estão:
- redução dos preços dos carros elétricos novos;
- aumento da concorrência entre fabricantes;
- chegada de modelos mais acessíveis;
- revisões frequentes nas tabelas de preços pelas montadoras.
Como resultado, muitos veículos elétricos vendidos antes dessas reduções acabaram sofrendo maior impacto na revenda.
Alguns elétricos já apresentam desvalorização semelhante à dos carros a combustão
Apesar do cenário médio desfavorável, uma análise exclusiva realizada pela Gazeta do Povo mostra que a realidade varia bastante conforme o modelo, a versão e o segmento.
O destaque ficou para o BYD Dolphin Mini, lançado em 2024.
Segundo os valores de referência da Tabela FIPE de julho de 2026, o modelo saiu de R$ 115,8 mil para aproximadamente R$ 98 mil, acumulando 15,4% de desvalorização.
O índice é bastante próximo ao observado em compactos tradicionais movidos a combustão.
Outros elétricos analisados apresentaram os seguintes resultados:
- BYD Dolphin (2023): entre 13,3% e 26% de desvalorização, dependendo da versão;
- GWM Ora 03 (2023): até 22,1%;
- Volvo EX30 Core (2024): 22,2%.
No caso do Dolphin, as diferenças entre versões mostram que equipamentos, posicionamento comercial e política de preços influenciam diretamente o valor de revenda.
Já modelos de categoria superior continuam registrando perdas mais elevadas, embora em alguns casos fiquem próximos dos SUVs tradicionais a combustão.
Compactos e SUVs mostram que a comparação depende da categoria
Quando a comparação é feita entre veículos de categorias equivalentes, a diferença diminui consideravelmente.
Entre os compactos a combustão avaliados pela reportagem, os resultados foram os seguintes:
- Volkswagen Polo Track 1.0 MT (2023): 17,5%;
- Chevrolet Onix 1.0 MT (2023): 17,6%;
- Hyundai HB20 Comfort 1.0 MT (2023): 16,2%.
Os índices mostram que o BYD Dolphin Mini, com perda de 15,4%, apresentou desempenho igual ou até superior ao de alguns dos principais compactos vendidos no Brasil.
O mesmo ocorre na comparação entre SUVs.
O Volvo EX30 Core, por exemplo, registrou desvalorização de 22,2%.
Já modelos premium a combustão tiveram perdas ainda maiores:
- Jeep Compass Limited T270 (2024): 33,4%;
- Volkswagen Taos Highline (2024): 24,4%.
Na prática, isso demonstra que a motorização deixou de ser o único fator determinante para a desvalorização de um veículo.
Preço de lançamento, posicionamento de mercado, volume de vendas, disponibilidade de peças e estratégia comercial das fabricantes também exercem forte influência.
Revenda dos carros elétricos começa a ganhar velocidade no Brasil
Outro indicador importante é a liquidez do mercado.
Segundo levantamento da consultoria Indicata, divulgado pela Autoesporte, os veículos elétricos a bateria (BEV) registraram, em janeiro de 2026, o menor Market Day Supply (MDS) entre todas as categorias analisadas.
O indicador mede a relação entre estoque disponível e volume de vendas.
Quanto menor o índice, mais rapidamente os veículos são vendidos.
Os resultados foram:
- Elétricos (BEV): MDS de 47;
- Flex: 53;
- Híbridos plenos: 54.
Embora o desempenho tenha sido impulsionado principalmente por modelos de entrada, como BYD Dolphin e BYD Dolphin Mini, o levantamento indica que os elétricos usados começam a conquistar maior aceitação entre os consumidores brasileiros.
Interesse por bateria e revenda cresce nas pesquisas dos brasileiros
A evolução das pesquisas na internet reforça essa tendência.
Dados do Google Trends, analisados pela Gazeta do Povo, mostram crescimento expressivo no interesse por temas ligados aos carros elétricos usados entre junho de 2024 e julho de 2026.
Entre os destaques estão:
- “vida útil bateria carro elétrico” atingiu índice 96 em junho de 2026;
- “desvalorização carros elétricos” chegou ao índice 67;
- “comprar carro elétrico usado” subiu de 69, em dezembro de 2025, para 86, em junho de 2026;
- “revenda carro elétrico” alcançou índices 78 em março e 82 em abril de 2026.
Os números mostram que o consumidor brasileiro está cada vez mais atento ao custo total de propriedade, incluindo manutenção, durabilidade da bateria e facilidade de revenda.
Diante desse cenário, especialistas apontam que a escolha entre um carro elétrico e um modelo a combustão deve considerar muito mais do que apenas o preço inicial. A categoria do veículo, a política comercial da fabricante, o histórico de mercado e a demanda por determinado modelo podem fazer toda a diferença na hora da revenda.
E você, compraria um carro elétrico mesmo sabendo que alguns modelos ainda desvalorizam mais, ou prefere apostar nos tradicionais veículos a combustão?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

