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Carros chineses aumentam pressão sobre preços dos 0 km e mercado de carros usados perde força no Brasil

Carros chineses aumentam pressão sobre preços dos 0 km e mercado de carros usados perde força no Brasil

5 min de leitura

Carros chineses aumentam pressão sobre preços dos 0 km e mercado de carros usados perde força no Brasil

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 24/08/2026 às 17:37

Atualizado em 24/08/2026 às 17:38

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Avanço dos carros chineses e redução de preços dos 0 km aumentam pressão sobre os carros usados, enquanto elétricos registram forte depreciação. Imagem meramente ilustrativa gerada por IA.

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Avanço dos carros chineses e redução de preços dos 0 km aumentam pressão sobre os carros usados, enquanto elétricos registram forte depreciação.

A disputa provocada pela expansão dos carros chineses no Brasil começa a produzir efeitos que ultrapassam as concessionárias de veículos novos. Com fabricantes tradicionais revendo preços e condições comerciais para enfrentar concorrentes que ganharam participação no país, os carros usados entraram em um cenário de menor valorização, enquanto alguns modelos passaram a registrar quedas mensais de preço.

Em julho, o IBV Auto apontou avanço de apenas 0,07% nos valores dos seminovos, a menor variação mensal observada desde março de 2025. O resultado mostra uma desaceleração expressiva diante de junho, quando o mesmo indicador havia aumentado 0,57%, embora o acumulado de 2026 ainda permanecesse positivo.

Carros usados continuam valorizados no ano, mas ritmo diminuiu

A desaceleração mensal não significa que todo o mercado esteja em queda. No acumulado do ano, o indicador registra alta de 3,56%, mostrando que os preços médios ainda permanecem superiores aos observados no início de 2026.

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A mudança aparece com maior clareza quando o período de 12 meses é analisado. A valorização média dos carros usados, que anteriormente estava em 6,87%, recuou para 6,10%, sinalizando perda de velocidade mesmo em um mercado que ainda apresenta alta nominal.

Essa diferença é importante porque revela uma mudança gradual, e não necessariamente uma queda generalizada de preços. Alguns automóveis continuam se valorizando, enquanto outros começam a sentir com maior intensidade a concorrência de veículos novos vendidos com descontos ou preços reposicionados.

O comportamento também varia de acordo com categoria, idade e procura por cada modelo. Veículos populares com grande circulação no mercado secundário, por exemplo, apresentaram desempenho bem diferente daquele observado em determinados SUVs e hatches mais caros.

Fox, Compass e Onix ficaram entre as maiores quedas

Entre os modelos acompanhados, o Volkswagen Fox apresentou redução de 2,01%, a maior queda registrada no período citado. O Jeep Compass apareceu em seguida, com recuo de 1,74%, enquanto o Chevrolet Onix perdeu 1,11%.

Esses movimentos mostram que a pressão não se distribui igualmente entre todos os carros usados. Um modelo pode continuar encontrando compradores rapidamente e manter preços firmes, enquanto outro precisa de reajustes para permanecer competitivo diante das alternativas existentes no mercado.

Na direção oposta, alguns automóveis populares ainda conseguiram valorizações relevantes. O Chevrolet Celta subiu 2,62%, seguido pelo Fiat Palio, com 2,20%, demonstrando que veículos conhecidos e com forte presença no mercado de usados continuam encontrando demanda.

O Nissan Kicks também apareceu entre os destaques positivos, com valorização de 1,92%. A diferença entre esses resultados reforça que o mercado está sendo reorganizado de maneira desigual conforme preço, procura e perfil de comprador.

Avanço dos carros chineses e redução de preços dos 0 km aumentam pressão sobre os carros usados, enquanto elétricos registram forte depreciação. Imagem meramente ilustrativa gerada por IA.

Carros chineses ampliaram disputa também entre os veículos novos

A entrada de novas marcas e modelos alterou a quantidade de opções disponíveis para quem pretende comprar um automóvel zero-quilômetro. Os carros chineses, especialmente com forte presença entre eletrificados, passaram a disputar consumidores em segmentos antes dominados quase exclusivamente por fabricantes tradicionais.

A reação competitiva incluiu mudanças de estratégia e redução de preços em concessionárias. Quando um veículo novo fica mais barato, o efeito pode chegar rapidamente ao mercado secundário, já que um seminovo precisa manter diferença suficiente de valor para continuar atraente.

É justamente essa relação que aumenta a pressão sobre determinados carros usados. Se o consumidor encontra um 0 km por preço próximo ao solicitado por um veículo com alguns anos de uso, a tendência é que o vendedor do seminovo precise rever o valor ou oferecer alguma vantagem adicional.

Segundo a análise apresentada pelo banco BV, essa concorrência mais intensa aparece ao lado de outros dois fatores: redução dos preços praticados nos veículos novos e rápida evolução tecnológica, especialmente entre modelos eletrificados.

Elétricos fabricados em 2023 acumulam desvalorização de 46,15%

O impacto é particularmente forte entre os veículos totalmente elétricos. Para modelos fabricados em 2023, a perda acumulada de valor chega a 46,15%, percentual muito superior ao observado entre automóveis equipados apenas com motores a combustão.

Os híbridos aparecem em uma posição intermediária. Nesse mesmo tipo de comparação, registram depreciação média de 26,85%, enquanto os modelos exclusivamente a combustão apresentam perda de 21,40%.

A diferença ajuda a mostrar um dos desafios enfrentados pelo mercado de elétricos usados. Novos modelos chegam rapidamente às lojas oferecendo mudanças em autonomia, tecnologia, equipamentos e preços, o que pode reduzir a atratividade de veículos lançados poucos anos antes.

Nesse cenário, os carros chineses têm participação relevante porque diferentes fabricantes do país asiático estão ampliando rapidamente a oferta de elétricos e híbridos no Brasil, aumentando o número de alternativas disponíveis para o consumidor.

Evolução tecnológica pode envelhecer um elétrico mais rapidamente

Um automóvel a combustão com três anos de uso normalmente concorre com modelos novos que evoluíram de maneira gradual. Entre elétricos, entretanto, mudanças em bateria, autonomia, velocidade de recarga e equipamentos podem acontecer em intervalos menores.

Quando uma nova geração chega por preço semelhante ou inferior ao de modelos anteriores, o veículo usado precisa sofrer ajustes para continuar competitivo. Isso ajuda a explicar por que a depreciação dos elétricos analisados supera com folga aquela registrada entre híbridos e automóveis convencionais.

O fenômeno não significa que todos os veículos elétricos terão exatamente a mesma perda de valor. Marca, modelo, estado da bateria, quilometragem, garantia e procura continuam influenciando o preço individual de cada automóvel no mercado secundário.

Os números, porém, mostram que a tecnologia passou a ser um fator de depreciação mais relevante no segmento, especialmente em uma fase de expansão acelerada da oferta.

Carros usados passam a disputar comprador também com promoções do 0 km

O mercado brasileiro entra, portanto, em um período no qual olhar apenas para a idade e a quilometragem pode ser insuficiente para determinar o valor de um automóvel. O preço de um modelo novo equivalente passou a influenciar ainda mais aquilo que o consumidor aceita pagar no seminovo.

A presença crescente dos carros chineses, acompanhada de estratégias comerciais mais agressivas em diferentes segmentos, aumenta essa competição. Fabricantes tradicionais precisam responder, e descontos no mercado de zero-quilômetro acabam criando uma referência mais baixa para veículos que já estão em circulação.

Ao mesmo tempo, modelos populares como Celta e Palio mostram que há espaço para valorização quando a procura permanece forte. O comportamento dos carros usados depende, portanto, cada vez mais de uma combinação entre liquidez, preço do 0 km e alternativas disponíveis.

Fontes

Quatro Rodas

Auto+


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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