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Casa da família de Bela Gil na serra do Rio sai de um campo de futebol invadido por bambu, ganha nova função durante a pandemia, adota a agrofloresta para produzir parte dos alimentos sem depender de insumos químicos e transforma o antigo gramado da propriedade em área de cultivo integrada à floresta
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 21/08/2026 às 18:19
Atualizado em 21/08/2026 às 18:20
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Transformação de uma área familiar na serra fluminense revela como um espaço de lazer ganhou nova função ao reunir cultivo, manejo do solo e aproveitamento de matéria orgânica. A mudança nasceu de um problema cotidiano e acabou reorganizando a paisagem e o uso da propriedade.
Um campo de futebol que fazia parte da propriedade da família de Bela Gil, na região serrana do Rio de Janeiro, perdeu grande parte de sua função original depois que o avanço de um bambuzal e o problema do descarte de resíduos do jardim abriram espaço para outra utilização.
A área foi transformada em uma agrofloresta, sistema que passou a reunir árvores e diferentes cultivos em um terreno antes ocupado basicamente pelo gramado.
A mudança ganhou forma durante o período de isolamento da pandemia, quando Bela colocou em prática o desejo de produzir parte dos alimentos consumidos pela família em um sistema integrado à vegetação.
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Em vez de manter toda a extensão destinada ao futebol, a proposta passou a aproveitar o espaço para cultivo e também para receber matéria orgânica que antes representava um problema na rotina da propriedade.
Agrofloresta substituiu parte do antigo campo de futebol
A origem da transformação esteve ligada a duas questões que aconteciam ao mesmo tempo.
Folhas e outros resíduos acumulados no jardim precisavam ter uma destinação, enquanto bambus avançavam sobre o campo de futebol.
A alternativa apresentada por Bela foi substituir parte daquela paisagem por uma agrofloresta capaz de utilizar o material orgânico e reorganizar o uso do terreno.
Segundo o Gshow, Bela explicou que a ideia surgiu durante uma conversa familiar sobre o que fazer com as folhas do jardim.
A orientação existente no condomínio era queimá-las, prática que incomodava a família pela fumaça gerada.
Ao mesmo tempo, o bambuzal começava a ocupar o campo, o que tornou a área um ponto natural para receber uma intervenção diferente.
A proposta encontrou uma questão doméstica antes de sair do papel.
Gilberto Gil, pai de Bela, defendeu a manutenção de um espaço para o neto Bento, que gostava de jogar futebol.
A solução adotada pela família não eliminou completamente a atividade: um campo menor foi mantido em outro ponto, enquanto a área restante pôde assumir a nova função ligada ao cultivo.
Sistema integrou árvores, cultivos e manejo do solo
A transformação não consistiu simplesmente em trocar o gramado por uma horta convencional.
Bela optou por um sistema agroflorestal, no qual árvores passam a compartilhar o espaço com outras plantas e participam da própria dinâmica do cultivo.
A lógica procura reproduzir algumas características encontradas em ambientes florestais, especialmente a diversidade vegetal e a proteção permanente do solo.
Ao explicar a escolha, Bela afirmou que a presença das árvores ajuda a criar uma dinâmica de plantio mais integrada à natureza.
Na experiência apresentada por ela, esse modelo permite cultivar sem depender de insumos químicos, característica que diferenciou a proposta de uma área convencional destinada apenas a hortaliças.
O antigo gramado passou, assim, a cumprir mais de uma função.
Além de abrir espaço para a produção de parte dos alimentos da família, a nova configuração permitiu incorporar resíduos orgânicos do jardim ao manejo e modificar uma área que já enfrentava o avanço dos bambus.
O terreno deixou de ter uma utilização única e ganhou uma estrutura formada por diferentes elementos vegetais.
Cobertura do solo passou a aproveitar matéria orgânica
A cobertura do solo aparece como uma das práticas adotadas no sistema.
Bela explicou que materiais como palha e serragem podem permanecer sobre a terra, evitando que o solo fique constantemente exposto.
O princípio procura se aproximar do que ocorre em uma floresta, onde folhas, galhos e outros materiais vegetais formam naturalmente uma camada sobre o chão.
Esse detalhe também mudou a relação entre os resíduos produzidos pela própria propriedade e o terreno cultivado.
Folhas que antes eram vistas como material a ser eliminado passaram a ter utilidade dentro de uma proposta que aproveita matéria orgânica no manejo da área.
O problema que ajudou a desencadear a transformação acabou integrado ao funcionamento do novo espaço.
O processo alterou ainda a paisagem da propriedade.
Onde predominava a uniformidade de um campo gramado, a agrofloresta introduziu árvores e outras espécies destinadas ao cultivo.
Essa diversidade é justamente um dos elementos que Bela destacou ao diferenciar o sistema agroflorestal de uma horta convencional.
Projeto ganhou forma na propriedade da família em Petrópolis
A mudança ocorreu na propriedade da família em Petrópolis, na serra fluminense, e foi relatada publicamente por Bela no contexto da pandemia.
Naquele período, permanecer mais próxima da família e da área rural criou condições para que um desejo anterior de cultivar alimentos pudesse ser levado para o terreno, transformando uma proposta em intervenção física na propriedade.
O caso também reúne duas formas bastante diferentes de ocupar a mesma área.
O campo havia sido estruturado para uma atividade recreativa específica, dependente de um gramado aberto e relativamente uniforme.
A agrofloresta segue uma lógica oposta, com presença de árvores, matéria orgânica sobre o solo e variedade de plantas compartilhando o espaço.
Mesmo após a transformação, o futebol permaneceu presente na propriedade graças ao campo menor solicitado por Gilberto Gil.
A negociação dentro da família permitiu preservar a atividade do neto sem abandonar o projeto de Bela, fazendo com que as duas funções passassem a existir em locais distintos.
Produção de alimentos ganhou espaço no antigo gramado
A escolha pela agrofloresta também se relaciona à trajetória pública de Bela Gil, marcada por temas como alimentação, produção de alimentos e relação entre consumo e meio ambiente.
Na propriedade familiar, esses conceitos deixaram o campo das discussões sobre alimentação e ganharam uma aplicação concreta sobre uma área que já existia e tinha outra finalidade.
No terreno, o manejo não depende apenas do que é plantado, mas também da forma como o solo é tratado.
A manutenção de cobertura vegetal e matéria orgânica cria uma paisagem diferente daquela de um gramado constantemente aberto e exposto, enquanto a presença de árvores acrescenta outro estrato ao sistema produtivo.
A invasão dos bambus, que poderia ter sido tratada apenas como um problema de manutenção do campo, acabou participando de uma mudança maior no uso da propriedade.
Da mesma forma, as folhas acumuladas no jardim deixaram de representar somente um resíduo que precisava desaparecer e passaram a ser consideradas material aproveitável dentro da lógica de cultivo.
A experiência preservou ainda um componente familiar que esteve presente desde a decisão inicial.
A mãe de Bela levantou a questão sobre a destinação do material do jardim, Bela apresentou a alternativa agroflorestal e Gilberto Gil interveio para que o espaço dedicado ao futebol não desaparecesse completamente.
O resultado foi uma reorganização da propriedade que acomodou interesses diferentes.
O antigo campo tornou-se, dessa maneira, uma área onde produção de alimentos, árvores, manejo do solo e aproveitamento de matéria orgânica passaram a dividir espaço.
O episódio mostra como uma estrutura já existente em uma propriedade pode receber uma função completamente diferente sem que o uso anterior precise desaparecer por inteiro.
Se um campo de futebol parcialmente tomado por bambu conseguiu ganhar uma nova função produtiva dentro de uma propriedade familiar, quantos outros espaços pouco aproveitados poderiam receber uma transformação semelhante?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

