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Casa de Acolhimento de Rio Branco opera com 80 migrantes e supera capacidade máxima

Casa de Acolhimento de Rio Branco opera com 80 migrantes e supera capacidade máxima

Foto: David Medeiros

A Casa de Acolhimento aos Migrantes de Rio Branco, que recebe pessoas de países como Venezuela, Peru, Chile e Colômbia, enfrenta um momento de superlotação, apresentado em reportagem do ac24horas nesta quinta-feira (13). O espaço, estruturado com 12 acomodações e capacidade para abrigar 50 pessoas, conta atualmente com pelo menos 80 migrantes.

O secretário municipal de Assistência Social, Ivan Ferreira, detalhou o volume de atendimentos registrado ao longo do ano. “Até a presente data, nós já acolhemos aqui na Casa de Passagem 455 migrantes, de várias nacionalidades, venezuelano, cubano, haitiano. Em 2025, a gente recebeu 600 e poucos imigrantes. Observe que nós estamos na metade do ano e já recebemos essa quantidade”, afirmou.

Foto: David Medeiros

Segundo o secretário, a estrutura funciona acima do limite previsto no plano de ação aprovado pelo Conselho Municipal de Assistência e pelo Governo Federal. “A capacidade aqui da casa é de acolher até 50. Mas, desde que a gente veio para esse local, desde que foi inaugurado, a gente nunca atendeu só 50 imigrantes, sempre 60, 65. E agora nós extrapolamos”, explicou.

Ivan Ferreira ressaltou que boa parte das pessoas chega em situação de vulnerabilidade e necessidade de cuidados. “Algumas pessoas que procuram aqui o acolhimento são mães solo, mães com crianças, pessoas com deficiência, e a maioria dos imigrantes que estão chegando são doentes. Precisam não só da assistência social, como também da questão de saúde. Em muitos casos, não é da atenção básica, e sim da alta complexidade, que envolve também o Estado. Então, a gente precisa trabalhar a política de migração no âmbito municipal, estadual e federal”, disse.

Foto: David Medeiros

O secretário também relatou que parte dos migrantes recusa o acolhimento oferecido, o que tem gerado conflitos na região. “Muitas vezes, esse imigrante, quando chega aqui, não aceita o acolhimento. Aqui na frente tem muitas barracas de pessoas que se negam a ter acesso ao serviço. Só querem a água, a alimentação, e tem tido alguns conflitos com os moradores. A pessoa que passa pensa que o Poder Público não está fazendo nada, mas a casa tem regimento interno, tem regras, e a gente não só acolhe como oferece serviços de convivência, fortalecimento de vínculo, tiragem de documentação e encaminhamento para a saúde”, pontuou.

Diante da lotação, a Secretaria Municipal informou que vai acionar o comitê que reúne diferentes órgãos para buscar soluções. “É uma situação bem complexa, não é fácil de resolver, mas com muito diálogo, com o Ministério Público, a Defensoria Pública, o comitê e a Secretaria de Estado de Assistência Social, a gente vai buscar uma solução. A casa está com 80 imigrantes e a tendência é chegar a mais”, declarou Ivan Ferreira.

Foto: David Medeiros

O secretário afirmou ainda que, mesmo quando não há vagas, o atendimento não é interrompido. “A gente não deixa de atender pela política, porque a pessoa fica em situação de rua. Quando a casa não consegue acolher, a gente atende através de ceias, com alimentação e distribuição de itens de higiene. A Prefeitura tem feito a sua parte nesse acolhimento, levando dignidade a todas as pessoas que precisam”, completou.

Entre os acolhidos está o venezuelano Luiz Ernesto Canha, de 40 anos, que relatou ter sido bem recebido na Casa de Passagem. “De verdade que sim, me sinto muito agradecido pelo acolhimento que me dão aqui. Tem muita atenção, muita segurança e, sobretudo, as pessoas da assistência social estão atentas aos documentos e a todas essas coisas. Se chega uma vaga de trabalho, também estão atentos. Graças a Deus, nos atendem super bem, não tenho nada do que reclamar”, contou.

Luiz Ernesto explicou que veio ao Brasil acompanhado da esposa, que seguiu viagem após a família enviar a passagem, enquanto ele permanece na capital para tratamento de saúde. “Eu vou ter que ficar porque vou me hospitalizar, tenho um problema na perna direita e vão me dar atenção. Mas, com o favor de Deus, depois que eu me recuperar, eu vejo quem me pode ajudar com a passagem para poder subir”, finalizou.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

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