5 min de leitura
Casa espelhada de US$ 15 milhões parece desaparecer numa floresta de Nova York, ocupa cerca de 417 m² e foi construída entre rochas sem usar explosivos no terreno
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 25/08/2026 às 22:36
Atualizado em 25/08/2026 às 22:37
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Projetada pela KieranTimberlake em Pound Ridge, a casa espelhada combina vidro, aço inoxidável reflexivo e cobre revestido, preserva grandes formações rochosas e esconde climatização geotérmica, vidros triplos e painéis isolados sob uma aparência que muda com a luz.
À primeira vista, a casa espelhada de US$ 15 milhões parece apagar as próprias paredes e devolver ao observador apenas imagens da floresta, do céu e das rochas. A residência fica em Pound Ridge, no estado de Nova York, e sua oferta foi divulgada em 18 de agosto de 2026.
A informação foi publicada pelo Realtor.com, portal de notícias e informações sobre o mercado imobiliário. A construção possui aproximadamente 417 m², quatro quartos e ocupa uma propriedade de 19,5 acres.
O efeito visual representa apenas a parte mais evidente do projeto. A aparência quase invisível nasceu da união entre fachada reflexiva, escolha cuidadosa do ponto de construção e soluções destinadas a controlar a temperatura interna.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A fachada da casa espelhada muda junto com o clima
A parte externa reúne vidro, cobre revestido de zinco e diferentes acabamentos de aço inoxidável. Esses materiais refletem a paisagem com intensidades distintas. Algumas superfícies reproduzem árvores e pedras com maior nitidez, enquanto outras mostram apenas cores, sombras e movimentos.
Por isso, a casa espelhada não apresenta a mesma aparência durante todo o dia. Sob o sol, partes do edifício brilham e refletem o céu. Com pouca luz, os tons ficam mais escuros e o volume se mistura com os troncos e com as sombras da mata.
O vidro também participa desse efeito. Dependendo da iluminação, ele permite enxergar o interior ou funciona como uma superfície refletora. A fachada, portanto, muda com a luz, o clima e as estações, mesmo sem qualquer peça móvel.
A escolha dos materiais reduz a presença visual de uma construção com cerca de 417 m². O edifício continua ocupando espaço físico, mas sua forma parece menos dominante dentro da floresta.
Como construir entre grandes rochas sem explodir o terreno
Os proprietários Olga e Michael Kagan compraram a área em 2009. Eles pagaram US$ 1,75 milhão por uma propriedade de 33 acres que já possuía uma residência. Posteriormente, venderam a parte onde ficava a casa antiga.
Outros 10 acres foram doados para conservação ambiental. A nova residência foi implantada nos 19,5 acres restantes, numa área marcada por terreno inclinado, árvores maduras, grandes blocos de pedra e pequenas partes naturalmente planas.
Em vez de remover as formações com explosivos, a KieranTimberlake distribuiu os volumes da casa nos espaços disponíveis entre as rochas. A posição de cada parte acompanhou os desníveis e os limites naturais encontrados no terreno.
Essa decisão exigiu que o desenho se adaptasse ao local. As pedras deixaram de ser obstáculos e passaram a participar da composição, orientando a posição dos ambientes, das passagens e das áreas envidraçadas. O resultado foi uma casa construída ao redor da geologia existente, sem destruir os maiores blocos para abrir espaço.
A tecnologia escondida atrás dos espelhos
O Realtor.com, portal de notícias e informações sobre o mercado imobiliário, detalhou a presença de climatização geotérmica, painéis estruturais isolados e vidros triplos. Essas soluções ficam escondidas atrás da aparência artística da residência.
A climatização geotérmica utiliza a temperatura mais estável encontrada no solo para auxiliar o aquecimento e o resfriamento dos ambientes. Isso reduz a dependência das grandes variações de temperatura do ar externo.
Os painéis estruturais isolados são partes rígidas da parede que já possuem isolamento incorporado. Eles ajudam a diminuir a passagem indesejada de calor e de ar. Já as janelas com três camadas de vidro criam barreiras adicionais entre o interior e o clima de fora.
A residência também possui uma adega climatizada para 2.400 garrafas e uma sala de cinema com tratamento técnico. Esses espaços exigem controle constante de temperatura, ventilação e umidade, o que torna o desempenho da estrutura ainda mais importante.
Os US$ 15 milhões pedidos pela casa na floresta
A casa chegou ao mercado por US$ 15 milhões depois que Olga e Michael Kagan passaram a morar em Miami. O valor pedido coloca a residência muito além de uma simples comparação baseada na metragem ou na quantidade de quartos.
Parte de sua identidade está na autoria da KieranTimberlake e na relação criada com o terreno. A estrutura inclui grandes paredes de vidro, escada suspensa construída ao redor de um núcleo de aço, lareira de pedra azul e painéis internos de madeira de nogueira.
Também existem cozinha planejada, ilha de calcário e a adega para 2.400 garrafas. Ainda assim, o ponto menos fácil de reproduzir não está nos acabamentos. Ele aparece na forma como arquitetura, rochas e floresta foram tratadas como partes do mesmo projeto.
Arquitetura que preserva ou apenas disfarça?
A fachada reflexiva faz a construção parecer menor e menos presente, mas não elimina sua ocupação física. Vidro e aço apenas alteram a maneira como o olhar percebe o edifício. Por isso, a aparência camuflada não deve ser confundida automaticamente com ausência de impacto ambiental.
Existem, porém, decisões concretas ligadas à preservação. A doação de 10 acres, a implantação sem explosivos e a manutenção das grandes rochas mostram que o terreno participou do projeto desde o início. Os sistemas de isolamento e climatização também procuram melhorar o controle térmico da residência.
A casa espelhada de Pound Ridge mostra que uma construção pode ter presença marcante sem depender de um volume visual agressivo. Seus reflexos escondem uma combinação de engenharia residencial, planejamento do terreno e escolha cuidadosa de materiais.
Mais do que uma residência colocada no meio da mata, o projeto foi moldado pelos limites da própria paisagem. Resta a pergunta: essa arquitetura realmente se integra à natureza ou apenas se torna mais difícil de enxergar? Compartilhe sua opinião nos comentários.
Fonte
Realtor.com
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

