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Casal brasileiro larga empregos em multinacionais, casa, carro e uma vida estável para recomeçar do zero na Austrália, troca escritório por faxina, carregar móveis e fazer delivery, mas diz que viver com baixa criminalidade e andar à noite sem medo fez a troca valer a pena

Casal brasileiro larga empregos em multinacionais, casa, carro e uma vida estável para recomeçar do zero na Austrália, troca escritório por faxina, carregar móveis e fazer delivery, mas diz que viver com baixa criminalidade e andar à noite sem medo fez a troca valer a pena

SP

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Casal brasileiro larga empregos em multinacionais, casa, carro e uma vida estável para recomeçar do zero na Austrália, troca escritório por faxina, carregar móveis e fazer delivery, mas diz que viver com baixa criminalidade e andar à noite sem medo fez a troca valer a pena

Escrito por Ana Alice

Publicado em 24/08/2026 às 00:57

Atualizado em 24/08/2026 às 03:09

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Casal brasileiro troca carreiras estáveis por faxina, delivery e mudanças na Austrália e conta como segurança e nova rotina pesaram na escolha. – Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

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A mudança de um casal brasileiro para a Austrália reúne troca de carreira, trabalhos fora da formação, adaptação longe da família e uma rotina que passou a ser compartilhada nas redes sociais.

Trocar carreira em multinacional, rotina de escritório, carro, casa e proximidade da família por faxina, entregas e carregamento de móveis em outro país parece uma inversão difícil de explicar apenas pelo cargo no currículo.

Foi justamente essa mudança que Victoria e Gabriel Magliani fizeram ao deixar Praia Grande, no litoral de São Paulo, e recomeçar a vida em Gold Coast, na Austrália, em 2023.

Na entrevista concedida à SBS em junho daquele ano, o casal dizia que a escolha envolvia menos status profissional e mais o tipo de rotina que pretendia construir.

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Victoria passou a conciliar os estudos com trabalhos de limpeza, enquanto Gabriel trocou a área de publicidade por serviços de mudança e delivery, e os dois afirmaram que conseguiam pagar aluguel, escola, internet e outras despesas com a nova configuração.

A história não ficou restrita aos primeiros meses da mudança.

Em julho de 2024, mais de um ano depois da chegada, reportagens ainda mostravam Victoria e Gabriel morando em Gold Coast e mantendo o perfil “O Casal Sem Raiz”, que já reunia mais de 50 mil seguidores no Instagram.

Na época, eles voltaram a dizer que não pensavam em retornar ao Brasil.

Casal deixou carreiras estáveis para recomeçar na Austrália

Antes da Austrália, Victoria trabalhava como analista fiscal em uma multinacional e havia construído sua trajetória profissional no litoral paulista.

Gabriel também tinha uma carreira estabelecida e atuava na área de publicidade, enquanto o casal mantinha aquilo que descreveu posteriormente como uma vida “certinha”.

A expressão não significava que tudo estivesse errado no Brasil.

Pelo contrário: os dois tinham família por perto, empregos, bens pessoais e uma rotina previsível, mas contaram à SBS que começaram a sentir vontade de experimentar uma vida diferente.

“A gente tinha uma vida completa lá no Brasil. Mãe, avó, família, nossas carreiras profissionais”, relatou Victoria na entrevista de 2023.

A mudança exigiu aceitar que o currículo construído no Brasil não definiria necessariamente os primeiros trabalhos encontrados do outro lado do mundo.

Naquele período, Victoria estava na Austrália com visto de estudante, frequentava aulas de inglês e trabalhava com limpeza; Gabriel havia entrado como dependente e fazia entregas e mudanças de móveis.

Para ele, carregar móveis trouxe uma rotina fisicamente mais exigente do que a profissão anterior.

Victoria também descreveu a faxina como um trabalho que demandava esforço físico e mental, além de complementar a renda com entregas quando tinha tempo disponível fora das aulas.

Victoria e Gabriel Magliani deixaram Praia Grande, no litoral paulista, e recomeçaram a vida em Gold Coast, na Austrália. Crédito: Arquivo Pessoal via SBS

Por que Gold Coast entrou no plano do casal brasileiro

A escolha de Gold Coast não aconteceu por acaso.

Victoria e Gabriel vinham de Praia Grande e disseram procurar um lugar onde ainda pudessem manter uma relação próxima com praia, calor e atividades ao ar livre, sem enfrentar uma mudança climática tão radical quanto a encontrada em outras partes do mundo.

Em entrevista reproduzida em 2024, Victoria explicou que o clima foi um dos fatores que mais pesaram.

O casal afirmou que gostava de temperaturas mais altas e procurava uma experiência internacional que, nesse aspecto, lembrasse a Baixada Santista.

Outro elemento surpreendeu os dois depois da chegada: a presença de brasileiros e de imigrantes de várias nacionalidades.

Gabriel relatou encontrar pessoas de diferentes origens na cidade, enquanto Victoria disse que ouvir português nas ruas contribuía para diminuir a sensação de distância do Brasil.

A segurança também apareceu de forma recorrente nos relatos dos dois, mas como uma percepção pessoal do casal sobre a vida que levava em Gold Coast, e não como comparação estatística apresentada por eles.

Na entrevista à SBS, Gabriel citou como exemplo o fato de Victoria poder voltar das aulas por volta das 21h30 e circular à noite com uma sensação de segurança que consideravam importante na decisão de permanecer.

Faxina, delivery e mudança de móveis entraram na nova rotina

A mudança profissional acabou provocando uma reação que o casal não esperava apenas de amigos e conhecidos.

Quando Victoria e Gabriel começaram a mostrar a rotina nas redes sociais, comentários sobre o tipo de trabalho exercido na Austrália passaram a se repetir.

Victoria contou ter ouvido frases de pessoas que diziam não deixar uma profissão no Brasil para “limpar chão” em outro país.

Segundo ela, outras mensagens questionavam por que alguém estudaria durante anos para depois trabalhar com faxina na Austrália.

Foi nesse contexto que surgiu boa parte do conteúdo publicado pelo “Casal Sem Raiz”.

Em vez de esconder os trabalhos feitos durante a adaptação, os dois decidiram mostrar limpeza, mudança, delivery, estudos e situações comuns de quem estava tentando estabelecer uma nova rotina longe da família.

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“Já ouvimos muito ‘eu não iria para Austrália para trabalhar em subemprego’”, contou Victoria à SBS.

A palavra aparecia nos comentários recebidos pelo casal, mas os próprios brasileiros rejeitavam essa classificação e diziam enxergar esses serviços de maneira diferente depois da experiência no país.

Essa diferença de percepção se tornou uma das partes centrais do relato.

Para Victoria, trabalhar com limpeza não deveria ser tratado como algo inferior apenas por estar distante da formação anterior, enquanto Gabriel dizia que a experiência precisava ser avaliada pelo conjunto da vida que os dois estavam construindo.

Custo de vida e trabalho marcaram a adaptação na Austrália

A experiência, porém, não foi descrita pelo casal como férias permanentes.

Em relatos posteriores, Victoria afirmou que os primeiros meses exigiam uma carga intensa de trabalho e que, para muitos imigrantes, a chamada qualidade de vida não aparece imediatamente após o desembarque.

A gente mal vive a qualidade de vida no início porque você trabalha de segunda a segunda”, afirmou Victoria em declaração reproduzida em reportagem de 2024.

Segundo o relato, eles já tinham se preparado para aceitar trabalhos diferentes dos exercidos no Brasil e sabiam que finais de semana livres poderiam se tornar menos frequentes durante a fase de adaptação.

Na entrevista original, Gabriel dizia que os rendimentos obtidos permitiam ao casal manter seus principais compromissos, incluindo aluguel, internet e escola.

Isso não significava, no entanto, que a mudança tivesse eliminado dificuldades; Victoria resumiu a experiência dizendo que a escolha era difícil, mas que a vida anterior também tinha seus próprios desafios.

A diferença, na avaliação dos dois, estava no motivo pelo qual haviam aceitado enfrentar aquela etapa.

O trabalho deixara de ser analisado isoladamente e passara a fazer parte de um projeto maior de morar fora, estudar, conhecer outra cultura e testar uma rotina que eles próprios haviam escolhido.

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Casal Sem Raiz nasceu da curiosidade sobre a mudança

Amigos e parentes começaram a fazer tantas perguntas sobre a mudança que Victoria e Gabriel resolveram transformar a experiência em conteúdo.

Na entrevista de junho de 2023, o perfil já havia ultrapassado 45 mil seguidores no Instagram e se aproximava dos 10 mil no TikTok.

Pouco mais de um ano depois, veículos brasileiros ainda acompanhavam os dois na Austrália.

Em julho de 2024, reportagens sobre um encontro inesperado com uma grande aranha dentro do banheiro do apartamento mostraram que eles continuavam em Gold Coast e indicavam mais de 50 mil seguidores no Instagram.

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O episódio ganhou repercussão porque os próprios brasileiros costumavam brincar nas redes com a fama da fauna australiana.

Depois de cerca de um ano e três meses no país sem encontrar uma aranha daquele porte dentro de casa, Victoria descreveu o momento como uma espécie de “batismo” da vida na Austrália.

Embora o encontro com o animal não tenha relação direta com a decisão profissional que levou os dois ao país, ele mostra como o diário inicialmente criado para explicar a mudança acabou se tornando um registro mais amplo da rotina.

Trabalho, custo de vida, animais, diferenças culturais e situações domésticas passaram a dividir espaço no conteúdo publicado pelo casal.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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