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Casal compra uma casa histórica construída em 1834 e, ao reformar o imóvel sob regras rígidas de preservação, mantém pisos de pinho, vigas e vidros originais; durante a escavação da piscina, surgem cerâmicas, maçanetas, fechaduras e chaves enterradas no quintal
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 10/08/2026 às 00:01
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Imóvel histórico preservado por quase dois séculos passou por uma reforma que conciliou elementos originais e adaptações modernas. Durante a obra, detalhes inesperados surgiram no terreno e transformaram a restauração em uma descoberta capaz de revelar novas camadas da trajetória da propriedade.
Susan e Jeff Davall encontraram em Mount Pleasant, na Carolina do Sul, uma casa construída em 1834 que reunia características preservadas de sua arquitetura original, mas precisava ser adaptada à rotina de uma família moderna.
Durante a transformação do imóvel, o casal decidiu conservar pisos antigos, vigas aparentes, janelas históricas e varandas envelhecidas, enquanto novas áreas eram incorporadas sem descaracterizar a construção.
A obra ainda reservou uma descoberta inesperada: durante a escavação da piscina no quintal, surgiram pedaços de cerâmica, maçanetas, fechaduras e chaves antigas que haviam permanecido enterrados no terreno.
Localizada no Old Village, bairro histórico de Mount Pleasant, a residência pertence a uma tipologia arquitetônica conhecida como Single House.
Em vez de substituir indiscriminadamente o que havia sobrevivido na estrutura, os proprietários trabalharam com arquitetos locais para atualizar a casa respeitando restrições de preservação que limitavam as alterações possíveis, especialmente aquelas capazes de modificar sua aparência histórica vista da rua.
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Casa histórica de 1834 exigiu preservação durante a reforma
Segundo reportagem da Southern Living, Susan e Jeff se interessaram pelo imóvel quando procuravam uma mudança para a região costeira da Carolina do Sul.
Embora a propriedade tivesse dimensões menores que a casa onde viviam anteriormente em Maryland, reduzindo o espaço disponível para uma família de cinco pessoas, a localização, a rua arborizada e as características pouco convencionais da construção pesaram na decisão de ficar com o imóvel.
A compra ocorreu em 2018, mas a idade da casa impôs uma condição diferente daquela enfrentada em construções recentes.
Mais do que atender às necessidades dos moradores, qualquer alteração precisava conciliar a organização interna desejada pela família com a preservação de uma edificação que já atravessava quase dois séculos de mudanças urbanas e transformações no entorno.
Responsáveis pela adaptação, os arquitetos Kate Campbell e Beau Clowney tiveram de trabalhar dentro desses limites.
Como havia restrições para a quantidade de área que poderia ser acrescentada e existia a preocupação de proteger a fachada histórica, a expansão foi concentrada principalmente na parte de trás da residência, onde o projeto aumentou a cozinha e acrescentou varanda, sala de estar e uma suíte principal com teto abobadado.
Dessa forma, foi possível incorporar espaços necessários à rotina da família sem permitir que a ampliação dominasse visualmente a parte mais antiga.
Já na área original da casa, as intervenções foram mais cuidadosas; em um dos ambientes próximos à entrada, por exemplo, uma parede de vidro foi empregada para definir melhor os espaços sem fechar completamente a comunicação com a sala de música.
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Pisos de pinho, vigas e janelas antigas foram mantidos
A mesma lógica orientou o tratamento dos materiais existentes.
Os pisos largos de pinho conhecidos como heart pine permaneceram no imóvel, assim como vigas aparentes, varandas antigas e janelas de vidro com pequenas irregularidades características de peças históricas.
Em vez de tratar as marcas do tempo como defeitos que exigiam substituição, Susan relatou que esses sinais foram incorporados à preservação da casa.
Até imperfeições visíveis nos pisos permaneceram como parte da residência, mantendo características que atravessaram diferentes fases de uso do imóvel.
Essa escolha colocou a conservação acima da aparência de uma reforma completamente nova, preservando elementos que dificilmente poderiam ser reproduzidos com o mesmo histórico.
Paralelamente, os ambientes receberam mudanças funcionais destinadas a permitir o uso cotidiano por uma família contemporânea, sem que a adaptação eliminasse a identidade da construção.
O equilíbrio entre épocas distintas também aparece na decoração.
A designer Jenny Keenan foi chamada para trabalhar os interiores e utilizou móveis antigos, tecidos estampados, papéis de parede e obras de arte em meio aos elementos preservados, sem eliminar as superfícies antigas nem tentar fazer os cômodos parecerem recém-construídos.
Reforma adaptou os ambientes sem apagar a arquitetura original
Entre os espaços reorganizados está uma sala de música, que passou a reunir instrumentos pertencentes à família.
Como a mudança para uma propriedade menor reduziu a quantidade de áreas disponíveis para armazenamento, guitarras foram colocadas nas paredes e incorporadas ao ambiente, enquanto outros cômodos receberam adaptações semelhantes para ganhar novas funções dentro da estrutura histórica.
Na cozinha, a ampliação acrescentou uma área para refeições com banco e mesa feitos para o espaço.
Entre as partes antiga e nova da residência, um ambiente de apoio passou a funcionar como transição entre os dois trechos da construção, evitando que a ampliação parecesse uma estrutura independente simplesmente anexada ao imóvel original.
Ao organizar os novos ambientes dessa forma, o projeto manteve uma continuidade entre aquilo que já existia e o que foi acrescentado.
As necessidades da família foram atendidas sem exigir que toda a organização interna da residência fosse redesenhada como se a casa tivesse sido construída recentemente.
Escavação da piscina revelou objetos antigos enterrados
Assista o vídeo
Foi na área externa, porém, que surgiu outro capítulo da história da propriedade.
Durante a escavação do terreno para receber a piscina, objetos começaram a aparecer no solo, revelando materiais que até então permaneciam fora dos ambientes conhecidos da casa.
Entre as peças retiradas estavam fragmentos de cerâmica, maçanetas, fechaduras e chaves, todos encontrados enterrados no quintal.
Esses objetos não faziam parte da decoração nem estavam visíveis na estrutura, mas sobreviveram no terreno enquanto a propriedade atravessava diferentes gerações e usos.
Depois da descoberta, Susan decidiu conservar parte do material e transformá-lo em elemento de exposição.
As peças foram colocadas em caixas próprias para exibição, criando dentro da residência um registro material do que havia sido recuperado durante a obra e reintegrando ao cotidiano objetos encontrados no próprio terreno.
A descoberta ampliou o significado da restauração para além da arquitetura visível.
Enquanto pisos, janelas e vigas já permitiam observar características sobreviventes da construção de 1834, os itens retirados do quintal mostraram que parte do passado da propriedade permanecia fora dos cômodos, escondida sob a área utilizada pelas gerações seguintes.
Casa antiga ganhou espaços modernos sem perder elementos históricos
Apesar do esforço de preservação, nem todos os ambientes permaneceram organizados como no século XIX.
A residência precisava atender necessidades que não existiam quando foi construída, razão pela qual a expansão da cozinha, a criação da suíte principal e os novos espaços de convivência foram incorporados sem apagar os materiais históricos ainda aproveitáveis.
Até um cômodo construído sobre a garagem recebeu mais de uma função.
Preparado para servir como área de convivência dos filhos e também como acomodação para visitantes, o espaço utiliza mobiliário capaz de transformar o ambiente quando necessário, aproveitando uma área disponível sem exigir mudanças equivalentes na estrutura histórica principal.
Na fachada, a leitura tradicional da casa foi preservada, enquanto as alterações maiores permaneceram menos expostas na parte posterior.
Essa separação ganhou importância porque as regras aplicáveis à propriedade restringiam a expansão e exigiam atenção à aparência externa do imóvel histórico.
Assim, partes construídas em épocas muito diferentes permanecem lado a lado dentro da mesma propriedade.
Pisos, vigas, vidros e varandas sobreviventes de fases anteriores dividem espaço com cozinha ampliada, novos ambientes familiares e soluções desenvolvidas para acomodar a rotina atual.
No quintal, uma intervenção destinada a instalar uma estrutura moderna terminou revelando peças pertencentes ao passado da propriedade.
Dentro da casa, ao mesmo tempo, materiais com quase dois séculos continuaram incorporados aos ambientes e à vida dos moradores.
Se durante uma reforma objetos enterrados e componentes originais ainda conseguem revelar capítulos desconhecidos de uma construção, o que mais pode permanecer escondido em casas que atravessaram tantas gerações?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

