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Casal constrói a casa dos sonhos e, após 1 mês, descobre que o governo quer tomar o imóvel para construir uma nova ponte, mas um detalhe descoberto depois torna a situação ainda mais surpreendente
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 25/08/2026 às 20:21
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Planos de aposentadoria, uma mudança cuidadosamente preparada e uma casa recém-construída acabaram envolvidos em uma disputa de desapropriação em Cape Cod, nos Estados Unidos, após o casal receber uma comunicação inesperada e descobrir posteriormente um elemento que tornou o caso ainda mais incomum.
Marc e Joan Hendel planejaram uma casa para a aposentadoria em Cape Cod, no estado americano de Massachusetts, mas o projeto familiar mudou poucas semanas depois de eles finalmente ocuparem o imóvel construído conforme os planos feitos para essa nova etapa da vida.
Em março de 2025, o casal se instalou na residência recém-construída e começou a organizar a rotina no novo endereço, porém, cerca de um mês depois, recebeu uma carta informando que a propriedade seria desapropriada para abrir espaço à substituição da Sagamore Bridge.
Pouco depois da notificação, outro elemento tornou a situação ainda mais inesperada: os Hendel afirmaram ter localizado documentos assinados pelo vendedor nos quais era negada a existência de uso público planejado para aquele terreno no momento da negociação.
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Ao comprarem a área, em dezembro de 2023, Marc e Joan dizem ter confiado no corretor responsável pela transação para alertá-los sobre eventuais problemas relacionados ao imóvel, inclusive questões que pudessem comprometer a permanência deles na propriedade.
Casa em Cape Cod foi planejada para a aposentadoria
Depois de viver por anos no Meio-Oeste dos Estados Unidos, o casal decidiu retornar à região da Nova Inglaterra para ficar mais próximo de familiares que moravam em Boston e Connecticut, reorganizando a vida em torno da futura aposentadoria.
Foi em Round Hill, bairro localizado em Bourne, que Marc e Joan encontraram um terreno acompanhado de contrato para uma residência que poderia ser adaptada às necessidades dos dois, oferecendo a estrutura planejada para a próxima fase da vida.
Ao longo de 2024, a construção avançou até ser concluída antes da mudança definitiva, realizada em março de 2025; naquele momento, depois de meses acompanhando a obra, o casal finalmente começou a viver na casa preparada segundo suas próprias escolhas.
A tranquilidade durou pouco, pois uma notificação entregue pessoalmente algumas semanas depois comunicou que o estado usaria o poder de desapropriação, chamado nos Estados Unidos de eminent domain, para incorporar o imóvel ao projeto destinado à nova ponte.
Diante da comunicação inesperada, Joan relatou que os dois ficaram sem saber como reagir, principalmente porque ainda estavam se adaptando ao novo endereço quando descobriram que precisariam abandonar uma residência recém-construída para os anos seguintes.
Enquanto moradores antigos já acompanhavam discussões públicas sobre os impactos da substituição da ponte, os Hendel ainda viviam fora de Massachusetts durante parte dessas reuniões locais, o que ajuda a explicar por que afirmam não ter acompanhado o debate anteriormente.
Documentos aumentaram a surpresa sobre a desapropriação
Segundo o Realtor.com, Marc e Joan sustentam que não receberam nenhum alerta sobre o risco de desapropriação durante o processo de compra, embora a possibilidade de uso público do terreno tivesse importância direta para a decisão de adquirir a propriedade.
Mais tarde, o casal apontou formulários assinados pelo vendedor nos quais teria sido negada a existência de uso público planejado para o local, circunstância que ampliou as dúvidas sobre como a transação foi concluída sem conhecimento do futuro projeto.
Com o avanço do processo, a desapropriação deixou de representar apenas uma possibilidade administrativa e passou a afetar diretamente a posse dos imóveis escolhidos para abrir espaço à obra planejada pelo governo estadual de Massachusetts.
Registros públicos indicavam, em abril de 2026, que o estado já havia assumido 11 das 13 casas previstas no entorno da construção, incluindo a residência recém-construída de Marc e Joan no bairro de Round Hill.
Já durante uma audiência pública realizada em 23 de julho de 2026, o Departamento de Transportes de Massachusetts, conhecido como MassDOT, atualizou o balanço e informou que 12 das 13 propriedades residenciais previstas já haviam sido adquiridas por desapropriação.
Sagamore Bridge será substituída em Massachusetts
Localizada no caminho da expansão prevista para a obra, a casa dos Hendel integra a área necessária para substituir a Sagamore Bridge, uma das duas pontes rodoviárias responsáveis pela ligação entre Cape Cod e o continente de Massachusetts.
Juntamente com a Bourne Bridge, a Sagamore tem cerca de 90 anos, e as duas estruturas recebem mais de 38 milhões de viagens de veículos por ano, número que evidencia a importância dessas conexões para moradores e visitantes da região.
Luisa Paiewonsky, diretora-executiva do escritório de megaprojetos do Departamento de Transportes de Massachusetts, afirmou que as estruturas são consideradas funcionalmente obsoletas e destacou que a população depende dessas pontes para acessar Cape Cod por via rodoviária.
Durante a definição do traçado, diferentes alternativas foram estudadas pelos responsáveis pelo projeto e, segundo Paiewonsky, a opção escolhida buscou produzir o menor impacto possível sobre propriedades residenciais, embora algumas casas tenham permanecido dentro da área necessária.
Mesmo com essa tentativa de reduzir as desapropriações, o plano ainda exige a retirada de moradores de imóveis localizados no caminho da construção, transformando uma grande obra de infraestrutura em uma mudança pessoal significativa para famílias da região.
De acordo com o Realtor.com, 13 casas e três propriedades comerciais estão entre os imóveis atingidos, enquanto o MassDOT declarou em julho de 2026 que 12 das 13 residências já estavam sob posse estadual e que restava uma aquisição.
Indenização e mudança preocupam o casal
Em Massachusetts, o mecanismo de desapropriação chamado “quick take” permite que o poder público assuma legalmente uma propriedade antes da solução definitiva de eventuais divergências relacionadas ao valor da compensação que deverá ser paga ao proprietário afetado.
Além da indenização pelo imóvel, o estado prevê assistência relacionada à mudança e à busca por outra residência para as famílias deslocadas, embora essas medidas não eliminem todas as preocupações financeiras enfrentadas por quem precisa recomeçar em outro endereço.
Para Marc e Joan, uma das principais dificuldades está justamente no custo necessário para encontrar uma casa comparável àquela que haviam acabado de construir, especialmente em um mercado imobiliário com oferta limitada e valores elevados na região de Cape Cod.
Dados de julho citados pelo Realtor.com apontavam 1.402 imóveis anunciados no condado de Barnstable, com preço mediano próximo de US$ 946 mil, enquanto somente 6,1% das unidades disponíveis haviam sido construídas em 2024 ou posteriormente.
Na comparação por área, as construções mais novas apareciam com preço médio próximo de US$ 654 por pé quadrado, enquanto os imóveis mais antigos registravam cerca de US$ 530, ampliando o desafio para quem procura uma residência recém-construída.
Joel Berner, economista sênior do Realtor.com, classificou Cape Cod como um mercado favorável aos vendedores, cenário caracterizado por estoque limitado diante do ritmo das vendas e por uma quantidade reduzida de alternativas disponíveis para potenciais compradores.
Além da perda da casa planejada para a aposentadoria, a mudança forçada também interferiu diretamente no cronograma financeiro que Marc e Joan haviam preparado para os próximos anos, acrescentando novas despesas e incertezas ao planejamento familiar.
Joan pretendia deixar o trabalho dentro de um ou dois anos, mas afirmou que esse cronograma foi interrompido, enquanto Marc demonstrou preocupação com impostos, manutenção e outros custos permanentes caso a próxima residência seja mais cara do que a atual.
O caso reúne, portanto, dois momentos decisivos para o casal: primeiro, a descoberta de que o estado pretendia tomar a casa recém-construída; depois, a constatação de que documentos da negociação indicariam que não havia uso público planejado para o terreno.
Como você reagiria ao descobrir uma desapropriação apenas algumas semanas depois de se mudar para uma casa construída para durar o restante da vida?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

