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Casal de estrangeiros foram trabalhar em Santa Catarina como empregados e acabaram abrindo a própria pizzaria em Florianópolis, uma trajetória cada vez mais comum num estado que bateu recorde de saldo de vagas para estrangeiros, com mais de 10 mil postos só nos primeiros cinco meses de 2026

Casal de estrangeiros foram trabalhar em Santa Catarina como empregados e acabaram abrindo a própria pizzaria em Florianópolis, uma trajetória cada vez mais comum num estado que bateu recorde de saldo de vagas para estrangeiros, com mais de 10 mil postos só nos primeiros cinco meses de 2026

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Casal de estrangeiros foram trabalhar em Santa Catarina como empregados e acabaram abrindo a própria pizzaria em Florianópolis, uma trajetória cada vez mais comum num estado que bateu recorde de saldo de vagas para estrangeiros, com mais de 10 mil postos só nos primeiros cinco meses de 2026

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 01/08/2026 às 08:15

Curiosidades

Casal de estrangeiros abriu pizzaria no Ribeirão da Ilha depois de trabalhar de carteira assinada em SC, estado que bateu recorde de vagas para imigrantes.

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A uruguaia Camila Sepúlveda e o chileno Erik Alvarez começaram vendendo massas artesanais, passaram pelo frango assado e hoje tocam uma casa de pizzas de longa fermentação no Ribeirão da Ilha, com três funcionários. O estado registrou saldo recorde de contratações de estrangeiros entre janeiro e maio de 2026.

A pizzaria aberta pelo casal formado pela uruguaia Camila Sepúlveda e pelo chileno Erik Alvarez fica no Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis, e completa quase três anos de funcionamento, conforme reportagem publicada pelo portal ND Mais. Os dois chegaram a Santa Catarina para trabalhar como empregados e hoje empregam três pessoas.

A trajetória deles se encaixa em um movimento maior. Entre janeiro e maio de 2026, Santa Catarina registrou saldo de 10,2 mil vagas formais para trabalhadores de outros países, o maior resultado da série histórica para esse período, e voltou a liderar o país nesse indicador. O avanço aconteceu justamente enquanto o mercado de trabalho catarinense desacelerava, com queda de 17% no saldo geral de empregos em relação aos cinco primeiros meses de 2025.

O número que mostra o descompasso do mercado catarinense

O dado mais revelador do levantamento não é o recorde em si, e sim o contraste entre dois movimentos opostos acontecendo ao mesmo tempo. Enquanto o saldo geral de empregos formais recuava 17% na comparação com o mesmo período de 2025, a geração de vagas para estrangeiros crescia 14%.

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Duas curvas em direções contrárias costumam apontar para um descompasso entre oferta e demanda de mão de obra. A leitura apresentada é a de que essa população tem ocupado postos que as empresas encontram dificuldade para preencher, situação comum em setores com alta rotatividade, jornada puxada ou exigência de disponibilidade em fins de semana e feriados.

Vale precisar o que o número representa. Saldo é a diferença entre admissões e demissões, e não o total de contratações realizadas no período. Os 10,2 mil postos, portanto, indicam quanto o estoque de empregos formais ocupados por estrangeiros cresceu de janeiro a maio de 2026, e não quantas pessoas foram contratadas.

De adolescente recém chegada a estudante de gastronomia

A história de Camila no Brasil começou bem antes da pizzaria. Ela chegou ao país ainda adolescente, em 2004, e se mudou para Florianópolis em 2013 para estudar Gastronomia, o que significa mais de duas décadas de vida no Brasil até o momento da reportagem.

O encontro com Erik aconteceu fora daqui. Os dois se conheceram no Chile, durante uma pós-graduação em cozinha francesa, período que consolidou a formação técnica que hoje sustenta o negócio.

A decisão de voltar ao Brasil veio de dois fatores combinados: o nascimento da filha e as mudanças políticas no país vizinho. A escolha por Santa Catarina foi motivada por segurança e qualidade de vida, e o casal afirma que já chegou com a intenção de empreender.

Massa artesanal, frango assado e só depois a pizza

Casal de estrangeiros abriu pizzaria no Ribeirão da Ilha depois de trabalhar de carteira assinada em SC, estado que bateu recorde de vagas para imigrantes. (imagem: arquivo pessoal/ Camila Sepulveda)

O negócio atual não foi o primeiro. A sequência de tentativas mostra um caminho que raramente aparece nas histórias de empreendedorismo: eles começaram vendendo massas artesanais, depois migraram para frango assado e só então chegaram à pizza de longa fermentação.

Antes disso, e durante a estruturação do projeto, Camila trabalhou com carteira assinada. A renda formal financiava a montagem do próprio negócio, arranjo que ela descreve como etapa de preparação para um objetivo que já estava definido desde o começo.

Casal de estrangeiros abriu pizzaria no Ribeirão da Ilha depois de trabalhar de carteira assinada em SC, estado que bateu recorde de vagas para imigrantes. (imagem: arquivo pessoal/ Camila Sepulveda)

Trocar de produto duas vezes antes de acertar não é fracasso, é aprendizado pago com o próprio bolso. Cada mudança envolve equipamento, fornecedor, precificação e reconstrução de clientela, e chegar ao terceiro formato com o negócio de pé indica que houve leitura de mercado no caminho.

Três anos de operação, salão e delivery

Casal de estrangeiros abriu pizzaria no Ribeirão da Ilha depois de trabalhar de carteira assinada em SC, estado que bateu recorde de vagas para imigrantes. (imagem: arquivo pessoal/ Camila Sepulveda)

A pizzaria funciona há quase três anos, atende no salão e por delivery, e trabalha com o conceito de longa fermentação, processo em que a massa descansa por período prolongado antes de ir ao forno.

A operação em dois canais não é detalhe menor para um negócio desse porte. Salão e entrega têm lógicas diferentes de custo, de pico de demanda e de dimensionamento de equipe, e sustentar os dois com três funcionários exige organização de escala bastante ajustada.

Casal de estrangeiros abriu pizzaria no Ribeirão da Ilha depois de trabalhar de carteira assinada em SC, estado que bateu recorde de vagas para imigrantes. (imagem: arquivo pessoal/ Camila Sepulveda)

Camila afirma que a experiência anterior como empregada foi determinante para chegar até aqui, e resume a mentalidade que a movia desde o início: a ideia sempre foi trabalhar para si mesma, com a convicção de que um dia não trabalharia para ninguém. O casal diz não pretender voltar ao mercado formal, descrevendo o empreendedorismo como uma montanha russa compensada pela flexibilidade e pela satisfação de tocar o próprio negócio.

Abrir empresa aqui é mais simples do que no Chile

A comparação entre os dois países é um dos pontos mais concretos do relato. Na avaliação do casal, abrir uma empresa no Brasil foi significativamente mais simples do que teria sido no Chile.

Camila explica que no país vizinho existe uma sequência muito maior de exigências antes da abertura de qualquer negócio, enquanto aqui foi possível começar pequeno e estruturar a empresa aos poucos. O formato que viabilizou esse início gradual foi o Microempreendedor Individual, o MEI.

Florianópolis é a cidade com o maior número de MEIs de Santa Catarina, com 88.094 empresas registradas, segundo dados da Junta Comercial do Estado. O regime simplificado é justamente o que permite testar um negócio sem estrutura societária complexa, característica decisiva para quem, como eles, ainda estava descobrindo qual produto vender.

O alerta de quem já passou pelo processo

O trecho mais útil da entrevista para quem pensa em abrir negócio é também o menos animador. Erik faz questão de separar a facilidade burocrática do resultado financeiro, e afirma que muita gente romantiza o empreendedorismo achando que em poucos meses vai ganhar dinheiro.

Segundo ele, não funciona assim: é preciso planejamento, dedicação e a compreensão de que o retorno leva tempo. É uma ressalva vinda de quem passou por três formatos de negócio antes de chegar ao atual e que, mesmo assim, descreve o processo como oscilante.

A família também menciona ter recebido apoio de programas de capacitação que auxiliaram na gestão e no desenvolvimento do negócio, segundo reportagem do NDMAIS.

O turismo que sustenta o movimento em Florianópolis

Existe um fator externo que pesa diretamente no caixa de quem empreende na capital catarinense. Nos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil recebeu quase 5 milhões de turistas estrangeiros, e cerca de 500 mil deles visitaram Santa Catarina, crescimento de 1,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Com esse volume, o estado se consolidou como o terceiro destino mais procurado do país, segundo a Embratur. Para o comércio local, isso significa uma camada de demanda que não existe em cidades que dependem apenas do público residente.

Erik reconhece essa dependência de forma direta, afirmando que o negócio depende bastante do turismo e que, em outras cidades, o comércio vive mais do público local. É uma vantagem com contrapartida embutida, porque negócio que depende de fluxo turístico convive com sazonalidade e precisa atravessar os meses de baixa temporada.

O custo de vida entra na conta

A avaliação positiva sobre a região não ignora o preço de estar ali. Camila afirma que é caro viver em Santa Catarina, mas defende que o custo se paga em segurança, qualidade de vida e oportunidades, condições que ela considera relevantes para quem quer construir uma empresa e criar uma família ao mesmo tempo.

Esse cálculo aparece com frequência entre quem migra para o litoral catarinense. O valor de aluguel comercial e residencial em Florianópolis, especialmente em áreas de forte circulação, é um dos itens que mais pressionam a viabilidade de um negócio pequeno.

A ponderação que eles fazem é a de que segurança e ambiente favorável compensam a despesa. É uma avaliação pessoal, não um cálculo econômico, e a reportagem não traz números de custo de vida ou de aluguel para sustentar a comparação com outros estados.

Um movimento que se repete no estado

O caso da família ilustra um percurso descrito como cada vez mais frequente em Santa Catarina: estrangeiros que chegam inicialmente para ocupar uma vaga formal, encontram espaço no mercado e, depois de algum tempo, investem em negócio próprio.

O efeito econômico desse ciclo tem duas pontas. Na primeira, o trabalhador ocupa um posto que a empresa tinha dificuldade de preencher. Na segunda, ele deixa de ser apenas mão de obra e passa a gerar emprego, como no caso da pizzaria, que hoje mantém três pessoas contratadas.

Vale registrar que o material não apresenta dados sobre quantos estrangeiros abriram empresa no estado nem sobre a taxa de sobrevivência desses negócios. O caso é ilustrativo do movimento, não uma medida do seu tamanho, e a reportagem não quantifica quantas dessas trajetórias terminam em negócio consolidado.

De empregados a empregadores em quase três anos

O que essa história mostra, na prática, é uma sequência de decisões bastante concretas: manter a renda formal enquanto o projeto era montado, começar como MEI para reduzir a barreira de entrada, testar dois produtos antes do terceiro e escolher um bairro em uma cidade com fluxo turístico consistente.

Nenhum desses passos depende de sorte ou de capital elevado, e todos podem ser replicados por quem está começando. O que a própria dupla faz questão de dizer é que a parte burocrática, que assusta muita gente, foi a mais simples do processo. O difícil veio depois, no tempo até o retorno aparecer.

E você, largaria a carteira assinada para abrir o próprio negócio? Acha que a facilidade de virar MEI ajuda mais ou faz muita gente começar sem preparo? Conta nos comentários se você já tentou empreender e o que faria diferente hoje.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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